segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Capítulo 9 - Esclarecendo a Lição


(PEARLMAN, Myer. Ensinando com êxito na Escola Bíblica Dominical. Traduzido por Rejane Caldas. São Paulo: Editora Vida, 1995. 92 p.)

Não se pode duvidar da importância das ilustrações para esclarecer a lição. O que fazem as janelas e luminárias em uma casa, fazem as ilustrações à lição. "Uma ilustração vale dez mil palavras", dizem os chineses. O professor que quer ter êxito transforma os ouvidos de seus alunos em olhos, e faz que vejam o que ele está dizendo. Por exemplo, compare as seguintes declarações:
1. Se cairmos em pecado será tolice ficar em pecado. Devemos ir imediatamente a Deus e pedir perdão.
2. O que você pensaria de uma pessoa que, depois de escorregar e cair em um buraco lamacento, ficasse ali na lama, lamentando seu acidente e a sujeira em que mergulhou? Pensaríamos que tal pessoa tem algum problema mental. Uma pessoa normal se levantaria depressa, tiraria a lama da roupa, iria para casa, tomaria um banho e mudaria a roupa.
Uma diferença notável entre uma ovelha e um porco é que quando a ovelha cai na lama, reclama, mas o porco parece deleitar-se: ele se deita e se revira na lama.
As ovelhas de Cristo não devem ficar na lama do pecado se por acaso caírem em tentação.
Pela primeira declaração os alunos somente ouvem a verdade; na segunda, eles a veem. Eles se lembrarão da segunda declaração muito mais facilmente, porque as "cenas" se encaixam em sua mente como abelhas numa colmeia. É bom, pois, cultivar a arte de falar fotograficamente. Por exemplo, um escritor quis expressar a inutilidade de tentar melhorar o que é perfeito, e pronunciou uma série de imagens visuais: "Tentar dourar o ouro refinado, embranquecer o lírio, perfumar a violeta." Ele nos fez ver o que dizia.
A importância das ilustrações recebe muita ênfase por causa do destaque que Cristo lhes deu em seu ensino. O Senhor constantemente usava parábolas. Ele disse às pessoas a que se assemelhava o reino dos céus.
Tristeza e alegria, riso e choro, riqueza e pobreza, fome e sede e muito pão e água, saúde e enfermidade, brincadeiras de criança, recolhendo e espalhando, o filho pródigo deixando a casa, a vida no palácio, matrimônio e funeral, a casa esplêndida dos vivos e o sepulcro dos mortos, o semeador e o ceifeiro no campo, o fazendeiro entre suas vinhas, o operário no mercado, o pastor procurando a ovelha perdida, o comerciante de pérolas, a dona-de-casa trabalhando, preparando a massa fermentada de pão, procurando a moeda perdida, o mordomo ímpio, a comida terrena que perece. Eis alguns quadros que vivificam os ensinos do Senhor.
O BOM USO DE ILUSTRAÇÕES
Vamos estudar alguns princípios que regem o uso correto das ilustrações.
l. A ilustração deve ser mais clara que a verdade que se quer ilustrar
Um esclarecimento que exige esclarecimento... na verdade não esclarece nada. O propósito da ilustração é iluminar um tema que esteja obscuro aos ouvintes. A ilustração deve esclarecer um ponto de difícil entendimento. Mas se a ilustração é obscura para os ouvintes, só aumentará a escuridão.
Um pregador quis explicar algo a um grupo de crianças. Ele disse o seguinte: "Agora vou explicar o que é a esperança, para que vocês possam ir para casa e dizer a sua mãe o que é a esperança. Crianças, vocês sabem que a água do riacho que corre atrás do templo, compõe-se de dois elementos: oxigênio e hidrogênio. Assim também a esperança se compõe do desejo e da expectativa. Entenderam?" As crianças ficaram mais confusas. Em vez de lançar luz ao problema, o pregador submergiu as crianças em densa escuridão. Quais delas saberiam o significado das palavras: elementos, hidrogênio, oxigênio e expectativa?
2. A ilustração deve interessar o aluno, e estar relacionada à sua experiência
O fato de uma ilustração ser do interesse do professor não garante que interessa aos alunos. Um pregador falou a um grupo de crianças sobre o seguinte tema: "As saúvas destroem as vinhas". O propósito do pregador era descrever o dano que causam os vícios e pequenas fraquezas do caráter. À primeira vista a ilustração-tema parece vivida e adequada. Mas vamos examiná-la com mais cuidado.
Quantas crianças haviam visto uma saúva ou sabiam algo sobre esses insetos? Quantas haviam visto uma vinha? Aquelas crianças nunca haviam ido ao campo onde há saúvas destruidoras de vinhas e nunca haviam ouvido falar disso. A ilustração falhou: Não estabeleceu contato com os alunos. O orador teria atingido seu alvo com perfeição se houvesse trazido uma maçã (ou qualquer fruta) com mancha escura de podridão, e uma faca. Teria então explicado às crianças que aquela mancha logo se estenderia por toda a fruta, se não fosse tirada imediatamente. E que a fruta estragada corromperia outras ao seu lado. Então o pregador lhes mostraria a fruta cortada, e a área apodrecida. Essa ilustração está ao alcance da experiência das crianças, porque é provável que todas conhecessem uma fruta semi-estragada.
Mais um exemplo: Alguns missionários estavam traduzindo a Bíblia para um dialeto de certa tribo africana. Chegaram ao versículo: "Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã." Se traduzissem este versículo literalmente, não teria significado para os africanos, que nunca haviam visto a neve. Na verdade, eles nem sequer tinham uma palavra para expressar neve. Mas haviam comido muitos cocos, e conheciam bem a brancura de seu miolo. Então os missionários traduziram o versículo como segue: "Ainda que os vossos pecados sejam vermelhos, eles se tornarão brancos como a polpa do coco." Esta tradução talvez soe um pouco estranha, mas trouxe a verdade ao alcance da experiência dos nativos.
3. As ilustrações devem ter uma relação real com a lição
Não devem ser encaixadas à força na lição apenas para adorná-la. A ilustração não é o fim principal, mas apenas uma ajuda para maior compreensão da lição, assim como os espelhos não são para serem vistos e sim para a pessoa ver-se neles. O professor deve perguntar a si mesmo: "Faz falta? Esclarece? É apropriada?" Da mesma forma uma lanterna não é usada como enfeite, mas para iluminar o caminho.
4. Evite o excesso de ilustrações
Uma casa que não tem janelas é uma casa escura, mas a que tiver janelas demais também não é boa. Se você usar várias ilustrações para explicar apenas um ponto, poderá provocar confusão na mente do aluno.
5. Evite o uso das ilustrações que causam má impressão
Referimo-nos àquelas ilustrações que por serem vulgares ou de mau gosto desagradam ou distraem a classe; na verdade elas mais obscurecem que esclarecem. Por exemplo, o poder de ação da presença do Espírito Santo numa comunidade foi uma vez comparado com o horroroso e contagioso sarampo. Esta ilustração é imprópria por duas razões: Primeira, a natureza e o poder do Espírito Santo não os explicamos comparando sua obra a uma enfermidade; segunda, não é muito provável que tal ilustração, por sua vulgaridade, inspire reverência. Antes levará ao medo, à chacota, em lugar da devoção.
Comentando o uso de ilustrações, Marion Lawrence escreve: "O orador deve abandonar de vez toda historieta ou ilustração que possa ofender ou constranger a alguém. Isto quer dizer que não devem ser feitas referências a pessoas gagás, a pessoas coxas, ou que tenham algum tipo de deformidade, como lábios leporinos, etc. Isso é falta de misericórdia; não é próprio do seguidor de Jesus fazer que alguma pessoa saia da igreja sentindo-se infeliz, porque você fez uns comentários que lhe recordaram sua enfermidade ou deficiência."
