quarta-feira, 6 de julho de 2016

CAPÍTULO 1: ... Eu procuraria ser mais disciplinado no cultivo da minha própria vida espiritual

(DRESCHER, John M. Se eu começasse meu Ministério de novo. Traduzido por Rubens Castilho. São Paulo:Editora Cristã Unida, 1997. 99p.)


Depois [Jesus] subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele. Então designou doze—[os quais constituiu apóstolos]—para estarem com ele e para os enviar a pregar, e a exercer a autoridade de expelir demônios” (Marcos 3.13-15).

      Esta experiência de estar “com Cristo” e praticar sua presença para o desenvolvimento de minha vida interior não foi suficientemente ressaltada durante minha preparação teológica. Apenas um ou dois professores me deram a impressão de que tinham uma vida devocional profunda, uma intimidade com Cristo que me deixaram a sensação de terem vindo da presença do Senhor, ou de terem uma vida de oração tão vibrante e vital que a traziam para dentro da sala de aula.
      Decidi-me pelo ministério com um claro sentido de vocação e excitação para ser ministro de Cristo e da igreja. Entretanto, levei algum tempo para aprender que o fruto é produzido somente com
base num novo crescimento e que a Palavra que tenho de comunicar deve primeiro tomar-se carne em mim. Ficou claro para mim que Deus precisava produzir seu trabalho por meu intermédio.
      Não passou muito tempo de pastorado para que eu compreendesse que precisava alimentar minha própria vida espiritual. Precisava nutrir minh’alma e conhecer o poder que deriva do ato de estar na presença de Cristo e de sua Palavra, em solidão, meditação, jejum e orações, se tivesse de realizar um
trabalho espiritual e eterno, e se tivesse de satisfazer às profundas carências e clamores de pessoas que encontrava diariamente.
      James N. McCutcheon afirma que um olhar de relance na vida pessoal de Jesus “proporciona pelo menos três impressões da prática habitual de nosso Senhor que fala diretamente à vida devocional do ministro. Ele escolhia um momento e um lugar onde possivelmente não fosse interrompido. Ele não permitia que mesmo os que estavam mais próximos dele o importunassem no momento de oração. Não obstante, sua vida devocional estava sempre ameaçada e invadida pelas necessidades que o cercavam.”
      À medida que aprofundamos nosso relacionamento com Deus, nosso relacionamento com os outros também se aprofundam.
      David J. Bosch resume a diferenciação apresentada por Lesslie Newbigin a respeito do “Modelo ‘Peregrino” e do “Modelo Jonas” na vida espiritual. O peregrino sentiu a necessidade de fugir da “cidade pecaminosa”. Jonas teve de entrar na cidade, com todo o pecado e corrupção que nela havia. Bosch conclui: “Os dois eram absolutamente indivisíveis. O envolvimento neste mundo deve conduzir a um aprofundamento de nossa relação com Deus e nossa dependência dele, e o aprofundamento de nossa relação com Ele leva-nos ao crescente envolvimento com o mundo.”
      Na realidade, precisamos ser chamados, separados do mundo, antes de ser enviados a ministrar. 
    Um Jovem pastor escreveu-me dizendo que tinha se perturbado e que me criticou publicamente alguns anos antes numa reunião de ministros pelo fato de eu enfatizar em demasia o cultivo e a disciplina da vida interior. Ele achava que deveríamos nos ocupar mais do trabalho da igreja. 
     Eu não me recordava do incidente. Agora, confessou ele, após alguns anos no ministério, percebeu seu vazio interior e quão essencial é recorrer à fonte do poder e do serviço espiritual. Ao cultivar sua própria vida espiritual, todo um novo mundo espiritual e um novo trabalho começaram a desenrolar-se diante dele.
      Embora os recursos verbais, as aptidões para a boa administração, uma pregação atraente, e um método de visitação agradável possam sustentar um ministro por algum tempo, logo sua integridade moral estará em jogo, se ele estiver falando ou procurando ministrar além de sua própria profundidade ou desempenho espiritual.

