quarta-feira, 17 de outubro de 2018

CAPÍTULO 2: REFLEXÃO SOBRE ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL



REFLEXÃO SOBRE ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL[1]


2.1.ORIGEM E CRESCIMENTO DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL


Escola dominical como movimento, surgiu na Inglaterra, como resultado do grande avivamento cristão ocorrido no século XVIII. Robert Raikes teve a honra de ser o fundador desta abençoada escola.
Em Julho de 1780, quando Robert Raikes começou a reunir e amparar as crianças de rua, para instruí-las na leitura e no conhecimento da Bíblia, não poderia imaginar que em cinco anos haveria uma explosão na educação nacional e internacional, motivada pelo movimento que veio a ser chamado “Escola Dominical”.
As primeiras notícias registradas destes movimentos dizem que o propósito inicial de Robert Raikes era dar àquelas crianças da cidade de Glovcester, rudimentos da educação em que a Bíblia era disciplina indispensável e obrigatória. O movimento começou agitado, pois, visando alcançar um número cada vez maior de crianças. A escolinha de Raikes ocupava seis horas do domingo em dois turnos, manhã e tarde e, além de Raikes, professor da Bíblia, quatro outros professores crentes e habilitados pedagogicamente, se revezavam.
 Em 1787 já havia 250.000 alunos matriculados nas escolas da Inglaterra. Estas primeiras Escolas Dominicais foram as precursoras do moderno movimento da educação cristã e também da educação pública.
A Escola Dominical se esparramou por todo o mundo. Em 1855, exatamente no dia 19 de agosto, o Robert e Sara Kalley, organizaram a primeira Escola Dominical, em Petrópolis no Rio de Janeiro.
A princípio, as escolas destinavam-se mais para as crianças e adolescentes, de 7 a 16 anos. Gradativamente foram acrescentadas classes para crianças de menor idade e também para jovens e adultos.


2.2.ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO


A)   Organização é ordem
Envolve estabelecer as bases de algo, ordenar, arranjar.
A criação de Deus nos surpreende por sua perfeita organização. O texto de 1 Coríntios 14.40 nos ensina: “...tudo, porém, seja feito com decência e ordem!”. A desorganização e a desordem destroem a vida de qualquer pessoa, igreja ou organização.
O crescimento sem ordem é aparente e infrutífero. Pode haver muito esforço e muita energia e nenhum crescimento real, porque a desorganização aniquila os resultados positivos surgidos.

B)   Organização é planejamento. Elaboração de planos. Elaboração por etapas, com bases técnicas, de planos e programas com objetivos definidos.

C)   Administração é e execução do planejamento.
O grande fracasso tem sido administrar coisas não organizadas!
Duas falhas no planejar:

NEGLIGÊNCIA: - “o amanhã cuidará de si mesmo”.
Há pessoas que trabalham sempre na base da improvisação.     
Outras raciocinam que por serem versáteis e terem reflexos rápidos poderão superar as deficiências de seus planos. O que se vê, em ambos os casos, é fracasso.

MAU ENCAMINHAMENTO: Há pessoas que usam métodos inadequados e administram (executam) erradamente.
Devemos planejar quando se considerar uma atividade especial a ser preparada ou em ocasiões periódicas determinadas por calendários, por exemplo: no início de um ano; intervalos trimestrais; quando há um novo empreendimento ou projeto.

A organização adequada é feita a partir de:

·         Identificação dos Objetivos:
Observar o que a minha Escola Dominical, o meu departamento, a minha classe desejam conseguir? Quando? Por quê?

·         Determinação da prioridade dos Objetivos:
- o que é mais importante e deve ser feito primeiro?
- onde será implantado?
- o que será necessário para o alcance dos objetivos que foram fixados? – pensar em recursos materiais e humanos.

·         Definição das estratégias:
- o que será necessário para passar do plano do papel para a ação?
- quem irá transmitir as instruções? E para quem?

·         Qualidades da boa organização:
Simplicidade – sem elementos desnecessários, sem ostentação, sem complexidade ou dificuldade.
Flexibilidade – que se pode alterar, caso seja necessário.
Completa – que se pensou em todos os detalhes.

·         Características dos Objetivos:
A longo prazo: - são objetivos permanentes e podem ser definidos como a própria finalidade e razão de ser da Escola Dominical.
A médio prazo: - São estratégias para o alcance dos objetivos a longo prazo. Num ambiente de Escola Dominical os objetivos a médio prazo ultrapassam uma gestão de um ano. Estes objetivos são definidos a partir de análise dos problemas existentes e reflexão sobre os desejos e expectativas da Igreja em relação à Escola Dominical.
Exemplos destes objetivos: treinamento de professores, reestruturação do currículo, criação do departamento de música...
A fixação destes objetivos deve ser feita com a aprovação da liderança da Igreja, pois, sua execução transcende o mandato de um ano do diretor ou superintendente da Escola Dominical.
A curto prazo: - são estratégias também para o alcance dos objetivos a longo prazo e que podem ser alcançados dentro de um ano. Exemplos: reunião mensal dos professores, atividades extras, classes especiais...