6. Evite ilustrações que possam sugerir uma ideia má
O exemplo seguinte é citado por Weigle. "Os alunos de uma classe de Escola Dominical ouviam uma palestra acerca da força dos hábitos adquiridos na juventude. Para ilustrar seu ponto o orador disse: 'Meninos, vocês já viram um piso de cimento?' Todos os olhos se fixaram no orador, e os alunos responderam: 'Sim!' E o orador continuou: 'Vocês sabiam que escrevendo com um prego seu nome no cimento, enquanto úmido e mole, ao endurecer-se fica ali o seu nome por toda a vida, enquanto durar o piso? Eu acho que nenhum garoto aqui é tão travesso que costume fazer isto', acrescentou o orador, muito depressa, ao perceber uma expressão significativa na face dos meninos. Tarde demais: a ilustração havia feito seu mau trabalho. O grande desejo de deixar autógrafos para a posteridade seria executado e satisfeito na primeira oportunidade."
COMO APLICAR AS ILUSTRAÇÕES
Há duas maneiras ou formas:
1. Cite a ilustração e aplique a verdade
Por exemplo:
A ilustração: Diz-se que quando um atleta sente que seu fôlego está se esgotando, que seus pulmões não aguentam mais, e está tão extenuado que pensa em desistir, algo estranho acontece. De repente ele sente as forças voltarem, a fadiga desaparece e o atleta continua a correr. Esta força renovada é conhecida como "novo alento".
A aplicação: Esta ilustração nos ajuda a compreender o que o profeta quis dizer quando declarou: "Os que esperam no Senhor receberão novas forças." Se em nossa corrida espiritual, chegar o momento em que nossas forças se esgotaram, e tivermos desejo de abandoná-la, confiemos em Deus e sigamos adiante. Pois, esperando no Senhor, receberemos novo alento espiritual.
2. Cite a verdade e aplique a ilustração
A declaração: Muitas pessoas estão de acordo em que a oração atua no área espiritual, inspirando nossas almas, fortalecendo nossa vontade e colocando-nos em contato com Deus.
Algumas pessoas não creem que a oração atua também na área material, mudando circunstâncias e acontecimentos.
A ilustração: Há muitos anos, Jorge Müller fundou um orfanato, na Inglaterra, onde mais de dez mil órfãos haveriam de ser socorridos. Milhões de dólares seriam enviados para as despesas da instituição. No entanto é surpreendente que jamais Jorge Müller precisasse solicitar fundos publicamente. Qual é a explicação? Apenas uma: a oração de fé de Jorge Müller.
É boa tática anunciar a ilustração de tal maneira que retenha o ouvinte em "suspense" e estimule seu interesse. Assim ele estará alerta, mais receptivo à verdade. Disse o professor: "Eu ia pela rua Cristã, em Jerusalém, quando me encontrei com um homem vestido com trajes orientais suntuosos. Portava uma adaga de ouro curva, usada somente pelos descendentes do profeta Maomé. Mas este homem não tinha nenhum traço árabe. Seus olhos eram azuis, e os olhos dos árabes são negros ou castanhos."
Estes detalhes não despertam a curiosidade? Não nos fazem querer saber mais? Você não acha que os alunos que antes estavam perdendo o interesse agora aguçam seus ouvidos? É verdade que uma ilustração deve ser "desembrulhada" diante da classe como um presente de Natal em casa. Quanto mais bem acondicionado estiver o pacote, maior será a expectativa. E de modo especial: que não se possa adivinhar pela embalagem o que está lá dentro.
ONDE CONSEGUIR ILUSTRAÇÕES?
As melhores ilustrações são as tiradas da experiência e observação do professor mesmo. Por exemplo, que aluno cochilaria em classe se ouvisse o professor dizer: "Este versículo me lembra uma experiência de arrepiar, que me aconteceu no deserto?" Ou: "Quando ia para o trabalho ontem pela manhã vi o espetáculo mais estranho de minha vida?"
Nossas experiências ou as coisas das quais temos sido testemunhas podem ter uma força peculiar para despertar o interesse dos ouvintes.
A revista da Escola Dominical provê boas ilustrações, mas é bom você colecionar um punhado delas. Nada ajuda tanto a recuperar o interesse perdido do que uma boa história.
Há muito livros de ilustrações que podem ser de proveito. É verdade que algumas pessoas não têm conseguido muita ajuda em tais livros. Todavia, se lidos de forma proveitosa, podem ser de grande valor.
Talvez você deseje saber exatamente como usar o caderno de anotações na preparação da lição. No princípio de cada novo trimestre, seria excelente dedicar um pouco de tempo para "passar em revista" a série inteira, tendo assim uma ideia das lições que serão estudadas nesse período. Feito isso, o professor está preparado, e à espera de ilustrações apropriadas. Caminhando pela rua talvez note algo que ilustre muito bem a lição 5. Toma então seu caderno e anota o título: "Lição 5". Nesta página anota o fato que presenciou, como ilustração que vai usar.

Outro dia, enquanto lê o jornal, talvez uma notícia ou fato o impressione, provendo um bom início para a sexta lição; de novo toma a caderneta e registra em outra página o título: "Lição 6". Recorta o trecho do jornal e o cola à página. Ou, estando a caminho do trabalho, no ônibus, lembra-se de alguma experiência pessoal que certamente ajudará a atingir o propósito da lição 11. Anota-a brevemente. Quando chegar a casa faz uma anotação detalhada. Tudo isto é uma maneira de dizer que o professor alerta estará sempre na expectativa de encontrar algum material para sua lição, como o diligente jornalista está alerta para uma boa reportagem. E uma vez formado o hábito de "arquivar", este chegará a ser um meio de enriquecer seu ensino.

Capítulo 8 - Mantendo o Professor Atento


(PEARLMAN, Myer. Ensinando com êxito na Escola Bíblica Dominical. Traduzido por Rejane Caldas. São Paulo: Editora Vida, 1995. 92 p.)

Vamos continuar o assunto do capítulo anterior: Mantendo a classe atenta. O título deste capítulo tem o propósito de mostrar que a atitude do professor determina a atitude da classe. Ele encontra grande ajuda para manter a atenção da classe se seguir os seguintes pontos:
1. Demonstrar interesse entusiasta
2. Preparar-se muito bem
3. Vigilância constante
4. Amar como Cristo amou
O INTERESSE ENTUSIASTA
Uma vez um pregador perguntou a Hemy Ward Beecher: "Qual é a melhor maneira de conservar uma congregação desperta em uma noite quente de domingo?" Sua resposta foi:
"Arranje uma vara comprida, ponha um prego na ponta e espete o pregador de vez em quando!" Há muita sabedoria nessa resposta.
"Quando falamos a um auditório, determinamos a atitude de nossos ouvintes — diz Dale Carnegie—pois temo-los na palma da mão. Se somos apáticos, eles ficam apáticos. Se somos reservados, eles se mostram reservados. Se estamos calmos, eles também se sentem calmos. Se formos fervorosos acerca do que dizemos, e se falamos com sentimento, espontaneidade, animação e convicção, eles conservarão um pouco pelo menos de nosso espírito."
F.B. Myer tinha em mente esta verdade quando disse: "Quando vejo que as pessoas perdem o interesse, enfio-me em um rifle e me atiro contra a congregação."