A Vida Permanecente

      Em João 15 Jesus nos diz, por duas vezes, que, se não permanecermos nele e Ele não permanecer em nós, nenhum fruto espiritual de valor eterno produziremos. Nenhum? A carne, no
entanto, sente que podemos, através de exercícios, educação, dons, trabalho extenuante, e outras qualidades pessoais, realizar uma obra espiritual. Jesus afirma que não.
      A menos que nos entreguemos franca e diariamente à Escritura, à meditação e à oração, em pouco tempo estaremos procurando nossa própria identidade espiritual. Teremos menos fé e confiança, e teremos um discernimento decrescente da realidade espiritual. Sem a permanência diária em Cristo, estaremos sujeitos à influência paralisante do secular e do material, e dedicaremos nosso tempo a coisas secundárias—o mecanismo da organização, os ofícios da igreja, o corre-corre da comunidade, fazendo em suma coisas que podem ser todas explanadas em termos naturais.
      A menos que creiamos, de todo o nosso coração, no que Jesus disse:—“sem mim nada podeis fazer”—continuaremos a funcionar no nível natural, obtendo somente o que um ser natural, inteligente
e educado pode realizar. Participamos de seminários atrás de seminários com o propósito de aprimorar nossas aptidões, mas dedicamos pouco tempo ao recolhimento e à oração para que Deus modele as nossas inclinações.
      O tempo a sós com Deus ajusta o enfoque de nossas prioridades e alarga nossa percepção para recebermos sua presença e seu poder. A intimidade da nossa vida com Cristo proporciona a medida de nosso poder espiritual para com Deus.
      G. Byron Deshler escreve em For Preachers Only (Somente para Pregadores): “Encerrado o culto da manhã de domingo em meu primeiro pastorado, um jovem leigo me disse: ‘Byron, você deve ter dedicado muito mais tempo com Deus durante a semana.’ Sua observação me sacudiu. Eu tinha, realmente, consagrado mais tempo na semana anterior à oração e meditação do que fazia habitualmente. Não me ocorreu que meus ouvintes pudessem perceber se eu havia ou não passado mais tempo com Deus. Se alguma qualidade em minha prédica denunciou que o sermão se desenvolveu em comunhão com Deus, segue-se que a ausência dessa comunhão indicaria também algo a respeito de minha vida de oração.”
      “Aquietai-vos e sabei”, diz a Escritura—que há um conhecimento de Deus e da obra de Deus que vem unicamente pela comunhão com Ele, até o ponto de sentirmos o próprio sopro de Deus em nossa vida e em nosso trabalho.
      O que exponho não é meramente um ofício técnico ou religioso. Ele deve ser resultado da comunhão com Cristo. Deus é o “que trabalha para aquele que nele espera” (Isaías 64.4).

Prioridades Pessoais

     Com o objetivo de autodisciplinar-me, encontrei um grande auxílio ao decidir estabelecer certas prioridades específicas.
  • Primeira Prioridade: Comprometi-me a ler a Palavra dé Deus diariamente, antes de ler qualquer outra coisa. Antes de tomar o alimento natural, é agradável receber o alimento para a alma e satisfazer minha fome de Deus e da vontade de Deus. Esta prioridade levou-me a levantar cedo, dividir o Novo Testamento em trinta partes, de modo que ele possa ser lido no período de um mês. Faço isto em meses alternados, e no mês intermediário leio uma boa parte do Velho Testamento. Preciso desta disciplina, que tem sido uma prática tão necessária à minha vida como apropriar-me do alimento natural de cada dia.
  • Segunda Prioridade: Assumi o compromisso de falar com Deus a cada manhã, antes de falar com qualquer outra pessoa. Além de ser um momento de louvor e ações de graças, em que procuro meditar sobre o caráter de Deus e seus dons, percebo que uma lista de orações é muito útil para mim. Algumas orações,petições e nomes de pessoas na lista são ocasionais ou por algum tempo, enquanto outras figuram na lista por muito tempo. Há pessoas por quem oro diariamente há muitos anos. Há outras que são mencionadas nas orações por um tempo mais curto ou mesmo por um período predeterminado.
      Algumas pessoas têm-me perguntado o que acontece se, por alguma razão, eu preciso atender a uma chamada telefônica ou falar com alguém antes de minha leitura ou oração matinal. Minha resposta tem sido que de modo algum isso quebra meu compromisso. Um trabalhador tem o compromisso de estar no emprego todos os dias úteis até uma certa hora. Quando surge uma emergência, ele não diz: “O compromisso foi quebrado, portanto creio que não preciso mais chegar ao trabalho regularmente no horário fixado.” Tampouco uma emergência ou interrupção, que aliás tem ocorrido muito raramente durante anos, vai desobrigar-me do compromisso de ler a Escritura e orar.
      Intimamente ligado a estas duas primeiras prioridades está o diário pessoal. Embora não seja necessariamente um exercício diário, registrar minhas reflexões, preces, idéias e aspirações é

de importância vital para mim.
  • Terceira Prioridade: Tenho o compromisso de jejuar pelo menos uma refeição por semana e, periodicamente, por tempo mais longo. Jesus usa as expressões “quando vocês orarem” “quando vocês derem esmola”, admitindo que seus seguidores orem e dêem esmola. Ele não modifica sua recomendação para “se vocês jejuarem”. Ele diz “quando vocês jejuarem”, admitindo que seus seguidores jejuem. João Wesley não ordenava um ministro que não jejuasse pelo menos duas vezes por semana, e declarava que todos os metodistas deviam jejuar cada semana. Toda a ocasião de reavivamento espiritual envolve também o reavivamento na prática do jejum.
      Jejuar com propósito espiritual dá-me um sentido maior de dependência de Deus em tudo o que diz respeito à vida e ao ministério, uma sensibilidade maior para com o Espírito Santo e a Palavra, e uma conscientização maior da presença e da bênção de Deus em tudo na vida. É também um grande auxílio para enfrentar as tentações da carne e do espírito.
      Em seu livro The Spirit o f the Disciplines (O Espírito das Disciplinas), Dallas Willard escreve: “A disciplina nos ensina rapidamente muito sobre nós mesmos. Ela certamente prova ser humilhante para nós a revelação do quanto nossa paz depende dos prazeres da comida. Ela pode também trazer-nos à mente o modo como usamos o prazer do alimento para amenizar os desconfortos causados em nosso corpo pela forma de vida e atitudes infiéis e insensatas—falta de autovalorização, trabalho inexpressivo, existência sem propósito, ou falta de descanso ou exercício. Se nada mais houver, entretanto, ela por certo demonstra quão poderoso e engenhoso é o nosso corpo em prover seus próprios meios contra nossas decisões mais fortes.”