ORGANOGRAMA:
Podemos definir três tipos de Escola Dominical:
1 – Pequena – até 70 alunos
Uma pessoa pode dirigir a E.B.D. sozinha, tendo a ajuda de um secretário.

Diretor/Superintendente
Secretário
Classes
Berçário           Crianças            Juniores          Adolescentes          Jovens/Adultos
de 0 a 2 anos             de 2 a 6 anos           de 7 a 11 anos           de 12 a 17 anos                  a partir de 18 anos

2 – Média – de 71 a 150 alunos
A Escola Dominical pode ter um Diretor, um Vice- diretor, um Secretário e um Tesoureiro.
Pode ter um Departamento Infantil, com um Diretor e um Vice.
Pode ter uma Classe para Adolescentes, uma para Jovens e uma para Adultos.

Diretor
Vice – Diretor
Secretário
Tesoureiro
Diretor do Dep. Infantil
Vice- diretor  do Dep. Infantil

Berçário   Maternal      Primário      Crianças    Juniores     Adolescentes     Jovens         Adultos
a 2 anos       de 2 a 3 anos        de 4 a 6 anos            de 7 a 8 anos     de 9 a 11 anos       de 12 – 17 anos        de 18 -25 anos      a partir 26 anos

3 – Grande – a partir de 151 alunos
Escola Grande a escola pode ter além de um Diretor, Vice- diretor, uma Secretária e um Tesoureiro.
O Departamento Infantil será igual a Escola Média.
Pode ter um Departamento de Juniores e Adolescentes com um Diretor comum para ambos.
Pode ter um Departamento de Adultos e Classes Especiais.

Diretor
Vice- diretor
Secretária
Tesoureiro

Dep. Infantil              
Igual a Escola Média
Dep. Adolescentes
Juniores    Adolescentes  
12 – 14 anos         15 – 17 anos
Dep. Adultos
Jovens I   JovensII   Adultos    C.Especiais
18-22anos        23-28 anos       29-45 anos


A. Organização do Departamento Infantil


Para organizar um Departamento Infantil é necessário um Diretor com Formação Pedagógica Educacional ou uma pessoa extremamente dedicada sob a orientação do Pastor ou alguém da Área Educacional.
O Departamento Infantil possui 4 áreas que precisam estar afinadas para que haja sucesso no trabalho com as crianças: Administração, treinamento de Professores, Relacionamento com pais e Ministério com crianças.


Departamento Infantil
     Diretor                        Treinamento de          Relacionamento         Ministério
Administração              Professores               com os pais            Com crianças


B. Problemática da Escola Dominical


Há vários problemas que vêm afligindo e impedindo o desenvolvimento sadio da Escola Dominical e que estas estão ligadas àqueles que são líderes desta organização.


1°- Corpo docente – Professor:
O Professor escolhido para as classes de Escola Dominical, devem merecer o máximo de atenção da parte do Pastor e da liderança da Escola Dominical. II Timóteo 2:2 – devem ser “homens fiéis e também idôneos para instruir outros”. O Professor deve ter uma experiência clara da sua conversão e deve ser um constante estudioso da Palavra de Deus – I Cor. 15:1.
Precisamos também, cobrar de alguma forma a assiduidade e buscar avaliações constantes dos alunos.

2°- Diretor – Superintendente:
Não é uma simples figura, e sim, o responsável por todo o andamento da ED.É a pessoa chave para desenvolver o programa de Educação Religiosa dentro da ED. O superintendente é o elo de ligação entre um Departamento e outro. E mais, ele é o porta voz das necessidades das classes e dos departamentos diante da direção da Igreja.
A problemática, nesta área, é que um bom número de Diretores e Superintendentes da ED, por não conhecerem exatamente as suas funções, transformam- se em ditadores na ED; há os que vão ao outro extremo, permitindo que cada professor faça o que quer na classe. Por isso, chega a ser o responsável pela má organização de todo o andamento da ED.
Temos falhado ao não planejar o crescimento e as perspectivas de nossa EBD para médio e longo prazo. Desconhecemos a vida pessoal, social e cultural de nossos alunos. Precisamos de instrumentos, questionários e pesquisas constantes de nossos alunos, buscando o crescimento qualitativo de nossa ED.

3°- Pastor:
Em virtude destes problemas mencionados, pesa muito a responsabilidade do Pastor da Igreja. Este não deve descuidar- se da supervisão da ED e das classes.
O Pastor, periodicamente, deve reunir os professores e a direção da ED para estar a par do andamento de cada Departamento.


4°- Literatura:
Várias denominações usavam material e revista publicadas por outras, isto, até a década de 70. Hoje, porém, já é diferente, até as pequenas denominações têm sua própria revista. Porém, temos que reconhecer que ainda precisa ser feito muito nessa área. A necessidade de objetivos definidos nas lições e as aplicações que cada lição deve trazer à vida dos alunos é uma carência.
 Precisamos de livros que sejam facilmente assimilados pelos brasileiros a fim de que possam gostar de ler e terem orgulho os livro.