Tudo isto quer dizer que o professor que obtém êxito é eloquente. Não a eloquência das palavras suaves, bajuladoras, mas a eloquência efusiva, sincera e vinda do coração. O que alguém disse a respeito de sermões pode ser dito de uma lição de Escola Dominical: "Você perceberá que os sermões que lhe darão mais satisfação, os que verdadeiramente atingem a vida das pessoas, são os sermões tirados do íntimo de seu ser. São ossos de seus ossos, carne de sua carne, o produto de seu trabalho mental, a potência nascida de sua própria energia criativa. São sermões que vivem, que se movem, que voam pelo templo, deleitando, convencendo, impressionando os homens e louvando a Deus. São sermões que penetram no coração dos homens fazendo-os subir como águias e trilhar os caminhos do dever sem fatigar-se. São sermões reais os que verdadeiramente nascem da energia vital do Espírito Santo dentro do homem que os prega."
Há um modo seguro pelo qual o professor pode conseguir esta preparação do coração. É o caminho da oração. Que o professor leve seu esboço da lição à presença de Deus. Que ele ore acerca de cada ponto e detalhe. Que ele faça a Deus perguntas sobre a lição, pedindo a ajuda de seu Espírito. Que ele ore para que o tema seja gravado em sua própria alma. Que ele fale a Deus acerca da lição como se falasse a um amigo. É certo, então, que o professor compreenderá o que o salmista quis dizer quando disse: "Acendeu-se dentro em mim o meu coração, e enquanto eu meditava ateou-se o fogo; então falei com a minha língua" (Salmo 39:3).
Para resumir: se o professor domina a lição e permite que a lição o comova, saberá comover seus ouvintes.
PREPARAR-SE MUITO BEM
Dwight L. Moody, certa vez, fazendo um estudo profundo do tema da graça, ficou tão comovido que se apressou a sair à rua, para perguntar à primeira pessoa que encontrou: "Você sabe o que é a graça de Deus?" Não foi um milagre que milhares de pessoas se tenham comovido pela pregação deste homem de Deus?
O professor pode ser tentado a confiar em seus conhecimentos intelectuais, confiar no fato de que tenha ensinado a mesma lição anteriormente; mas se for sábio não se renderá a essa tentação. Embora haja estudado idêntica lição uns poucos meses antes, não está preparado para confrontar a classe se não entender que a lição deve "renascer" mediante o estudo e a oração.
O professor deve recolher mais material do que possa usar na lição. Embora seja difícil explicar o fato, é muito certo que uma reserva de material lhe dará inspiração e mais força a cada palavra.
l. Pelo bem da lição
Conta-se que alguém pediu a Ida M. Tarbell, conhecida historiadora, que escrevesse um artigo para uma revista sobre o Cabo Atlântico. Ela entrevistou o diretor europeu da empresa responsável pelo cabo principal, estudou todos os tipos de cabos em exibição no Museu Britânico; leu livros sobre a história do cabo e visitou uma fábrica onde se faziam cabos. Por que recolheu dez vezes mais material do que poderia usar? Ela sabia que o material que sobrasse daria força a cada palavra que escrevesse, como o grande volume de água de um tanque faz pressão sobre a água que flui pela torneira. A maior parte dos professores não pode, é claro, coligir tão grande quantidade de informações e dados em cada lição, mas todos hão de compreender esse princípio.
2. Pelo bem do próprio professor
Se tivéssemos convidado um grupo de pessoas para um jantar e não estivéssemos seguros de haver comida suficiente para todos, será que nós nos sentiríamos tranquilos se soubéssemos que todos os nossos convidados comem vorazmente? Claro que não. Só se tivéssemos certeza de que teríamos mais do que o suficiente é que nos sentiríamos tranquilos. A melhor maneira de um professor sentir-se cheio de confiança diante de uma classe de alunos dotados de grande apetite intelectual e espiritual, pessoas famintas da verdade, é apresentar-se diante deles com uma provisão abundante do Pão da Vida.
3. Pelo bem da classe
Ouça as palavras do professor Palmer: "Quando preparo uma aula, percebo que sempre tenho de trabalhar com maior afinco nas coisas que não vou dizer. As coisas que tenho certeza que vou dizer me parecem fáceis de preparar. São evidentes e estão ali, acessíveis; mas descubro que não são suficientes, não me satisfazem. Preciso buscar um maior conhecimento básico que não vai aparecer na aula. Tenho que repassar meu tema inteiro e ver como se encaixam as coisas que vou dizer, em suas diversas relações, descobrindo novas combinações que nem vou apresentar à minha classe.
Alguém talvez pergunte: 'Qual é o proveito de tudo isto? Por que preparar mais material do que se pode usar?' Todo professor que alcançou êxito sabe o porquê. Não posso ensinar até o estreito limite de meu conhecimento sem o temor do ridículo, de passar por ignorante. Meus alunos percebem meu temor e minhas palavras tomam-se ineficazes. Eles sentem a influência de tudo quanto sei, que silencio. Não posso explicá-lo com exatidão; mas quando me movimento livremente ao longo do tema como se não me importasse em absoluto em que ponto eu tenho que parar, eles se apercebem de meu sentimento de segurança, e isso me compele e os tranquiliza."
O bom preparo é proveitoso, porque o professor descobre que está obtendo uma compreensão da Palavra de Deus que não receberia mediante a leitura ou a frequência à igreja. O professor descobre por experiência própria algo que muitos professores têm declarado: "A melhor maneira de aprender é ensinando."
VIGILÂNCIA CONSTANTE
Um famoso evangelista pregava em uma grande tenda repleta de gente. Começou seu sermão exortando o povo à defesa da fé. De repente ele mudou o teor de sua mensagem. Passou a fazer uma narração comovedora que levou seu auditório às lágrimas. Por que mudou ele seu tema? Sendo orador experiente, observou que estava perdendo a atenção do auditório. O sermão especial que começara a pregar não comovia o povo. Percebendo a inutilidade de pregar sem contar com a atenção das pessoas, o pregador mudou depressa de tema, e recobrou o interesse dos ouvintes. Fez essa mudança porque tinha o coração posto em seu auditório. De maneira semelhante o professor deve observar bem a atitude de seus alunos. Se perceber declínio de interesse, mostrado em olhos contemplativos e semblantes aborrecidos, deve fazer algo, bem depressa, para recuperar a atenção. Por exemplo, poderia ir ao quadro-negro e escrever algo, poderia contar uma história, uma ilustração ou fazer uma pergunta que provocasse o pensamento dos alunos.
AMAR COMO CRISTO AMOU
Acostumamo-nos demais com algumas verdades; são verdades sólidas, reais, em que cremos de modo total. Todavia, parece que adormeceram, digamos assim, em nossas mentes, e deixam de impressionar-nos. O dever do amar ao próximo é uma delas. Mas devemos estimular esse amor, levá-lo à ação, porque de todas as forças e influências que ligam o professor ao aluno, a maior de todas, a mais motivadora do ensino é o amor. Os alunos reconhecem e reagem bem diante do interesse amoroso do professor. Como disse alguém: "O ser humano é rápido para descobrir se uma palavra vem do cérebro ou do coração." Sem o amor que liga coração a coração, nosso ensino ê como o metal que soa, ou como o sino que tine. Oramos pelos alunos e pronunciamos seus nomes, um a um. Pedimos a Deus sabedoria para que ajudemos a todos, segundo suas necessidades individuais. E unimos nosso coração ao dos alunos pelo vínculo do amor.
Até agora vimos estudando os princípios e regras para estimular o interesse do aluno. Nos três capítulos seguintes estudaremos alguns métodos para colocar em prática tais princípios e regras. São os seguintes:
1. O uso de ilustrações.
2. O uso do quadro-negro e de recursos audio-visuais.

3. O uso de pequenas histórias.

Capítulo 7 - Mantendo a Classe Atenta



(PEARLMAN, Myer. Ensinando com êxito na Escola Bíblica Dominical. Traduzido por Rejane Caldas. São Paulo: Editora Vida, 1995. 92 p.)