  • Quarta Prioridade: Procuro ler todos os dias um capítulo de algum livro valioso, além de me dedicar a leituras requeridas usualmente para a preparação de sermões e outros trabalhos da igreja. Procuro livros variados, entre os velhos clássicos e os mais recentes. Raramente leio um best-seller no primeiro ano, mas, se o livro for best-seller no segundo e no terceiro ano, ele provavelmente valerá meu tempo.
      “Fazer escolhas inteligentes a respeito do que ler é um ato de mordomia responsável”, afirma Thomas R. Swears. “Uma norma de procedimento para a tomada de decisões é manter um programa
de leitura equilibrado. Esse equilíbrio ajuda a evitar que o pastor tenha um enfoque muito estreito no uso de idéias para o aconselhamento, ensino ou pregação. As idéias ou imagens que suprem o pensamento e a linguagem de um pastor devem ter bastante diversidade para capacitá-lo a manifestar-se apropriadamente diante de uma ampla variedade de necessidades humanas.”
      Sim, se eu estivesse começando meu ministério de novo, começaria aqui—o aprofundamento da minha própria vida espiritual, tendo como prioridades básicas as disciplinas acima. Gostaria que alguém me tivesse sugerido tal enfoque no início do meu ministério.

“Quem Dizem as Pessoas Que Eu Sou?”

     O inglês Leslie Weatherhead estava certa vez escalado para falar a um grupo de ministros de Manhattan, Nova Iorque. Seu navio atrasou-se por causa da neblina e os ministros tiveram de esperar algumas horas. Quando o Dr. Weatherhead chegou, foi logo dizendo: “Vocês esperaram tanto tempo e eu vim de tão longe para fazer-lhes uma simples pergunta: Vocês conhecem Jesus Cristo?” 
      Num primeiro impacto, esta parece uma pergunta estranha dirigida a um grupo de ministros. No entanto, é por aqui que temos de começar, se pretendemos ministrar em nome de Cristo. Eis aqui o que as pessoas estão esperando conhecer. E aqueles a quem ministramos são capazes de perceber se conhecemos Jesus pessoalmente e se viemos de sua presença.
      A primeira das sete declarações feitas aos pastores no livro de Jeremias é uma queixa: “Os sacerdotes não disseram: ‘Onde está o Senhor?’ e os que tratavam da lei não me conheceram” (Jeremias 2.8). O resultado foi que o povo cometeu dois males: deixaram o Senhor, “o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (Jeremias. 2.13).

As Primeiras Coisas Primeiro

Antes de se atribuir uma incumbência, deve haver o companheirismo.
Devemos aprender a conhecer Cristo antes de podermos anunciá-lo.
Devemos ter comunhão para que possamos comunicar.
Devemos ser ministrados antes de podermos ministrar.
Devemos ser disciplinados para que possamos disciplinar.
Devemos amar nosso Senhor antes de podermos trabalhar para Ele.
Devemos adorar Cristo antes que possamos adornar sua doutrina.
Devemos ver a glória de Deus antes de podermos falar dela.
Devemos esperar pela visão antes que possamos compartilhá-la.
Devemos aguardar para podermos ensinar.
Devemos adorar antes que possamos realizar um trabalho espiritual.
Devemos buscar a Cristo antes de podermos falar sobre Ele.
Devemos permanecer em Cristo antes de podermos produzir frutos que permanecem.
Devemos praticar a presença de Cristo antes que possamos pregar sobre sua pessoa.
Devemos meditar antes de podermos mediar.
O segredo do serviço eficaz é buscar Cristo em segredo.
Então ouviremos seu sussurro acima das palavras do mundo.
Então ouviremos seu chamado acima dos clamores da multidão.
Então sentiremos seu contato acima do contato da crítica.
Então conheceremos o amor de Deus acima do amor do eu e das coisas.
Então conheceremos o poder de Deus acima do poder do Maligno.
Então ouviremos a mensagem de Deus acima dos murmúrios da mensagem do mundo.
Então veremos o senhorio de Cristo acima de nossa posição, prestígio ou prazer.
Então viveremos uma vida que não pode ser descrita em termos comuns.