5°- Pais:
Os pais crentes devem ser exemplos de frequência à ED, no testemunho, na hora devocional no lar, no estudo da revista em casa. Pais que deixam os filhos à porta da Igreja, e vão buscá-los após o encerramento estão desestimulando os filhos à frequência da ED. Não se poderá realizar muito sem o auxílio dos pais.

C. Expansão e Extensão da Escola Dominical:

É natural que uma Escola Dominical tenha alvos de crescimento tanto na sua qualidade como na sua quantidade.
1° passo: desejar melhorar é salutar e o 1° passo.
2° passo: é verificar se há possibilidade para crescer:
·         Em termos quantitativos,- para se pensar em maior número de alunos, precisa levar- se em conta o problema de espaço, de equipamento, de materiais, de obreiros...
·         Em termos qualitativos, - como ter melhores alunos, melhores professores...
3° passo: é saber como melhorar, isto é, como agir. O êxito dependerá de um plano bem elaborado e integrado ao plano global da Igreja.

Precisamos então, responder com precisão às seguintes perguntas:
a)    Os assuntos e temas tratados na EBD estão ao alcance dos alunos?
b)    Para que  classe social está sendo dirigida a propaganda atual da EBD e da Igreja?
c)    Qual a frequência atual dos alunos, novos alunos, alunos desistentes e visitantes?
d)    Existem picos desta frequência?
e)    Que características da EBD chamam a atenção de seus alunos?
f)     Qual a profissão, habilidade ou aptidão de cada aluno?

A expansão da ED envolve os planos de ação que redundarão no aumento da ED no seu próprio local normal de atividades: mais salas, mais alunos nas salas, mais professores envolvidos, maior organização...
Os Ministérios com crianças ajudam na expansão – Escola Bíblica de Férias, Campanhas evangelísticas, Encontros, Culto Infantil...
Os Ministérios com crianças podem ajudar também na Extensão – Classes de cinco dias, Classes de Boas Novas.
A abertura de filiais em outras localidades, trata- se de um desdobramento da ED.




[1] Apostilas: - Curso sobre Escola Bíblica Dominical – APEC- Campo de Bauru
Livros: - Ensinando para transformar vidas – Howard Hendricks – Editora Betânia


CAPÍTULO 1: EDUCAÇÃO CRISTÃ

INTRODUÇÃO 

      Falar sobre Educação Cristã, é pensar na ordenança bíblica, dada por Deus. Isso implica uma visão abrangente e global em relação ao ensino cristão. Não se pode tratar de tal assunto pensando tão somente numa área específica do ensino, na igreja local, atendendo somente a uma certa demanda, mas sim, de forma que atinja a pessoa no seu todo, isto é, em todos os estágios de seu desenvolvimento: intelectual, emocional, espiritual e comportamental. Também não se pode visar tão somente o crescimento individual, mas também o coletivo. Assim, é preciso o envolvimento de todos, seja aprendendo, seja ensinando e isso acontece através do ensino formal e informal. Veremos que a Educação Cristã é um processo contínuo de crescimento a partir do nascimento, ou há quem pense que até antes, até a morte.

1. Definições

      Charlotte Taylor , definiu os termos, Educação, Educação Religiosa e Educação Cristã da seguinte forma:
 *Educação – “É o processo pelo qual uma pessoa se desenvolve nos seus conhecimentos.”
 “o processo pelo qual o homem através de sua capacidade para aprender, adquire experiências que atuam sobre a sua mente e o seu físico” Cotrim, Parisi (1982).
*Educação religiosa – “É o processo pelo qual uma pessoa se desenvolve nos seus conhecimentos religiosos.”
 *Educação Cristã –“ É o processo pelo qual uma pessoa se desenvolve no seu conhecimento de Deus em  Jesus  Cristo .”
  
2.Conceitos De Alguns Autores
a)“...é o ministério de levar o crente a maturidade Cristã em Jesus Cristo”. Perry G. Dows.
b)“...é toda e qualquer prática educativa que considera o ser humano do ponto de vista do Evangelho. Sendo Jesus Cristo o centro do Evangelho será legitimamente cristã a educação que se preocupar seriamente em ser Cristocêntrica, tendo Cristo como referencial e centro de toda teoria e de toda prática”. Inez Augusto Borges.
c)“...é um sistema formal e informal, dentro de um ambiente cristão, que ajuda o crente a desenvolver seus conhecimentos das verdades divinas e a se consagrar ao Senhor.” Rayward Armstrong.
d)“... é um processo deliberado e intencional pelo qual Cristo é formado nas pessoas, visando a transformação, formação e crescimento da pessoa toda e da Igreja toda em todo tempo”. Sherron K. George.