Neste capítulo, vamos considerar a importância e o significado de despertar e reter o interesse e a atenção da classe. O problema do professor e sua solução podemos resumir de maneira breve e simples:
1. Qual é sua tarefa? Gravar a lição na mente e no coração dos alunos.
2. Como se consegue isso? Primeiramente, despertando sua atenção.
3. Como o professor pode despertar a atenção? Apelando para o interesse.
4. Como conseguirá o interesse do aluno? Comparando a lição com coisas relacionadas ao aluno e que ele compreenda; em outras palavras, usando as ideias deles próprios.
Invertamos a ordem: Se o professor usar as ideias dos alunos, ganhará o interesse deles; se ele ganhar o interesse deles, reterá a atenção deles; e se ele conseguir reter a atenção deles, poderá compartilhar eficazmente a lição.
A ATENÇÃO
Que é atenção? Foi definida como "o direcionamento da atividade mental para um fato, uma emoção, ou um objetivo determinado". Um aluno atento é aquele que concentra e focaliza sua atenção de corpo e alma sobre o que diz ou faz o professor com referência à lição. Dizemos "lição" porque é possível que o aluno fixe o olhar no professor, numa atitude de aparente interesse, enquanto sua mente pode estar a mil quilômetros de distância. Diz-se que "um aluno pode olhar sem ver, escutar sem ouvir, e falar sem ter compreendido. Ele senta e sonha. A mente tem entradas interiores e exteriores. As entradas exteriores vão até 'o pátio' da mente. Um grande número de alunos mantém fechadas as portas interiores da mente a muitos dos ensinos ministrados pelo professor."
Durante um culto evangélico em uma tribo africana, uma mulher quase não tirava os olhos do rosto da missionária. Parecia que ela ouvia com atenção, extasiada. "Essa mulher está comovida com a mensagem", pensava a missionária. Depois do culto ela aproximou-se da mulher para analisar mais a fundo essa demonstração de interesse. Enganara-se, todavia, a missionária, porque a mulher pagã lhe disse: "Estava olhando esse seu dente de ouro. Diga-me, por favor, onde o conseguiu?" Havia manifestado um grande interesse, não, porém, pelo tema.
Há dois tipos de atenção: a voluntária e a espontânea. A atenção voluntária produz-se quando o ouvinte se obriga, mediante um ato de vontade, a prestar atenção à matéria. Não é uma atitude permanente; porque ocorrerá uma de duas coisas: o aluno passará a ter interesse espontâneo ou perderá totalmente o interesse. É mais provável que perca o interesse forçado.
A atenção é espontânea quando não necessita de esforço. Todo e qualquer assunto, que não seja o do presente momento, está como que morto, nesse instante, e o interesse do aluno se mantém sem esforço consciente de sua parte. A atenção espontânea é a melhor, e é inspirada pelo interesse verdadeiro.
Se o professor não consegue que sua lição seja interessante, o aluno provavelmente deixará que sua mente vagueie para longe do tema. A razão disto é que a mente não pode se concentrar por muito tempo na monotonia, em um objeto inalterável. A variedade e a mudança são essenciais ao interesse. Portanto, o professor tem que percorrer a lição com graça, mostrando seus diferentes aspectos. Falando figuradamente, ele usa o telescópio, para que os alunos vejam a lição com a visão panorâmica de um pássaro; e passa a usar o microscópio para mostrar a beleza escondida em uma pequenina parte do texto; chegando a uma esquina escura da historieta, acende a lanterna da ilustração ou talvez use o pincel e tintas para pintar numa tela um quadro rápido de uma cena bíblica. Todos estes recursos, e outros de natureza similar, unem-se na mente do professor para que a lição seja interessante.
Alguém com muita sabedoria disse que dar uma aula é transformar o ouvido do aluno em olho. Creio que é mais ainda: o professor competente faz que o aluno ouça, e veja, e sinta odores, e deguste e apalpe os elementos dramáticos de sua aula. É absolutamente necessário que o professor desperte e retenha a atenção da classe, porque a atenção é o único caminho por meio do qual o professor pode transmitir suas ideias. Dizer que a classe não está prestando atenção, é o mesmo que dizer que a classe não está aprendendo nada, e que o professor está falando em vão.
Além disso, é muito prejudicial ensinar quando os alunos não prestam atenção. "Cada vez que você permite desordem, ou frivolidades, estará ajudando a rebaixar o nível mental e corromper o caráter de seus alunos — escreve o professor Fitch. — Você os estimula a adquirir um mau hábito. Na verdade você está fazendo algo que os impede de chegarem a ser leitores pensantes, observadores diligentes e ouvintes interessados."
O INTERESSE
Obter o interesse do aluno é de suma importância na educação; um pedagogo afirma que o interesse não é um meio, mas o objetivo da educação. O aluno talvez se esqueça de inúmeros fatos que lhe foram ensinados, mas se o professor lhe ensinou de um modo tal que fez o aluno entender que a Bíblia é o livro mais maravilhoso do mundo, e que a vida cristã é a vida mais elevada para o ser humano, atingiu seu propósito.
Suponhamos que alguém dê um curso de seis meses sobre o Antigo Testamento, um curso de preparação de professores. Podemos estar certos de duas coisas: primeira, que nem todos os fatos do Antigo Testamento serão expostos neste curto período; segunda, que os alunos esquecerão muitos dos detalhes. Mas se no término do curso os alunos estiverem entusiasmados com o plano divino, com o poder e a beleza da Palavra; se estiverem conscientes de sua própria falta de conhecimento e desejosos de saber mais, esse curso terá atingido sua finalidade mais nobre.
O aluno está cheio de ideias, desejos e impulsos, que se podem classificar como interesses. Estes podem estar voltados para Deus e para as coisas espirituais, ou ao contrário, seus interesses podem estar voltados para o maligno, para o mundo e para as coisas da carne. A tarefa do professor da Escola Dominical é provocar no aluno forte interesse pelas coisas de Deus.
Considere o seguinte: Durante cinco dias da semana o aluno assiste a aulas de matemática, história, geografia, ciências e outras matérias.
As aulas são ministradas por professores que lhes dão vida e interesse. No domingo o aluno vai à igreja e escuta uma falação seca, inanimada e formal do evangelho. Qual é o resultado? É provável que chegue à conclusão de que a matemática, a história geral, a geografia e outras matérias são de maior importância e interesse, e que o cristianismo é algo insípido e desprezível.
Por isso, percebe-se que o professor tem de fazer mais do que interessar os alunos; tem que interessá-los no que é verdadeiro. Mais do que fazer com que a aula seja interessante, o professor terá de interessar a classe na lição. Se o professor conta uma história engraçada que não tem relação com a lição, o aluno se recordará da história e se esquecerá da lição. Há casos especiais, porém, em que poderá ser necessário que o professor conte uma história engraçada.
Escreve Weigle: "O professor que começa a dar aulas a um grupo de rapazes zombeteiros, e a professora que vai lecionar a um bando de garotas egoístas, que riem sem motivo, primeiro terão que conquistar seus alunos. Conquistá-los da melhor maneira possível. Terão que estabelecer boa comunicação pessoal com os alunos, fazer-se simpáticos, antes de poder comunicar a lição. No processo de cativar os alunos, o professor poderá precisar usar de energia, dosada com muito amor. Que ele não precise utilizar o martelo, a serra e o machado, que usualmente o motorista de caminhão carrega em viagem. São ferramentas de emergência, a que recorre somente para ajudar alguém em caso de colisão, ou algum incidente desastroso."
VENDO AS COISAS DO PONTO DE VISTA DO ALUNO
De que maneira um assunto ou atividade se torna interessante para alguém? Quando se dá a essa pessoa a oportunidade de expressar suas ideias a respeito desse assunto. Por isso o ensino que interessa é o que apela às próprias ideias do aluno. (Referência ao capítulo dois.) O propósito é:
1. Fazê-lo compreender a verdade.
2. Fazê-lo aceitar a verdade.
1. Faça com que os alunos comecem a entender a verdade apresentando a introdução da lição em termos e ideias que reflitam as experiências deles mesmos.