A Disciplina para Renovação
        
      Finalmente, nas palavras de Suzanne Johnson, “a questão de se entregar a qualquer prática de disciplina espiritual é a questão da adequabilidade. As disciplinas espirituais autenticam a vida cristã quando implantam em nós a compaixão, sensibilizam-nos para aquilo que Deus está fazendo no mundo, impelem-nos a abraçar o estranho, inspira em nós a sincera afeição por Deus e pelo próximo, cria em nós a capacidade de nos doarmos em amor e leva-nos ao autêntico amor próprio. Se a disciplina espiritual não nos tornar abertos às qualidades de caráter, estaremos provavelmente praticando uma falsa espiritualidade.”
      Estou certo de que muitas frustrações que atingem os pastores decorrem da falta de disciplina.Não somente podem a vida devocional costumeira e o estudo sério da Bíblia ser marginalizados, mas os dias podem ser malbaratados, desfazendo-se em insignificâncias.
      Sem um padrão e disciplina de meditação e oração, estudo, preparação de sermão, visitação e relaxamento físico e mental o ministro pouco realiza e toma-se superficial e moroso. Procuro lembrar-me continuamente de que, quando a Escritura fala sobre a vocação do ministro, compara sua disciplina à inflexível preparação de um atleta (1 Timóteo 4.6-10), ao livre compromisso assumido por um soldado (2 Timóteo 2.1-7), e ao servo de Cristo desenvergonhado e fiel (2 Timóteo 2.14-19).
      “Deus tem favoritos?” perguntou um ministro frustrado a um bispo idoso.
      “Não!” respondeu o bispo. “Mas Ele tem amigos íntimos.”

PREFÁCIO: Se eu começasse meu ministério de novo...

(DRESCHER, John M. Se eu começasse meu Ministério de novo. Traduzido por Rubens Castilho. São Paulo:Editora Cristã Unida, 1997. 99p.)


      Por vários anos, especialmente os pastores mais jovens, e também aqueles que se preparam para o ministério, me incentivaram a escrever Se Eu Começasse Meu Ministério de Novo. Não há dúvida de que este título foi sugerido pelos meus dois livros anteriores, Se Eu Começasse Minha Família de Novo (Editora Cristã Unida) e Se Nós Começássemos Nosso Casamento de Novo (edição brasileira tem o título Começar de Novo, Editora Mundo Cristão).
       O que se segue resultou também de minha própria busca e necessidade. Aqui estão apontamentos sobre o que me parece importante quando me ponho a considerar onde deveria colocar
a ênfase, se tivesse de começar meu ministério de novo. Eles também abordam pontos que eu teria desejado que alguém compartilhasse comigo quando iniciei meu ministério. Talvez eles tenham sido compartilhados numa extensão maior do que imagino agora. Muitas coisas não são aplicáveis até que se chegue a situações relevantes na vida.
       Tenho servido como pastor em três congregações, como bispo ou supervisor de congregações em três diferentes jurisdições, ecomo professor de seminário durante uma década. Atuei também
como editor de uma revista semanal de uma denominação por aproximadamente doze anos. Além disso, tem sido para mim um privilégio falar a centenas de congregações e grupos de ministros
que ultrapassam as linhas denominacionais—católicas e protestantes—e em tais contatos os ministros têm perguntado:“O que você faria se estivesse começando de novo?”
       Por experiência, sei que há fases desfavoráveis no ministério. Depois de vários anos, um ministro pode experimentar uma depressão que chega a pôr à prova seu chamado e compromisso. O entusiasmo de entrar no ministério pode dissipar-se quando não vemos concretizar-se o grande crescimento que esperávamos ou porque não alcançamos nossas metas. Na meia-idade, quando a família deslancha e outras responsabilidades se tomam pesado ônus, o ministro tende a ficar desanimado ou pensa em pastos mais verdes. A meia-idade é uma crise em que buscamos novamente nossa identidade e fazemos perguntas sobre o restante da nossa vida. É um grande momento para tomar um rumo mais reanimador e retomar aos fundamentos.
         William Nelson, em Ministry Formation for Effective Leadership (Formação Ministerial para Liderança Eficaz), leva-nos a retomar a alguns desses fundamentos. “Que impulso motivou sua vocação cristã? Qual é a meta que orienta sua formação para o ministério neste momento? É uma dedicação ao estudo da Bíblia, da história da igreja, ou da teologia cristã, para que se tome um professor mais eficiente? É uma paixão pela reforma da estrutura que controla nossa sociedade, de modo a tomá-la possível para que todas as pessoas se tomem verdadeiramente humanas? E um desejo de edificar o Corpo de Cristo como uma comunidade reconciliadora da fé, objetivando a evangelização do mundo? A capacidade crítica para a auto-reflexão o ajudará a articular as metas que pretende estabelecer para tomar-se um líder pastoral eficaz.”
         As oportunidades e alegrias a mim proporcionadas no ministério cristão foram além das minhas expectativas. É certo que, no curso de todo o trabalho, houve tempos difíceis. Porém o ministério cristão, para mim, foi entremeado de desafios e altamente satisfatório. Nenhum outro ofício abrange todos os níveis da existência, do nascimento até à morte. Nenhum outro trabalho absorve com mais intensidade os profundos sofrimentos e as supremas alegrias da vida. Nenhum outro serviço compartilha mais plenamente os tropeços e os sucessos das pessoas.
        Apesar das fraquezas e falhas da igreja, ela ainda se constitui num grupo que demonstra neste mundo o maior amor, sacrifício e abnegação. E mesmo aqueles que não reconhecem a pessoa de Cristo usufruem as bênçãos e benefícios do espírito e impacto da ação cristã.
          Em face disto, como alguém que já se encontra na quinta década de seu ministério, permito-me expor algumas coisas que resultaram em grandes bênçãos, falar de alguns pontos que deveriam ser fortalecidos, bem como comentar sobre alguns atos ministeriais que eu faria de modo diferente, caso me fosse possível realizá-los de novo.
           O que pretendo apresentar não se propõe a ser uma resposta para cada ministro. Cada um deles deve buscar e apreender o que Deus lhe está dizendo, onde se situa sua própria vocação, como
ela ocorreu. Uma pessoa não pode fazer todas as coisas, por isso cada um deve, sob a direção divina, ser e fazer o que o chamado de Deus lhe impõe, e descobrir os pontos fortes e fracos, procurando, em ambos os casos, a bênção de Deus.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