3.Origem

      Robert W. Pazmiño fez a seguinte colocação pensando na atuação da trindade no contexto da Educação Cristã:
  
“ ...Deus criador é o educador do qual emana todo conteúdo da educação; Deus Filho,  como exemplo ou mentor é o modelo, o mestre por excelência e o Espírito Santo como tutor é o conselheiro ou consultor que sustém a vida da comunidade cristã e da sociedade mais ampla(contexto) a fim de cumprir os propósitos de Deus”.


      Tendo em vista ser o homem essencialmente religioso, pois criado por Deus e para Deus “...tendo a lei de Deus escrita em seus corações...” (Gn. 1.27; Ec. 3.11; Rm.2.14,15), sente atração pelo eterno, uma busca por Deus. O pecado deturpou isso mas não eliminou totalmente(Pv.8.36). No decorrer da história, mediante relatos bíblicos, vemos Deus indo ao encontro do homem pecador ( Gn.3.9 ) e providenciando a única solução para o pecado ( Gl.4.4,5;At. 4.12). Após Jesus cumprir Sua missão de Mestre, e Redentor, o Pai envia o Espírito Santo. E Este dá continuidade ao Seu ministério até os nossos dias (João 16.7,813). Portanto, verificamos que a origem da Educação Cristã está na soberana vontade de Deus (Rm. 15.4). Percebemos a ação pedagógica do Deus Trino, atuando de maneira explicita no decorrer da história até os nossos dias.

BASES BÍBLICAS E TEOLÓGICAS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ.

1 -Motivações e objetivo pra o ensino

a)Por quê ensinar?
          A justificativa e a motivação para o ensino na Igreja é esta: é o imperativo dado por Deus ao seu povo (Dt. 6.4-9); também Jesus ordenou a sua Igreja que ensinasse (Mt28.18-20). A obediência a este imperativo, descreve a própria natureza do povo de Deus e de Sua Igreja e indica a tarefa prioritária desta (Ef.4.7-15). Pra este propósito foi que Jesus, o nosso Mestre Supremo, deu exemplo de dedicação ao ensino (Mt.5.1,2). Nós como Igreja do Senhor devemos assumir nossa postura de “agentes formadores”, seguindo o exemplo de Jesus que formou o grupo de discípulos e os treinou para formar outros através do ensino, dando início assim a Sua igreja aqui na terra.

b)Para quê ensinar?
          O objetivo a ser alcançado com o ensino é que se aprenda a vontade de Deus através da Sua Palavra de tal forma que vivam uma intensa e profunda relação com o seu Criador, tornando-se apto a vivenciar os valores do Reino em todas as esferas para a glória de Deus. Segundo a Drª Serron, a finalidade última da Educação Cristã na Igreja é o Reino de Deus. Ela ainda apresenta três esferas onde o Reino se manifesta e finalidades imediatas da Educação Cristã.

1 -“Aperfeiçoamento dos cristãos – Formando cidadãos do Reino, os quais tem como base de suas vidas a Palavra de Deus e portanto os valores do Reino; as qualidades de Cristo estarão evidentes em tais seguidores. Essas qualidades se traduzirão na convivência da comunidade cristã, formal e informalmente resultando em edificação mútua(Cl. 3.16).
2 - A edificação de lares cristãos- Quando se aprende os valores do Reino como princípios inegociáveis; tais valores influenciarão na formação dos lares e no ensino cristão nesse contexto. O Senhor mandou que os pais ensinassem os seus filhos (Dt.6.4-9).
3 - A transformação da sociedade – O resultado de vidas edificadas na Palavra; lares cristãos focados e comprometidos com o ensino e testemunho dos valores do Reino de Deus; é de uma igreja forte, edificada, servindo e atuando na sociedade de maneira autêntica, trazendo-lhe transformação”.

        Concluímos, então que a tarefa da Educação Cristã é bastante ampla e abrangente ela se estende com propósitos e propostas bíblicas nas áreas:

Salvação – Tt 2.11-14 – Formando cidadãos do Reino através da evangelização;
Crescimento – Ef. 4. 11-15 – Ensinando os princípios de vida segundo o Reino;
Serviço – Cl. 1.27-29. Transformando a sociedade, por meio do testemunho de vida 
segundo os valores do Reino.
·          
2. A Educação Cristã Nos Tempos Bíblicos

 O ensino no Velho Testamento

 A)Pentateuco: Educação centrada no lar ( Dt.6.4-7).Os pais eram responsáveis pela educação de seus filhos; a tarefa era de conservação, transmissão e manutenção do legado e herança de fé. Para cumprirem essa tarefa usavam estratégias que os ajudavam a levar seus filhos a compreensão e aceitação da sua fé no Deus único e verdadeiro em que criam.

Os métodos usados:

DIRETIVO: Num primeiro momento, no Pentateuco, a primeira das três partes do A.T., vemos caracterizado o método diretivo do Deus. O conteúdo Programático já está pronto (Gn.2.15-17,3.8,9) .Este método foi usado por Deus com a primeira e a segunda geração;

CONCRETO: Depois disto, as famílias utilizavam de histórias, rituais religiosos, culto com seus símbolos , festas religiosas e ritos dramatizados(Gn.8.18 ,20-22).