Para interessar o aluno temos que compreender seu ponto de vista e ver a verdade através de seus olhos. O que disse John Adams com respeito ao pregador é aplicável também ao professor: "Mostre-me um pregador de êxito, e eu lhe mostrarei um homem que é capaz, metaforicamente, de estar de pé no púlpito e ao mesmo tempo estar sentado entre suas ovelhas. Ele se põe no lugar de seus ouvintes e prega levando em consideração o modo de as pessoas verem e sentirem as coisas." Da mesma maneira o professor tem que ver as coisas através dos olhos de seus alunos, e ficar no lugar deles.
Imagine uma classe de rapazes. O professor é um homem de olhar um tanto austero. Está sentado de olhos fixos na revista do professor. Um dos jovens consulta o relógio; dois outros estão engajados numa conversa animada. Um terceiro, de semblante aborrecido, está murmurando: "Esse velho está fora da realidade, não sabe o que interessa aos jovens." Pode ser que esse professor tenha algum interesse na lição, mas fica muito evidente que os alunos não têm.
Isso não acontece ao professor que prepara sua lição tendo em mente a pergunta: "Que conhecimento tem o aluno acerca do que explicarei hoje que o ajude a compreender seu significado?" Estudemos alguns exemplos relacionados a este princípio.
O Mestre Divino explicava a verdade do ponto de vista de seus ouvintes. Ele veio com uma mensagem que encerrava as verdades mais profundas a respeito de Deus, do homem e da vida humana. Como esclareceu estas verdades aos indoutos galileus? Dizendo-lhes que o reino de Deus era semelhante a algumas coisas que eles já conheciam:
* O reino dos céus é semelhante a uma semente de mostarda.
* O reino dos céus é semelhante ao casamento de um rei.
* O reino dos céus é semelhante ao homem que semeou a boa semente.
* O reino dos céus é semelhante a uma rede.
Estude a maneira como ele chamou André, Pedro, Tiago e João para o serviço ativo (Mateus 4:18-20). Poderia ter dito: "Deixem seu emprego, e tornem-se meus discípulos. Vou ensinar-lhes o trabalho de persuadir os homens a abandonar o egoísmo e o pecado e viver a vida reta para o serviço de Deus." Isto teria expressado o que ele queria dizer, mas nosso Senhor Jesus tinha um modo de apelar mais direto, com mais motivação. Sabendo que estes homens eram pescadores dedicados a seu trabalho, ele disse: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens."
Que melhor maneira poderíamos imaginar para chamar pescadores à obra missionária! O Senhor conhecia "o ponto de contato" com estes homens, e relacionou seu trabalho, que para eles era novo, com uma ocupação na qual eles haviam estado quase a vida toda.
"Pescadores de homens!" Pedro deve ter raciocinado logo: "Eu sei o que ele quer dizer. Temos trazido os peixes da vida para a morte; agora vamos tirar os homens do mar da maldade, tantas vezes descrito por nossos profetas (Isaías 57:20), e trazê-los da morte para a vida."
O fato de que "imediatamente eles deixaram as redes, e o seguiram", indica que o chamado do Senhor tocou suas mentes e corações.
A seguinte lista de perguntas (citada por Schmauk) demonstra como um tema difícil pode tornar-se compreensível a uma classe de crianças. O professor está comentando a oração de arrependimento de Davi, registrada no Salmo 51.
— Davi era mau porque cometeu muitos pecados. Tinha o coração manchado. No entanto ele era bom porque estava orando a Deus. Um homem pode ser bom e mau?
— Não.
— Vamos ver. Quando o ferreiro chega em casa, vindo do trabalho, está limpo ou sujo?
— Sujo.
— Mas depois que toma banho e se senta para comer, e depois ler seu jornal, ainda está sujo?
— Não.
— Agora está limpo?
— Sim.
— Então, o homem pode ser limpo e sujo. Mas, pode estar limpo e sujo ao mesmo tempo?
— Não.
— Pode estar sujo em uma ocasião e limpo em outra?
— Sim.
— Então, o que é que transforma um homem sujo em limpo?
— O lavar-se.
— O que foi que Davi quis que Deus fizesse com seu coração?
— Lavá-lo, limpá-lo.
— O salmo não nos diz se Deus o lavou?
— Sim e não.
— Bem, Deus pode fazer qualquer coisa que deseja?
— Sim.
— Vocês acham que Deus quer que os homens tenham corações sujos?
— Não.
— Então, será que Deus tinha vontade de limpar o coração de Davi?
— Sim.
— E ele podia fazer qualquer coisa que quisesse?
— Sim.
— Davi quis que Deus lavasse seu coração imediatamente; Deus fez isto de imediato?
— Sim.
— Quanto tempo Deus precisou para lavar o coração de Davi?
— Num instante, logo, imediatamente.
— Quanto tempo necessita o ferreiro para lavar-se?
— Talvez cinco minutos ou talvez dez.
— Será que Deus precisará de tanto tempo assim?
— Não.
— Deus não precisa de nenhum tempo para fazê-lo, não é?
— É.
— Davi ficou limpo tão rapidamente como orou, convertendo-se em homem bom, não é verdade?
— Sim.
— O que é que impulsiona um homem a pedir que Deus o lave?
(Não recebe resposta.)
— Bem, o que impulsionou o ferreiro para lavar-se?
— Porque se sentiu sujo.
— Se o ferreiro gostasse de ficar sujo, ele tomaria banho e se lavaria?
— Não.
— A água viria até ele para lavá-lo?
— Não.
— Então, ele se lava porque gosta de ficar limpo?
— Sim.
— E se quiser ficar limpo, pode lavar-se logo?
— Sim.
— Então, se o homem tem o coração manchado é porque gosta de tê-lo sujo, não é?
— Sim.
— E se quiser ter o coração limpo, pode tê-lo de imediato?
— Sim.
Note como a pessoa que formula as perguntas vai esclarecendo às crianças o tema difícil da purificação espiritual, comparando-a ao lavar-se físico, com que todos estão familiarizados (esperamos que sim).
Vamos imaginar uma classe de jovens a quem o professor vai ensinar a lição baseada no primeiro capítulo de Daniel. Primeiro, o professor deve interessá-los na lição. Como vai começar? É claro que não fará um discurso teológico acerca da santificação do corpo; a teologia está além da compreensão dos alunos. Mas, sabendo que os jovens têm interesse em atletismo, começa mais ou menos assim:
"A lição que estudaremos hoje vale mais que ouro, pela sua aplicação prática. Nesta lição Deus nos mostra como podemos conservar nossos corpos fortes e sadios, para que possamos vencer na batalha da vida. Daniel descobriu isso por experiência própria quando decidiu que obedeceria a Deus, e faria o que ele lhe havia ordenado quanto ao seu corpo físico. Quem é Daniel? Eu me refiro a este Daniel de quem nossa lição fala. Vamos ver a história desse moço."
O ensino da lição bíblica há de fazer-se do ponto de vista do aluno, o que explica a necessidade imperativa de chegar a conhecer os alunos, se o professor deseja alcançar êxito completo. Assim escreve Cather: "A mente e o coração do aluno são o campo em que o semeador rega a semente plantada. O agricultor que não conhece a qualidade da terra de sua propriedade, terá uma colheita escassa."
2. Faça com que os alunos recebam a verdade, aplicando-a as necessidades deles.


Capítulo 6 - O Plano da Lição

(PEARLMAN, Myer. Ensinando com êxito na Escola Bíblica Dominical. Traduzido por Rejane Caldas. São Paulo: Editora Vida, 1995. 92 p.)