3º Domingo de Setembro: "Dia da Escola Bíblica Dominical"



COMEMORANDO O DIA DA ESCOLA DOMINICAL
SÍNTESE HISTÓRICA

As origens da Escola Dominical remontam aos tempos bíblicos quando o Senhor ordenou ao seu povo Israel que ensinasse a Lei de geração a geração. Dessa forma a história do ensino bíblico descortina-se a partir dos dias de Moisés, passando pelos tempos dos reis, dos sacerdotes e dos profetas, de Esdras, do ministério terreno do Senhor Jesus e da Primitiva Igreja. Não fossem esses inícios tão longínquos, não teríamos hoje a Escola Dominical.
A Escola Dominical do nosso tempo nasceu da visão de um homem que, compadecido com as crianças de sua cidade, quis dar-lhes um novo e promissor horizonte. Como ficar insensível ante a situação daqueles meninos e meninas que, sem rumo, perambulavam pelas ruas de Gloucester? Nesta Cidade, localizada no Sul da Inglaterra, a delinqüência infantil era um problema que parecia insolúvel.
Aqueles menores roubavam, viciavam-se e eram viciados; achavam-se sempre envolvidos nos piores delitos.
É nesse momento tão difícil que o jornalista episcopal Robert Raikes entra em ação. Tinha ele 44 anos quando saiu pelas ruas a convidar os pequenos transgressores a que se reunissem todos os domingos para aprender a Palavra de Deus. Juntamente com o ensino religioso, ministrava-lhes Raikes várias matérias seculares: matemática, história e a língua materna - o inglês. Não demorou muito, e a escola de Raikes já era bem popular. Entretanto, a oposição não tardou a chegar. Muitos eram os que o acusavam de estar quebrando o domingo. Onde já se viu comprometer o dia do Senhor com esses moleques? Será que o Sr. Raikes não sabe que o domingo existe para ser consagrado a Deus?
Robert Raikes sabia-o muito bem. Ele também sabia que Deus é adorado através de nosso trabalho amoroso incondicional.
Embora haja começado a trabalhar em 1930, foi somente em 1783, após três anos de oração, observações e experimentos, que Robert Raikes resolveu divulgar os resultados de sua obra pioneira. Então, no dia três de novembro de 1783, Raikes publica, em seu jornal, o que Deus operara e continuava a operar na vida daqueles meninos de Gloucester.
HISTÓRIA DA ESCOLA DOMINICAL NO BRASIL
Os missionários escoceses Robert e Sara Kalley são considerados os fundadores da Escola Dominical no Brasil. Em 19 de agosto de 1855, na cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro, eles dirigiram a primeira Escola Dominical em terras brasileiras. Sua audiência não era grande; apenas cinco crianças assistiram àquela aula. Mas foi suficiente para que seu trabalho florescesse e alcançasse os lugares mais retirados de nosso país. Hoje, no local onde funcionou a primeira Escola Dominical do Brasil, ainda é possível ver o memorial que registra este tão singular momento do ensino da Palavra de Deus em nossa terra.
O primeiro trabalho promovido pela Igreja Presbiteriana em nosso país, em língua portuguesa, foi a Escola Dominical. Isso aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 22 de abril de 1862. A escola foi dirigida pelo Rev Ashebell Green Simonton, missionário presbiteriano.
A Escola Dominical é o principal instrumento de evangelização e instrução. Geralmente, ela nasce antes da Igreja, e o seu rol de alunos é, quase sempre, maior do que o rol de membros da Igreja. Sem ela seria muito difícil levar o evangelho até os confins da terra.
O terceiro domingo de setembro foi a data reservada pela Igreja Presbiteriana para a comemoração do Dia da Escola Dominical.

(Texto da pagina no Facebook Família Alegria : https://www.facebook.com/pages/Fam%C3%ADlia-Alegria/308915232461919?fref=photo)

Capítulo 13 - Ensinando Através de Perguntas


PEARLMAN, Myer. Ensinando com êxito na Escola Bíblica Dominical. Traduzido por Rejane Caldas. São Paulo: Editora Vida, 1995. 92 p.)