         Os Conteúdos eram histórias fundamentais do povo de Israel ( a criação, a chamada de Abraão, o Êxodo, a peregrinação até a terra prometida... ).
       Os processos de ensinos ou as metodologias: De geração em geração o povo de Israel, em família, contavam histórias que explicavam a sua fé (Dt. 26.5-10). Eram narrativas emocionantes do Gênesis e do Êxodo, deixando bem claro que a mão de Deus sempre se faz presente e soberana conduzindo o seu povo. Havia também etapas de perguntas e respostas( Êx.12.26;13.8,14; Dt.6.20,21; Js. 4.6,21). Vemos nos livros de Levítico e Números sendo introduzidas as instruções e raízes cúlticas; comemoravam suas festas religiosas e seus rituais. Em Deuteronômio uma profunda reflexão teológica sobre histórias e leis já conhecidas e uma preparação pedagógica para o novo futuro na terra prometida. Eram metodologias repetitivas de ensino da herança histórica ,das orientações éticas e dos ensinamentos que os judeus transmitiram a seus filhos. A importância vetero-testamentário é mais dialógico do que monológico. A tarefa dada por Deus aos pais foi executada e concretizada, pois se assim não fora não teríamos notícias desse povo nos dias de hoje.

B) Os profetas: A educação agora, desloca-se do lar e é centrada no trono. Torna-se “palaciana”. Os profetas são os pedagogos da própria nação, e tem a tarefa de questionar, examinar criticamente e refletir contextualmente.

Período de transição: Fica claro a ausência de perseverança no processo educacional e no conteúdo programáticos divinos. É relatado no livro de Juízes um período da história do povo de Israel, caracterizado por tumulto, incerteza e tensão. O livro termina com um versículo triste: “Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto” ( Jz 21.25) É um livro de fracasso, derrota e pecado , mas com intervenções divinas, as quais serviram para manter o remanescente de seu povo , por causa da Sua Fidelidade(2 Timóteo 2. 13).

A monarquia é estabelecida: Este período distinto na vida do povo de Israel tinha como base a Palavra do Senhor através da boca do profeta, o rei deveria consultar esta palavra do Senhor (1Reis 22.5,14). O sistema educacional divino era direcionado para o aspecto corretivo, o profeta trazia a Palavra do Senhor através de proclamações muitas vezes dramáticas. Ele anunciava as boas novas do Reino de Deus como também denunciava as práticas incoerentes com os valores desse Reino (2 Samuel 12.1,13-15). A tarefa desafiadora do profeta era para que mantivesse os ensinos tradicionais pertinentes e que promovesse uma nova abordagem educacional, apontando mudanças e transformações. Eles cumpriram o seu papel na manutenção de ensino da Palavra.

C)Os Escribas: Uma classe de mestres profissionais da lei. Eles ensinavam a lei de Moisés ao povo, chamados homens das sagradas letras. Sua tarefa era de juntar, copiar, preservar e interpretar a lei.  Nesse período aparece a figura de Esdras, um dos primeiros doutores da lei Ele tinha um ministério de ensino persistente (Ed. 7.10). Esdras não era um pregador, mas um professor, lia e explicava as Escrituras ao povo. Vemos também, o surgimento das Sinagogas, temos aí o a intensificação do ensino formal, a sinagoga é a escola, a lei mosaica seu texto.

D)Os Escritos: Enquanto as perguntas nos livros da lei são mais objetivas, nos Escritos, ela aparecem com um caráter mais subjetivos e existenciais, sendo que as respostas são fáceis e claras, há um processo aberto, no sentido de envolver todos os aspectos e da experiência no mundo:

Jó e Eclesiastes – Um longo processo de reflexão introspectiva e emotiva e de diálogo com os outros e com Deus.
Provérbios – Dirigido a todas as faixas etárias, abordando uma gama enorme de assuntos eminentemente atuais e práticos.
Salmos – Os Salmos são a expressão da resposta humana a iniciativa divina. Estão neles todo conteúdo da fé vivenciada de Israel expressada artisticamente através de acrósticos, poemas, canções de lamento ou louvor, hinos. Tudo para em culto confirmar a aliança de Deus com seu povo.

      Concluímos portanto, que no AT encontramos um ensino de raízes profundamente bíblicas. Em si é um instrumento pedagógico que nos leva a uma revisão profunda e significativa quanto ao nosso proceder pedagógico, que nos é útil para termos um ensino verdadeiramente bíblico e dinâmico.

O Ensino no Novo Testamento

 A) O modelo de Mestre: O modelo perfeito do Mestre é visto em Jesus. “Ele se pôs a ensiná-los dizendo...”(Mt.5.2). J.M.Price, diz:

“Nos Evangelhos, Jesus é chamado mestre não menos de quarenta e cinco vezes, ...fala-se em Jesus ensinando, quarenta e cinco vezes, e onze apenas pregando, e, assim mesmo, pregando ensinando” e mais “Toda obra de Jesus estava envolta em atmosfera didática.” “O professor deve ter entusiasmo, paixão, deve vibrar com as conquistas do educando. Jesus foi o melhor modelo de mestre, todos queriam aprender com ele: olhos arregalados, ouvidos atentos, Jesus seduzia, enamorava. Teve autoridade sem ser autoritário. Conquistava a multidão que permanecia com ele, olhava nos olhos, chamava pelo nome, conhecia as fraquezas e respeitava a história de vida de cada um. Ninguém era obrigado a seguir Jesus, o seguiam porquê ele os encantava, amava e permitia ser amado.” Jesus“... fez do ensino o agente principal da redenção”.