Um escritor relata as seguintes impressões recebidas durante um discurso que ouviu certa vez: "Ele conhecia seu tema a fundo, e também muito mais do que pudesse usar; mas não havia preparado seu discurso. Não se havia aprofundado no assunto. Não o tinha organizado de maneira ordenada. No entanto, com a coragem da inexperiência, mergulhou descuidada e cegamente em seu discurso. Não sabia aonde ia, mas estava a caminho. Logo, sua mente embaralhou-se e o banquete mental que ele nos serviu também foi embaralhado. Serviu-nos o sorvete primeiro, e depois colocou a sopa diante de nós. O peixe e os vegetais vieram mais tarde. Por último, serviu algo que parecia uma mescla de sopa, sorvete e uma grande tainha."
Certamente nenhum professor dedicado gostaria que se dissesse isto de uma de suas aulas. Portanto, depois de familiarizar-se com o assunto da lição e de determinar seu objetivo, o professor deve preparar a matéria de maneira lógica e ordenada para que possa produzir efetivamente o resultado planejado. Este é o tema do presente capítulo.
Vamos observar um professor em seu trabalho e ouvi-lo enquanto ele prepara sua lição para o próximo domingo, a qual se baseia, digamos, em Mateus 6:5-15. Ele dobra duas folhas de papel em forma de folheto para que caibam dentro da revista. Havendo esclarecido o assunto em sua mente, e lido o texto com atenção, prepara-se para fazer anotações. É claro que não deve depender inteiramente de seus apontamentos enquanto ensina; ele apenas dará uma olhada de vez em quando no esboço. O propósito principal do esboço é fixar a lição na mente de modo lógico e ordenado. É conveniente escrever bem nítido, e vale a pena você guardar esse esboço bem preparado, se além de professor também é pregador.
A maneira mais simples e prática de organizar um esboço de lição é seguir os três passos seguintes:
1. Introdução (o princípio).
2. Apresentação (o progresso ou desenvolvimento).
3. Conclusão (o fim ou recapitulação).
O professor escreve no papel com maiúsculas o título: O CRISTÃO EM ORAÇÃO, e sob esse título as referências bíblicas da lição, a data e o tema da série de lições. A seguir escreve com maiúsculas:
1. INTRODUÇÃO
Um professor que obteve grande êxito disse com razão: "O princípio e o fim: Estas são as partes mais difíceis de fazer-se com perfeição em quase todas as atividades." Por exemplo, em uma celebração social, os momentos mais embaraçantes não são os da chegada e os da saída, que precisam ser bem caprichados? Em uma entrevista sobre negócios, o mais difícil não é a apresentação, e o encerramento, que devem ser perfeitos? O mesmo acontece no ensino na Escola Dominical.
O propósito da introdução e apresentação do assunto é criar uma brecha na mente e coração dos ouvintes; o propósito da conclusão é regravar a lição depois que a receberam. E como a introdução consegue seu propósito? Captando a atenção e interesse dos alunos.
"Grande parte do êxito da aula depende de se começar apropriadamente — escreve Lawrence. — O professor não deve descarregar sua aula em cima dos alunos, como se despejam maçãs em uma cesta. O começo deve ser como um anzol com uma isca apetitosa, para que seja engolido logo no início; mas deve ser também como um arpão, que prenda o aluno e o mantenha fisgado." Estes são os minutos mais críticos para o professor, pois é quando conseguirá ou não despertar o interesse e fixar a atenção.
Nesta seção do esboço, o professor tem três lembretes sublinhados:
A. Faça o aluno pensar
B. Desperte seu interesse
C. Declare o tema da lição
Ampliaremos cada um destes pontos.
A. Faça o aluno pensar
(Refere-se aos pontos um e dois do segundo capítulo.) Nesta parte da lição o professor começará com as idéias do aluno mesmo, porque ensinar é explicar verdades novas com a ajuda de verdades já compreendidas. Weigle, em seu grande livro sobre o aluno e o professor, escreve: "Não se deve introduzir material novo nesta parte. Pode-se refrescar a memória dos alunos invocando ideias muito claras, já adquiridas, e que têm relação com as novas, ou chamar a atenção deles para coisas que tenham lido, ou fazê-los recordar-se de experiências da vida real. Seja qual for o assunto, deve-se perguntar: Esta ideia ajudará os alunos a compreenderem a lição de modo correto?"
Ouçamos os pensamentos do professor: "Que é que eles já conhecem acerca deste tema? Sobre os fatos já conhecidos eu posso acrescentar material novo. Como despertar-lhes o desejo de ir mais longe, de aprender e saber mais? Quase todos estavam presentes no domingo passado, e ouviram o missionário descrever as rodas de oração do Tibete. Os tibetanos oram fazendo girar a roda em que estão coladas as suas petições. Cada giro representa uma série de orações. Eu lhes perguntarei o que pensam deste tipo de oração. Então lhes mostrarei quão importante é conhecer a verdadeira forma de orar, conforme o ensino da Palavra de Deus na lição de hoje.
"No caso de os alunos estarem desatentos, ou preocupados com outras Coisas, e que eu tenha dificuldade em captar e reter sua atenção, eu poderia contar-lhes a seguinte história: 'Durante uma de suas reuniões evangelísticas, D. L. Moody, o famoso pregador, pediu a um irmão que orasse. Ele começou a orar, mas aparentemente não sabia terminar. Cinco, dez, quinze minutos se passaram. As pessoas começaram a inquietar-se. Finalmente, Moody se levantou de hinário na mão e anunciou: "Cantaremos agora um hino enquanto o irmão termina sua oração." Foi ótimo o evangelista fazer isso, porque na congregação havia um jovem inteligente que estava cansado da oração e ia retirar-se. Mas como ele mesmo disse depois, ficou impressionado pelo bom senso de Moody, e por isso ficou, e foi ao altar quando houve o apelo. Depois tornou-se um missionário conhecido pelo mundo todo.'
"Tenho certeza—concluiu o professor—de que eles compreende- riam o ponto central dessa historieta e apreciariam o valor de se conhecer a verdadeira forma de orar. No entanto contarei este caso apenas se houver uma emergência, porque é possível que os alunos se fixem mais na parte humorística da história que na moral da lição."
B. Desperte o interesse do aluno
Até este momento fizemos um contato com o aluno. E como já apresentamos o tema, nossa próxima tarefa será manter o aluno tão interessado no assunto que sua atenção seja permanente. Como se pode fazer isto? O conhecimento de uma verdade importante a respeito da natureza humana será útil neste caso. Cada descendente de Adão no fundo é egoísta. Não que todos se rendam a esse egoísmo, mas esse instinto está sempre presente. Em que se interessa mais o ser humano, a maioria das pessoas? Em si mesmo, claro!
Por exemplo, se você soubesse que o jornal da tarde conteria um parágrafo que falasse de você, que parte do jornal você leria primeiro? A resposta é evidente. Um aluno, conhecedor da natureza humana, disse que a maioria das pessoas gostaria mais que você falasse algo bom delas, em vez de dissertar acerca dos dez homens mais famosos da história.
Não menciono isto para rirmos do fato de que todos estamos muito interessados em nós mesmos, mas para mostrar como este conhecimento pode servir a um bom propósito. Até o Senhor apelou para o interesse próprio quando quis ensinar o amor a nosso irmão, dizendo: "Amarás a teu próximo como a ti mesmo." Vemo-lo também na regra áurea: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles."
Como podemos usar este princípio para interessar o aluno na lição? Mostrando-lhe o valor da lição, o que aquele conhecimento significa para ele mesmo.