Há centenas de anos um sábio disse: "Uma pergunta sagaz é a metade do conhecimento." Esta declaração é verdadeira ainda hoje; boas perguntas proporcionam bom ensino, e quem sabe fazer boas perguntas geralmente é um bom professor. Na verdade, a pergunta é o instrumento mais útil e eficaz. As perguntas que você faz são valiosas porque obrigam os seus alunos a expressar-se, e assim completam o processo de aprendizagem. Talvez seu aluno tenha estudado a lição e ouvido sua explicação em classe. Isto causou uma impressão neles. Sua mente está cheia de pensamentos, sentimentos e problemas que se relacionam com essa impressão. Mas estas ideias não estão formadas de vez, na mente deles; são vagas e estão em desordem.
Mas, se você lhe fizer uma pergunta bem formulada, você estará pondo em movimento os rolamentos da mente do aluno. Leve-o a expressar-se e, em assim fazendo, o que ele estudou se aclara. Desaparecem a névoa e a confusão, e ele diz a si mesmo: "Ora, está tão claro; porque não pensei nisto antes?" Ele se alegra e surpreende-se com o que sai de sua própria mente.
Para produzir este efeito, as perguntas têm que ser hábeis e cuidadosamente preparadas. Para isto consideraremos os requisitos principais para formular as perguntas, e daremos algumas regras:
As perguntas são usadas para conseguir-se os seguintes resultados:
1. Desenvolver a lição.
2. Esclarecer a lição.
3. Fazer o estudante pensar.
4. Colocar ênfase nas verdades importantes.
5. Manter a classe ocupada.
1. Desenvolva a lição
Como a lição deve ser ensinada de forma ordenada, as perguntas devem ser preparadas numa ordem lógica. As perguntas da revista são mais para uso do professor, que dos alunos. Comece com perguntas simples para animar a classe.
2. Esclareça a lição
Para que as perguntas esclareçam a lição, não devem ser feitas de maneira que confunda os alunos. As seguintes perguntas confundem:
Perguntas compostas. Por exemplo: "Quem disse o que, e por que o disse, quando quase se afogou no mar da Galiléia?" (Veja Mateus 14:28). Aqui há em realidade quatro ou cinco perguntas: (1) Que aconteceu? (2) Quem gritou? (3) Que palavra gritou? (4) Porque gritou? (5) Como escapou?
Perguntas que contenham palavras técnicas, difíceis. Um dos princípios fundamentais do ensino é que a verdade deve ser adaptada à inteligência e ao conhecimento do aluno. Portanto a um grupo de adolescentes você não deve dirigir uma pergunta como a seguinte: "Foi premeditada a apostasia de Judas?" A Bíblia foi escrita na linguagem do povo; o Senhor disse: "Apascenta minhas ovelhas"; não disse: Apascenta minhas lanígeras. Nem meu gado ovino.
Perguntas que tenham mais de um sentido. Um professor perguntou a uma criança: "O que é preciso fazer antes que nossos pecados sejam perdoados?" A criança respondeu: "Primeiro temos que pecar." A resposta foi correta segundo o sentido em que a pergunta foi compreendida. A pergunta teria sido formulada melhor assim: "Se pecarmos, o que temos que fazer para ser perdoados?" Outra pergunta que poderia receber várias respostas: "Quem foi Pilatos?" Um romano; um governador; o que condenou Jesus a ser crucificado; um juiz.
Esta pergunta poderia ser desdobrada e mais bem formulada assim: "Qual era a nacionalidade de Pilatos? Qual era sua posição oficial? Qual era sua atitude para com os líderes judeus? Qual foi sua atitude para com Jesus?"
Perguntas vagas, como a seguinte: "Que acontece quando pecamos?" Esta poderia ser feita de modo mais definido: "Qual é o efeito do pecado na consciência, quando a pessoa peca?"
Perguntas que provocam discussões áridas, como a seguinte: "Por que Paulo estava fora da vontade de Deus quando foi a Jerusalém, depois de sua terceira viagem missionária?" Isto provocaria uma discussão inútil: "Mas estava mesmo fora da vontade de Deus?"
Perguntas longas. Por exemplo, a seguinte pergunta: "Vocês acham que nos dias do rei tirano e ciumento, que sempre suspeitava que alguém aspirava ao trono (o fato é que assassinou sua própria esposa e filho), seria prudente que alguém anunciasse o nascimento de outro rei (especialmente pelo fato de os magos o procurarem em segredo, sem divulgar notícias por toda a cidade) e se expusesse a si mesmo, e ao menino-Deus, à crueldade deste homem tão cruel, que sabendo que os judeus se alegrariam com a notícia de sua morte, mandou encarcerar alguns homens preeminentes em Jerico, para que fossem assassinados logo depois de sua morte, a fim de que a nação fosse obrigada a chorar pela sua morte?" Isto não é pergunta, é uma dissertação confusa.
Para resumir: as perguntas não devem confundir, mas devem ser claras e precisas. Não devem obscurecer o tema, mas jorrar luz sobre o terreno que será atravessado. As perguntas não devem revelar as respostas, porque isso impede o aluno de pensar. Que os alunos saibam muito bem o sentido das perguntas.
3. Faça o aluno pensar
"Nunca diga ao aluno o que ele pode dizer a você", eis um axioma antigo do ensino. Em outras palavras: "Dê ao aluno a menor quantidade de informações possível e exija dele o máximo de informações possível." O propósito do estudo e dos trabalhos práticos não é que o professor receba ajuda, nem que os alunos repitam as mesmas palavras que ouviram do professor, mas que aprendam e cresçam em Cristo.