B)Os Evangelhos: Os chamados livros Sinóticos, apresentam Jesus, o Mestre por excelência, conhecido como Rabi, que significa instrutor ou professor. Realmente, o Mestre Jesus, foi o Professor dos professores, um referencial para todos que desejam se dedicar ao ensino. Ele ensinou as multidões e treinou os discípulos para ensinar. Tinha convicção da sua tarefa de ensinar (Jo.13.13). E foi reconhecido como tal, por mestres da época como também por pessoas comuns do próprio povo (Jo.3.2; Mt.19.16; Mc.5.35;). Havia coerência no que ensinava e vivia. Sua autoridade vinha do seu exemplo (Jo.13.5,14,15;15.17). Precisamos, hoje, de professores que sejam imitadores de Jesus, que sigam o seu exemplo no ensino e nas atitudes. Só assim teremos um ensino verdadeiramente eficaz.

C)O Ensino Apostólico: A palavra chave para o ensino no contexto do livro de Atos dos apóstolos é “continuidade “. Nesse livro, encontramos, os apóstolos, aqueles que andaram com o Mestre, aprenderam dEle pessoalmente, formando agora uma igreja comprometida com o ensino da Palavra e com a sociedade. Pregavam as boas novas do Reino de Deus, atendiam ás necessidades do povo e também ensinavam. Eram pessoas qualificadas que tiveram suas vidas transformadas por Jesus e dele mesmo receberam o chamado para serem seus seguidores. Foram obedientes a esse chamado tornando-se seus seguidores. Treinados por Ele, estavam aptos agora a ensinarem a outros. Este foi um processo contínuo que não se encerrou no livro de Atos. A igreja primitiva tornou-se uma instituição modelo até os nossos dias.

D)O Ensino Paulino: O apóstolo Paulo foi também um dos responsáveis pela continuidade desse processo. Dedicou-se ao ensino, seguindo o modelo de Jesus. Procurou viver o que ensinou, tanto que tinha autoridade pra dizer: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.” (1 Cor. 11.1). Através das cartas é revelado o seu papel importante com o ensino doutrinário, sua preocupação em treinar liderança (2Tim. 2.2), e a questão imprescindível de um “estilo cristão de conduta” segundo os valores do Reino.
  
A EDUCAÇÃO CRISTÃ NA HISTÓRIA DA IGREJA.
  
1- Era Do Crescimento (33-311 D.C.)
        Durante os dois primeiros séculos a igreja continuou a ensinar bem o seu povo (Atos 2.42, 5.42). Porém, do terceiro século em diante, a igreja cristã cresceu muito e o ensino cristão, não acompanhou tal crescimento, e o resultado foi que milhares de cristãos eram batizados sem a instrução necessária para tal, trazendo grandes prejuízos para a vida da igreja.

2-Era Medieval (311-1500 D.C.).
        No início da idade média, o a religião cristã dominava quase que absoluta sobre todas as outras e por interesses obscuros tornou-se a religião oficial do Império e por ele privilegiada. O ensino muito cedo foi centralizado na autoridade do bispo, e, de maneira especial, do bispo de Roma. Muitas práticas estranhas entraram nas igrejas porque não havia o ensino das verdades bíblicas para o povo.

 3- Era Dos Reformadores
         No século VI, um grupo de líderes cristãos reconheceu a necessidade de uma reforma na Igreja com a finalidade de corrigir os erros e instruir o povo na fé. Assim com a Reforma, a Educação Cristã voltou a ter lugar de importância na igreja. Dois grandes líderes da Reforma foram Martinho Lutero na Alemanha, e João Calvino na França. Martinho Lutero entendia que era necessário que cada cristão tivesse a Bíblia na sua própria língua pra poder ler as Escrituras por si mesmo. Ele traduziu o primeiro Novo Testamento e depois o Velho Testamento na língua do povo da Alemanha. Encorajando assim todos os cristãos a lerem e estudarem as Escrituras. Preparou catecismos para auxiliar o povo no estudo das Escrituras.
         Nos séculos antes da Reforma, a Educação Cristã nos lares tinha quase desaparecido porque os pais não sabiam como instruir seus filhos em casa. Lutero encorajou os pastores a oferecerem aulas especiais para os pais para que pudessem ensinar seus filhos em casa.
        Calvino reconhecia a necessidade de preparar bem líderes cristãos, para instruírem o povo. Assim fundou em Genebra uma faculdade Evangélica de Teologia. Outra grande contribuição para a formação de líderes e pastores foram os comentários sobre quase todos os livros da Bíblia. A influência da Reforma foi levada da Europa a América do Norte e de lá para o Brasil.
        O século XVII testemunhou grandes contribuições dos cristãos reformados para a educação, como vemos no livro A Igreja Discipuladora do autor Cláudio Marra:
  