Ouçamos ainda a ponderação do professor: "Se quero reter a atenção dos alunos sobre este tema por 35 ou 40 minutos, tenho que criar neles um desejo ardente de aprender a lição. Se consigo interessá-los na lição e motivá-los a aprendê-la, estarão prontos para aceitar a verdade. É natural que estejam interessados em adquirir poder. Então, eu lhes explico que a oração é a maior energia do universo, que a oração move a mão que rege o mundo. Talvez eu deva contar-lhes uma ilustração que mostra urá milagre real que a oração produziu. Tenho que fazê-los compreender com clareza o que a oração pode significar em suas vidas."
C. Declare seu tema com clareza
O professor apresentou o tema a seus alunos e conseguiu despertar o interesse deles; agora ele anuncia o título da lição que será ensinada.
"O tema deve ser breve e atraente — escreve Weigle. — Deve ser fácil de ser lembrado e servir como guia para uma recapitulação nas lições seguintes. Sempre que possível, deve-se anunciar o nome das personagens envolvidas, e o assunto da lição: A obediência de Abraão, disposto a sacrificar Isaque'; A bondade de José para com seus irmãos': A batalha de Josué contra cinco reis' são exemplos.
"A lição que estamos usando como modelo nós a poderíamos intitular: 'Cristo nos mostra a falsa e a verdadeira forma de orar' ou 'Jesus nos ensina a orar."'
O objetivo da lição, que é determinado pelo professor (veja o capítulo anterior), não deve ser declarado à classe. O professor lhes diz o que irão estudar, mas guarda para si o objetivo que se propôs atingir.
Antes de terminar esta parte do esboço, são necessárias duas sugestões: (1) Talvez pareça muito longo o tempo dedicado à introdução da lição. Mas a introdução deve ocupar somente uma pequena fração do tempo da lição. Se planejar cuidadosamente a lição, o professor será capaz de abranger muito material, e ao mesmo tempo ser breve e enfatizar o ponto principal. (2) Nesta parte da lição deve-se aproveitar a atividade dos alunos, e encaixá-la no objetivo proposto. É preciso fazer-lhes perguntas inteligentes, de modo que expressem seus pensamentos e conhecimentos.
Tendo preparado a introdução, o professor cuidará da parte principal da lição, conhecida como:
II. APRESENTAÇÃO
Nesta parte o professor:
A. Resume a lição
B. Desenvolve a lição
C. Ilustra a lição
A. Faça um resumo da lição
Um guia que quer conduzir um grupo de turistas pela parte mais bela do campo leva-os primeiramente ao alto de um monte, para que possam contemplar a paisagem com a visão de um pássaro. Os turistas deverão ver um panorama geral, toda a beleza da área que irão atravessar com vagar. De maneira semelhante o professor apresenta os pontos mais importantes da lição, para que o aluno tenha uma visão geral clara e abrangente do assunto.
Talvez você fique perplexo, não sabendo o que fazer com essa coisa misteriosa conhecida pelo nome de "esboço". Pois bem, o esboço tem um propósito: ajuda o professor a apresentar os fatos essenciais da lição de um modo ordenado.
Portanto, o professor prepara o seguinte esboço, que supomos esteja na revista ou em algum guia do professor:
I. Maneiras erradas de orar (Mateus 6:5, 7)
A. O erro dos judeus: Vangloriar-se.
B. O erro dos gentios: Repetições tolas.
II. Maneira correta de orar (Mateus 6:6, 8)
A.      Objetivo: Orar para ser visto e ouvido por Deus.
B.      Estratégia: Comunhão com a Infinita Inteligência.
III.     Um modelo: O Pai Nosso (Mateus 6:9-15)
A. Invocação
B.      Deus Seu nome Seu reino Sua vontade
C.      O homem Necessidades materiais Perdão
Libertação
D. Doxologia
O professor não deve ler seu esboço perante a classe de maneira rígida, e ao pé da letra. O esboço é um esqueleto que deve ser revestido com a carne de comentários oportunos. Por exemplo: "Consideremos primeiro algumas formas incorretas de orar, mencionadas por Cristo: Orar com o propósito errado de fazer alarde diante das pessoas, ou orar de maneira tola, repetitiva, como um disco que repete sempre a mesma coisa.
"Veremos que há duas correções para estes erros: Primeira, a oração secreta na presença de Deus. Segunda, a certeza de que ao nos dirigir a Deus, estamos falando à Pessoa Inteligente. Depois disto, estudaremos um modelo de oração inteligente, comumente conhecida como o Pai Nosso, a qual nos ensina a maneira correta de nos aproximarmos de Deus."
B. Desenvolva a lição
Chegamos à parte principal da lição na qual o professor, como hábil artesão, começa a trabalhar com os fatos ajustando-os de modo adequado, esclarecendo pontos difíceis, e desenvolvendo a aula para que produza o resultado desejado.
Como é que o professor realiza uma tarefa tão complicada? Depende do método que usar. Se a professora dirige uma classe de crianças, a base da aula é a narração. A professora terá de dominar a arte da narração. Se for usado o método de dissertação é necessário um esboço detalhado.
Imaginemos que o professor tenha uma classe de adolescentes ou adultos. É provável que use o método de perguntas. Nesse caso, o melhor esboço será o que se apresenta em forma de perguntas preparadas de antemão, que provoquem novas perguntas da parte do aluno. Cada uma dessas perguntas constitui o foco principal para a discussão de algum tema importante. Você já atirou alguma vez uma pedra nas águas de um lago plácido, e observou como se produzem ondas em círculos que se dispersam na direção das margens? Isto ilustra o efeito destas perguntas na fase do desenvolvimento da lição. São perguntas que estimulam a classe a aprofundar-se no tema e desenvolvê-lo. Novas perguntas podem ser feitas para obter-se respostas mais categóricas.
Para ilustrar: o professor prepara sua lista de perguntas (estão em negrito).
(1) Que é um hipócrita? (Note o versículo 5.) Temos aqui o princípio da lição sobre a hipocrisia. Esta pergunta também ativará a mente dos alunos e os fará lembrar-se de qualquer informação ou dados referentes ao tema. O professor hábil primeiramente utiliza as ideias que os alunos já tenham na cabeça. Depois que a classe tiver tido um momento para pensar na pergunta e algumas respostas tenham sido dadas, o professor pode "tirar sutilmente" da classe (recorde-se da definição de "educar") respostas corretas baseadas em perguntas como as seguintes: Podemos aplicar o termo "hipócrita" a um seguidor de Cristo que num momento de fraqueza caiu em pecado? Aplicaríamos a um membro da igreja que nunca foi verdadeiramente convertido? Chamaríamos assim a alguém que um dia se converteu, mas agora está vivendo em pecado? Olhe o versículo 5, e dê a descrição que Jesus faz de um hipócrita.
A classe já está pronta para outra pergunta.
(2) Você acredita que o Senhor está proibindo a oração pública? (Veja o versículo 6). Esta pergunta é o princípio do novo tema; os alunos receberam algumas ideias que agora podem ser expostas e desenvolvidas mediante perguntas como as seguintes: Vocês poderiam me dar uma evidência que prove que Jesus cria na oração pública? (Como veremos a seguir, respostas como "sim" e "não" de modo algum são suficientes, pois não dão evidências de que os alunos estão raciocinando.) Se ao dizer "visto pelos homens", o Senhor não estava proibindo a oração pública, então o que estava proibindo?
Isto basta para ilustrar a natureza e o uso do esboço feito de perguntas. Ao deixar este tema, no entanto, deixe-me sugerir os seguintes tópicos intitulados "não se esqueça":
1. Não se esqueça do limite de tempo. Escolha perguntas que toquem os pontos básicos da lição.
2. Não se esqueça de seu objetivo. Faça com que as respostas contribuam para o cumprimento total de seu propósito. Se comparamos as atividades da aula a uma roda, o eixo representa o objetivo principal, os raios correspondem aos diferentes pontos da lição e a borda, à vida dos alunos.