Quando o camponês leva o grão para ser moído, não espera recebê-lo de volta da mesma forma que o levou; espera recebê-lo moído: a farinha, Você entrega o grão da verdade em sua aula, para que passe pelo moinho do estudo do aluno, de modo que se transforme no resultado almejado.
Se você quiser ter certeza de que seu aluno está verdadeiramente raciocinando, evite os seguintes tipos de perguntas:
Perguntas que sugerem a resposta. Por exemplo: "O que as pessoas devem confessar?" esta pergunta já responde a si mesma.
Perguntas que podem ser respondidas com um "sim" ou um "não". Tais respostas são meras conjeturas. Não dão sinal algum de que o aluno estudou, aprendeu e está raciocinando. Marion Lawrence nos diz: "Os alunos são bastante rápidos para dar a resposta que o professor quer, e chegam ao ridículo. Por exemplo, em nossa Escola Dominical, certa ocasião, o pastor fez uma experiência. Perguntou à classe toda com rapidez o seguinte:
— Alunos, vocês acham que devemos frequentar as aulas regularmente?
— Sim, pastor.
— Acham que devemos ser pontuais nos domingos pela manhã?
— Sim, pastor.
— Acham que devemos estudar nossa lição em casa?
— Sim, pastor.
— Acham que devemos trazer nossas ofertas todos os domingos?
— Sim, pastor.
— Acham que devo calar a boca agora?
— Sim, pastor.
Perguntas feitas e respondidas com as mesmas palavras da lição. Deve-se exigir dos alunos que respondam com suas próprias palavras, porque talvez elas conheçam as palavras das respostas sem ter a menor ideia de seu significado.
Joshua Fitch, famoso educador, insiste em que o aluno não use a linguagem das Escrituras em suas respostas, mas que responda à pergunta com suas próprias palavras. Ele dá a seguinte ilustração tomada de Lucas 10:30.
Acerca de quem é esta parábola? Um homem.
De onde ele descia? De Jerusalém.
Para onde ia? Para Jerico.
Nas mãos de quem caiu? Dos assaltantes.
Que fizeram com sua roupa? O despojaram.
Que fizeram com o homem? Espancaram-no.
Em que condições o deixaram? Meio morto.
Observe como o professor abarcou todo o tema da narração e fez uma pergunta sobre cada fato; até aí tudo bem.
Note porém que cada pergunta foi formulada com palavras muito semelhantes às da Bíblia, e requereu como resposta uma palavra apenas, fornecida também pela Bíblia. É muito fácil para um jovem, enquanto os ecos da narração bíblica estão em seus ouvidos, responder cada pergunta mecanicamente, sem nenhum esforço do raciocínio e nenhuma meditação.
Vamos recapitular o mesmo tema, apresentando-o de início com uma ou duas perguntas de introdução. Por exemplo:
Quem pronunciou estas palavras? A quem foram ditas? Por que foram ditas? Repita a pergunta feita pelo doutor da lei.
Do que trata a parábola? De um homem que saiu em viagem.
Que título se dá a quem viaja? Viajante.
Em que região viajava o homem? Pela Judéia.
Sigamos sua rota no mapa. Em que direção viajava? Para leste.
Através de que tipo de região ele viajava? (O professor ensina os fatos mais importantes relacionados aos aspectos geográficos.)
Quais seriam, na sua opinião, as condições daquela região naquele tempo? Ligeiramente povoado; o caminho solitário.
Como podem ter certeza disso? Naquela época os bandidos agiam no ermo. Hoje, assaltam em plena luz do dia, no centro da cidade, no meio do povo.
Dê outra palavra para "assaltantes". Ladrões.
Como os ladrões trataram este viajante? Tiraram suas roupas.
Que mais lhe fizeram? Feriram-no. Maltrataram-no muito.
Como se sabe pelo texto que o maltrataram muito? Porque o deixaram meio morto. Quase o mataram.
Observe que o propósito foi duplo. Primeiro, não sugerir a resposta pela redação da pergunta. Por isso as crianças têm de interpretar a linguagem bíblica em termos da vida atual. Segundo, não se conformar com palavras não relacionadas às perguntas, especialmente com as palavras específicas do próprio texto bíblico. Os alunos deverão usar suas próprias palavras, as mais conhecidas e mais simples.
O princípio de obrigar os alunos a usar suas próprias palavras quando falam ou respondem, você vê bem ilustrado no caso seguinte, relatado por W.P. Spilman. Um menino conta a história da lição com suas próprias palavras.
Foi nas montanhas de Wyoming, alguns quilômetros ao norte de Laramie. Pediram a um visitante que desse uma aula às crianças cujas idades variavam de sete a dez anos. A lição do domingo anterior havia sido sobre o bom samaritano.
Disse o professor: "Qual de vocês, crianças, pode contar-me a lição de domingo passado?" Várias mãos se levantaram. "Conte-nos tudo de que você se recorda", pediu o professor a um menino.
"Bem professor — disse o menino — a lição de domingo passado foi acerca de um assalto num desfiladeiro. Havia um homem viajando e uma quadrilha de bandidos o pegou, e quase o matou. Roubaram seu dinheiro, suas roupas e fugiram. Então passou um médico. Ele disse:
— Desse aí eu não vou curar; ele nem vai poder me pagar!
E seguiu adiante. Depois passou por ali um pregador. Ele olhou o homem e disse:
— Este não é da minha igreja!