[...]Comenius, um pastor Morávio, tinha apenas um alvo na vida, que era “promover a Glória de Deus. Torna-se evidente também que ele via a educação cristã como sendo o meio mais excelente para a glorificação de Deus pela vida humana”. Ele cria que a responsabilidade de cuidar da juventude pertence naturalmente aos pais, mas que era igualmente necessário que todos os jovens fossem instruídos em conjunto, nas escolas, onde tudo deveria ser ensinado a todos. As ideias de Comenius foram impressionantes para o seu tempo, e os professores, ainda hoje, deveriam considerá-las. Ele ensinava, por exemplo, que bem instruir a juventude não significa encher-lhe a mente com muitas “palavras, frase, sentenças, opiniões de autores; mas, ao contrário, desenvolver a compreensão das coisas”. Sua influência não ficou restrita ao seu tempo, mas alcançou muitos educadores em torno do mundo e ao longo dos séculos, desde a sua morte.[1]


         À semelhança de Comenius[2], os puritanos mostraram uma grande preocupação com a situação espiritual da Igreja nacional, por isso, instruiam o povo a buscarem nas Escrituras, pois é através dela que o crescimento espiritual é possível. Vejamos:


Por essa razão a Bíblia não apenas ocupava lugar central no currículo puritano, mas também o modelo adotado por eles para avaliar as outras disciplinas. E em um tempo que tanto valorizava a Escritura, Richard Baxter (1615-1691) foi o puritano que mais se destacou na tarefa de ensiná-la aos seus paroquianos, esforçando-se para fazer deles discípulos de Cristo. “Sua realização em Kidderminster foi impressionante. A Inglaterra não vira antes um ministério igual.” Seu sucesso em Kidderminster tem sido usualmente associado ao seu método de catequese, porém, a catequese propriamente, embora de fato notável pelo alcance e regularidade, fazia parte de uma ampla e consistente estratégia de discipulado, que incluía encontros de grupos pequenos durante a semana e fiel pregação da Palavra aos domingos e quintas, tudo acompanhado de zelosa ministração de disciplina eclesiástica e de assistência aos necessitados.


[1]MARRA, Claúdio A.B. A Igreja Discipuladora.São Paulo: Cultura Cristã, 2007.p.21,22.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Lidando com crianças antes, durante e depois do culto.

por Ivonete Silva Porto.( extraíodo Blog https://vamosadorarjuntos.wordpress.com/2017/10/23/lugar-de-crianca-e-no-culto/)

O culto acabara de começar, mas Mariana, de três anos, estava inquieta. A mãe confusa não sabia o que fazer. Se “prendesse” a menina no colo, ela chorava; se a deixasse solta, ela corria por todo o ambiente. Sônia até pensava em não trazer mais Mariana para os cultos, já que, em sua opinião, ela não entendia nada e ainda atrapalhava as outras pessoas.
Situações como essas são muito comuns. Não sou mãe, ainda não passo por isso, mas tenho acompanhado as crianças na igreja e lidado com pais que, domingo após domingo, lidam com esse tipo de drama. Como agir em situações assim? A Escritura é nossa fonte de autoridade e, com base em seus princípios, eis algumas dicas que podem ajudá-lo a entender a importância da participação da criança no culto e nas atividades da igreja.
Primeiramente, entenda que a criança é parte do corpo de Cristo. Em algumas denominações ela é considerada até membro da igreja, ainda que não participe da ceia (membro não comungante). A Bíblia ordena que cerimônias próprias do povo de Deus sejam feitas diante das crianças, e sejam aproveitadas como instrumento de ensino (Êx 12.24-27). Então, de início, já está descartada essa possibilidade de não levá-la, mesmo que ela ainda não tenha compreensão total de algumas dessas verdades.
Há algumas medidas que podem ser tomadas antes, durante e depois do culto ou atividade na igreja.

Antes

Antes de sair, você pode se programar para conversar com seu filho, ou fazer isso enquanto se vestem. Mesmo que ele seja um bebezinho, você pode repetir frases como: “Vamos levar o bebê para a igreja, para adorar a Deus.”
Se ele já for maior, explique para ele que na igreja a gente agradece a Deus, junto com outras pessoas, por tudo que ele é e faz. Se ele já souber ler, você pode ler um texto falando sobre a importância da comunhão. Nessas fases já dá para explicar que não vai ser possível ficar levantando toda hora para ir ao banheiro ou beber água, que devemos fazer silêncio na hora em que o pastor estiver falando, etc.
Assim, a criança já vai preparada para o culto. É provável que, ao chegar na igreja, você tenha de repetir novamente algumas dessas orientações. Criar filhos é um trabalho de paciência e dedicação.
(Nota do editor: Outra boa maneira de preparar as crianças é a realização regular do culto em casa. Com o tempo, mesmos os mais novos percebem que estão participando de uma versão maior do culto familiar ao entrarem no salão da igreja e, se foram ensinados a comportarem-se, farão o mesmo no culto público)