C. Ilustre a lição
Como meio de recapitulação voltemos à ilustração da edificação de uma casa:
1. Dominar a matéria e determinar o objetivo correspondem, digamos, a fazer um desenho da casa pronta, e elaborar a descrição detalhada da planta. Pode incluir a decisão quanto ao material que se há de usar.
2. A introdução da lição representa a abertura dos alicerces.
3. Resumir a lição é levantar as estruturas de concreto.
4. As perguntas correspondem às divisões revisadas. Pediu-se aos alunos que respondessem a algumas perguntas acerca do assunto.
5. Por meio de trabalhos práticos, por escrito, ou por meio de diálogo, o professor dará o acabamento à obra .
As ilustrações correspondem às janelas e às lâmpadas elétricas que iluminam as dependências da casa. As ilustrações esclarecem o tema, ajudam o aluno a compreendê-lo, e assim mantêm seu interesse. Por isso, é melhor o professor preparar uma lista de ilustrações. Não se consegue exagerar o valor das ilustrações na apresentação da lição. O tema da lição é tão importante que mais adiante dedicaremos um capítulo inteiro a ele.
Agora estamos prontos para o acabamento da casa, os retoques finais. Então chegamos à:
3. CONCLUSÃO
Na introdução colocamos os parafusos; na apresentação os apertamos, na conclusão os atarraxamos. Como o propósito da conclusão é garantir que a lição fique profundamente gravada na mente e no coração dos alunos, o professor chamará a atenção em dois sentidos:
Quanto à mente. Os pontos básicos da lição têm de "ser" resumidos para facilitar a tarefa de memorização.
Para averiguar se os alunos memorizaram as verdades compartilhadas, o professor lhes permitirá falar. Ele anuncia por exemplo: "Temos tempo para uma recapitulação breve antes que toque o sinal. Alguém pode dar-me o título da lição que escolhemos no princípio? Qual foi a primeira forma incorreta de orar que Cristo denunciou? E que solução prescreveu?
Qual foi o segundo método incorreto de orar que Cristo expôs? E qual a segunda solução? Diga qual foi a oração modelo que ele ensinou a seus discípulos. Alguém, por favor, mencione os pedidos quanto às coisas de Deus, e depois os pedidos quanto às coisas dos homens."
Quanto ao coração. Primeiro o professor criou na mente do aluno um desejo ardente de "saber". Agora, o professor se propõe uma tarefa mais importante ainda, que é criar no aluno o ideal firme de desenvolver esse conhecimento.
Um cientista muito conhecido disse certa vez: "A finalidade maior da vida não é conhecer, mas atuar." O conhecimento deve converter-se em ação. O que se disse a respeito da classe de homens tem utilidade para todos em geral: "Com muita frequência somos obrigados a deter-nos na teoria e nos conselhos, em nosso ensino. Nossas lições podem ter um sabor de algo fantasioso. Teorias e conselhos não é o que o jovem quer. Tal ensino falha quando colocado em contato com as verdadeiras responsabilidades e desafios da vida. Nenhum jovem quer meros conselhos nem meras teorias. O que ele mais almeja é a realidade. O que mais lhe interessa é a genuína atividade produtiva."
Apliquemos esta verdade à lição que estávamos usando como exemplo. O professor diz à classe: "A melhor maneira de aprender a nadar é nadando; a melhor maneira de aprender a patinar é patinando. Aprendemos executando. Pois a melhor maneira de aprender a orar é orando. Estou certo de que as lições que temos estudado chegarão a ser bênçãos constantes para nós, à medida que nos determinarmos a dedicar algum tempo diariamente à oração, meditação e leitura da Bíblia."
É impossível estabelecer regras seguras quanto ao método de aplicar a lição; tudo depende das circunstâncias e da direção do Espírito de Deus. Há vezes em que, se o professor ensinou bem, não é necessário fazer-se uma aplicação formal da lição; a Palavra mesma fará a obra. Outras vezes umas sugestões indiretas serão mais eficazes do que uma exortação direta.
Note como o Senhor aplicou a parábola do bom samaritano (Lucas 10:25-27). Depois de narrar a história, o Senhor poderia ter feito uma aplicação direta, dizendo ao doutor da Lei: "O mero fato de você fazer tal pergunta: 'Quem é meu próximo?' já indica sua falta de amor ao próximo. Se você fosse uma pessoa verdadeiramente amorosa saberia por instinto que qualquer ser humano que necessita de sua ajuda ê seu próximo. Você manifestaria o mesmo espírito daquele samaritano, e você 'seria' a melhor resposta à sua pergunta."
Mas o Senhor usou uma aplicação indireta. Ele fez com que o interrogado se expressasse ao dirigir-lhe a pergunta: "Qual destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos assaltantes?" Ele respondeu: "O que usou de misericórdia para com ele." Havendo interrogado o doutor da lei, Jesus reforçou a lição com o mandamento: "Vai, e faze da mesma maneira." Há uma admoestação nestas palavras — indireta. E o homem ficou com algo em que pensar por muitos dias.
Vemos que o Senhor fez com que o seu interlocutor respondesse à pergunta dele próprio. De modo semelhante o professor induz os alunos a expressar-se, como sugerimos em seguida: "Temos agora o conhecimento da forma de orar. Mas é suficiente saber orar? O conhecimento acerca da oração trará um avivamento? Então, o que é necessário para completar o conhecimento?" E a lição poderia terminar com a resposta: "Praticar o que se aprendeu: Orando"
O RESUMO
Deve-se calcular o tempo disponível ao preparar-se a aula, e ao colocar-se em ordem a matéria da lição. A aula pode ser comparada a uma viagem de navio, no fim da qual esperamos que o professor faça descer a escada e os passageiros desembarquem dentro do horário. A prática e a experiência ajudarão o professor a saber em que partes da lição deve colocar maior ênfase, e em que partes menor destaque, para que a aula se ajuste ao tempo que lhe foi determinado.
O esboço escrito pelo professor deve ser breve: um mero esqueleto da lição, que serve apenas para refrescar-lhe a memória. Fique bem claro que segundo o plano da aula, explicado neste capítulo, não se tenta restringir a liberdade do professor, obrigando-o a expor a lição de maneira inflexível e rígida. Trata-se antes de dar-lhe uma pauta, um guia para a organização de sua aula, uma apresentação ordenada da matéria que ele coligiu.
"Embora o professor tenha preparado o melhor esboço possível — escreve Suter — pode ocorrer uma situação inesperada que o obrigue a desviar-se no rumo estabelecido. É certo que isto lhe acontecerá uma ou outra vez. Não desanime. Existem razões legítimas para você desviar-se. Talvez um aluno provoque uma discussão por causa de alguma pergunta importante que ele fez, e que exige uma resposta instantânea. Pode estar aí uma oportunidade de ouro. Lembre-se de que o propósito fundamental do ensino bíblico é influir na vida das pessoas.
Talvez seja necessário e prudente "sair dos trilhos" por um momento; mas é muito importante que tenhamos um trilho do qual possamos sair quando conveniente.
Percorremos uma longa distância neste capítulo. Olhemos para trás para ver, de relance, o plano da lição:
I. Introdução
Propósito: preparar a mente e o coração do aluno
A. Fazendo-o pensar
B. Despertando seu interesse
C. Declarando-lhe o tema
II. Apresentação
Propósito: Compartilhar os fatos principais da lição:
A. Resumindo a lição
B.      Desenvolvendo a lição com perguntas, discussões e explicações
C.      Ilustrações
III.     Conclusão
Propósito: Resumir a lição e aplicá-la à vida com duas petições:
A.      Uma petição dirigida à mente

B.      Outra dirigida ao coração