E continuou seu caminho. Então chegou um caipira em seu cavalo. Apeou e disse:
— Esse coitado está muito ferido.
Então o colocou em seu cavalo, e o levou a uma pensão, e instruiu o dono:
— Olhe, bateram neste viajante no desfiladeiro e o feriram. Faça o favor de cuidar bem dele. É meu amigo. Aqui está o dinheiro. Se faltar algum, quando eu voltar da fazenda, lhe pagarei."
Vemos que a linguagem em que foi relatada esta parábola talvez não seja literária, mas quem pode duvidar de que aquele menino havia entendido a lição?
Atenção: o professor deve ter muito cuidado em não desanimar um aluno, ao recusar-lhe a resposta, que pode ser imperfeita ou incompleta. Deve o professor, com tato, dar-lhe crédito e corrigir sua resposta. Se o aluno comete alguns erros quando responde, é melhor deixá-lo que continue, sem interrupção, porque o propósito principal quando você lhe faz uma pergunta não ê apenas receber uma resposta exata, mas ensinar o aluno a expressar-se por si mesmo e a compreender a verdade. E ainda que a resposta esteja errada, ela exerce uma função importante: ela orienta o professor a corrigir algum conceito equivocado na mente do aluno.
4. Enfatize as verdades importantes
Não se deve perguntar ao aluno detalhes insignificantes, não essenciais. "Fazer uma pergunta é dar ênfase à coisa perguntada — escreve Weigle — porque se torna o centro do pensamento naquele instante. A questão fica impressa na mente do aluno e adquire certa dignidade e importância em sua visão. Por exemplo, se você lhe pergunta: Quando o Senhor Jesus disse que devemos entrar no aposento, referia-se ao dormitório ou a uma sala qualquer? e perdesse cinco minutos ou mais discutindo o assunto, estaria desperdiçando tempo em detalhes menores; porque o ponto importante da lição não é o lugar da oração, mas a maneira de orar."
A pergunta e a resposta devem formar as duas partes importantes da verdade de que valerá a pena lembrar-se. Por exemplo, você lhe pergunta: "Enquanto Pedro observava o jovem rico retirar-se, que pergunta fez?" (Mateus 19:27-29). O aluno raciocinará como segue: "O que tem a ver o jovem rico com a pergunta de Pedro? Já sei! Pedro estava comparando-se com este jovem rico que havia recusado abandonar tudo por Cristo, e por isto perguntou: 'Nós deixamos todas as coisas, e temos te seguido; o que receberemos?'"
Tomemos outro exemplo: "Que fez Jesus quando percebeu que os apóstolos não praticariam o dever hospitaleiro de lavar os pés uns aos outros?" O aluno dirá a si mesmo: "Bem, vejo uma nova luz neste tema. Cada um pensou que se rebaixaria muito lavando os pés de seus irmãos, então o próprio líder se humilhou e fez com que se envergonhassem."
Temos aqui uns exemplos de perguntas que ensinam, pois uma pergunta boa resulta em uma resposta boa.
5. Mantenha a classe ocupada
Ao fazer perguntas você deve envolver a classe inteira, e não apenas alguns alunos.
Seu propósito como professor é manter todos interessados e ocupados. No que se refere a este item as seguintes sugestões serão úteis.
Evite a predileção. Um professor experiente nos diz: "Sempre há um 'sabe-tudo' com muita vontade de fazer alarde e sobressair, respondendo a todas as perguntas que o professor faz. Isto você não deve permitir. Existem aqueles alunos que só podem responder as perguntas mais simples. Faça a eles as perguntas simples, especialmente no princípio, e faça as perguntas mais difíceis aos alunos mais adiantados. É péssimo demonstrar favoritismo na avaliação das respostas; péssimo para os que respondem e para os que não se sentem à vontade ao responder."
Evite repetir a pergunta em benefício de um aluno desatento. Não convém que o tempo de aula seja perdido por causa de um aluno negligente. Se o professor dirigir-se de imediato a outro aluno, terá ministrado um ligeiro castigo ao desatento, a quem desse modo chamou à atenção.
Pergunte ao mesmo aluno mais de uma vez. Isto evita que o aluno pense que depois de responder a uma pergunta sua tarefa na classe esteja concluída.
Volte a perguntar ao aluno que não responde. Se o motivo de não responder foi causado pela negligência no estudo, ele se lembrará de sua responsabilidade; se a causa é a falta de capacidade, então sua paciência como professor será um estímulo para ele.
Dirija a pergunta a toda a classe. Se você diz: "João Silva, quero que responda a esta pergunta", os demais alunos dirão a si mesmos: "Bem, essa pergunta é do João", e deixarão para ele todo o trabalho. Para obter a atenção de toda a classe, antes de fazer-se uma pergunta, você poderá dizer: "Ouçam atentamente, porque tenho uma pergunta importante para vocês." Havendo despertado o interesse e feito a pergunta, o professor pode escolher um aluno e dizer: "Bem, José, pode responder à pergunta."
Por que escolher José? Porque ele é o rapaz que menos presta atenção à lição. Se ele entender que sua falta de atenção o impede de responder à pergunta, é muito provável que passe a prestar atenção para evitar o "desprestígio" diante de toda a classe.

Que Deus abençoe o seu trabalho, professor, na formação do caráter de crianças e adolescentes, e na renovação dos adultos que se converteram, e devem crescer em Cristo.