Durante

Tente chegar à igreja um pouco mais cedo. Às vezes é difícil, mas o ideal é que você leve seu filho para beber água e ir no banheiro, antes do culto. Ao criar esse hábito saudável, seu filho pode reproduzí-lo por toda vida.
O ideal é que a criança participe do culto adulto em qualquer idade, e que no culto tenha cânticos e uma palavra voltada para ela. Mas, algumas igrejas optam por ter uma programação separada. Em qualquer uma das realidades, o fato é que em algum momento surgirá o grande desafio de permanecer com o seu filho no meio dos adultos.
Deixe-o sempre perto. Dependendo da idade, ele vai pedir para sentar com os coleguinhas. Evite. Sentado com você é mais fácil controlá-lo: pedir pra fazer silêncio, cuidar para que ele não corra, etc.
Se for pequenininho e chorar, enquanto o segura em seus braços, seja firme. Não o tire imediatamente do local. Muitas crianças, mesmo as mais fofinhas, usam o choro como manipulação. Sabem: “Se eu chorar, me tirarão daqui”. E quando você sai, faz exatamente o que ele queria.
Muitas vezes, as mães ficam embaraçadas, pois alguns irmãos começam a olhar esquisito. Entenda que o choro do seu filho também é pedagógico para esses irmãos, eles precisam aprender que a igreja é um corpo e que as crianças fazem parte dele. Precisamos de paciência, amor e compreensão para viver como corpo. Quando o choro de uma criança incomoda o nosso conforto é que precisamos demonstrar essas virtudes.
Não há problema em levar papéis, lápis ou um brinquedo silencioso, quando seu filho for pequeno. Conheço caso de crianças entre 4 e 5 anos, que mesmo brincando ou desenhando perto dos pais, perguntavam depois sobre coisas que o pastor havia falado na pregação. Pensamos que a criança não está prestando atenção, ou que não entende, porque ela não capta como um adulto a totalidade do culto, mas isso não significa que não absorva nada.
Se o seu filho já souber ler, é muito importante que ele participe do culto inteiro, junto com os adultos! Auxilie-o a achar os textos bíblicos e a prestar atenção nas letras dos cânticos e hinos.
Muitos pais dão ofertas para que os filhos depositem no gazofilácio no momento do ofertório. Isso é muito saudável. Você pode também conversar com seu filho sobre o significado dos atos do culto. Geralmente as crianças tem muitas dúvidas sobre a ceia, sobre o batismo. Explicar cada um desses itens, o ajudará a entender mais a necessidade de reverência e a importância da adoração.

Depois

Após o culto, ensine seu filho a cumprimentar as pessoas, a conversar. Muitos pais saem logo que termina a programação. Os momentos após o culto solene são de estreitamento de laços. Os adultos ficam conversando e geralmente as crianças ficam brincando. Esse é um dos poucos momentos livres que o seu filho tem para consolidar as amizades cristãs, com outras crianças da igreja.
Aqui é necessário equilíbrio. Fique, mas não fique tempo demais. O seu filho precisa aprender a amar a igreja, mas se ele passa muito tempo lá, a ponto de ficar irritadiço, querendo ir pra casa, não é legal. Esse é um conselho especial para pastores. Não deixem seus filhos com fome durante horas após o culto ou EBD, por causa de reuniões e outras tarefas, principalmente se forem muito pequenos, ou se não tiverem como ir pra casa a não ser com você.
Em casa, procure conversar com seu filho sobre o culto: “Como foi o culto, filho? Você lembra do que o pastor disse?”. Se ele já for maior você pode explorar bem esse momento perguntando: “Teve alguma palavra que o pastor falou que você não entendeu? Qual cântico que você mais gostou de cantar hoje?”. Penso que esse é o tipo de momento que pode permanecer na família para sempre, compartilhar do que Deus falou no culto, e de como podemos responder diante disso.
Por fim, evite falar mal do culto, ou da igreja na frente do seu filho. Ensine-o desde criança que vamos a igreja prestar, e não assistir, um culto. Deus deve ser o centro e não nossos gostos pessoais ou a maneira como nos sentimos.
Sei que essa não é uma tarefa fácil. Mas você precisa entender que, ao lhe dar um filho, Deus lhe deu uma vocação especial, de pai ou de mãe. O mesmo Deus que providenciou a salvação em Cristo Jesus, providenciará também todos os recursos necessários para criarmos nossos filhos a fim de glorificá-lo. E Ele providencia perdão também, quando somos omissos, preguiçosos ou impacientes na educação dos nossos pequenos.
Coloque diante dele suas dificuldades e seus pecados e agradeça por fazermos parte do corpo de Cristo e podermos cultuá-lo, independente da nossa idade.
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