terça-feira, 16 de setembro de 2014

3º Domingo de Setembro: "Dia da Escola Bíblica Dominical"



COMEMORANDO O DIA DA ESCOLA DOMINICAL
SÍNTESE HISTÓRICA

As origens da Escola Dominical remontam aos tempos bíblicos quando o Senhor ordenou ao seu povo Israel que ensinasse a Lei de geração a geração. Dessa forma a história do ensino bíblico descortina-se a partir dos dias de Moisés, passando pelos tempos dos reis, dos sacerdotes e dos profetas, de Esdras, do ministério terreno do Senhor Jesus e da Primitiva Igreja. Não fossem esses inícios tão longínquos, não teríamos hoje a Escola Dominical.
A Escola Dominical do nosso tempo nasceu da visão de um homem que, compadecido com as crianças de sua cidade, quis dar-lhes um novo e promissor horizonte. Como ficar insensível ante a situação daqueles meninos e meninas que, sem rumo, perambulavam pelas ruas de Gloucester? Nesta Cidade, localizada no Sul da Inglaterra, a delinqüência infantil era um problema que parecia insolúvel.
Aqueles menores roubavam, viciavam-se e eram viciados; achavam-se sempre envolvidos nos piores delitos.
É nesse momento tão difícil que o jornalista episcopal Robert Raikes entra em ação. Tinha ele 44 anos quando saiu pelas ruas a convidar os pequenos transgressores a que se reunissem todos os domingos para aprender a Palavra de Deus. Juntamente com o ensino religioso, ministrava-lhes Raikes várias matérias seculares: matemática, história e a língua materna - o inglês. Não demorou muito, e a escola de Raikes já era bem popular. Entretanto, a oposição não tardou a chegar. Muitos eram os que o acusavam de estar quebrando o domingo. Onde já se viu comprometer o dia do Senhor com esses moleques? Será que o Sr. Raikes não sabe que o domingo existe para ser consagrado a Deus?
Robert Raikes sabia-o muito bem. Ele também sabia que Deus é adorado através de nosso trabalho amoroso incondicional.
Embora haja começado a trabalhar em 1930, foi somente em 1783, após três anos de oração, observações e experimentos, que Robert Raikes resolveu divulgar os resultados de sua obra pioneira. Então, no dia três de novembro de 1783, Raikes publica, em seu jornal, o que Deus operara e continuava a operar na vida daqueles meninos de Gloucester.
HISTÓRIA DA ESCOLA DOMINICAL NO BRASIL
Os missionários escoceses Robert e Sara Kalley são considerados os fundadores da Escola Dominical no Brasil. Em 19 de agosto de 1855, na cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro, eles dirigiram a primeira Escola Dominical em terras brasileiras. Sua audiência não era grande; apenas cinco crianças assistiram àquela aula. Mas foi suficiente para que seu trabalho florescesse e alcançasse os lugares mais retirados de nosso país. Hoje, no local onde funcionou a primeira Escola Dominical do Brasil, ainda é possível ver o memorial que registra este tão singular momento do ensino da Palavra de Deus em nossa terra.
O primeiro trabalho promovido pela Igreja Presbiteriana em nosso país, em língua portuguesa, foi a Escola Dominical. Isso aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 22 de abril de 1862. A escola foi dirigida pelo Rev Ashebell Green Simonton, missionário presbiteriano.
A Escola Dominical é o principal instrumento de evangelização e instrução. Geralmente, ela nasce antes da Igreja, e o seu rol de alunos é, quase sempre, maior do que o rol de membros da Igreja. Sem ela seria muito difícil levar o evangelho até os confins da terra.
O terceiro domingo de setembro foi a data reservada pela Igreja Presbiteriana para a comemoração do Dia da Escola Dominical.

(Texto da pagina no Facebook Família Alegria : https://www.facebook.com/pages/Fam%C3%ADlia-Alegria/308915232461919?fref=photo)

Capítulo 13 - Ensinando Através de Perguntas


PEARLMAN, Myer. Ensinando com êxito na Escola Bíblica Dominical. Traduzido por Rejane Caldas. São Paulo: Editora Vida, 1995. 92 p.)

Há centenas de anos um sábio disse: "Uma pergunta sagaz é a metade do conhecimento." Esta declaração é verdadeira ainda hoje; boas perguntas proporcionam bom ensino, e quem sabe fazer boas perguntas geralmente é um bom professor. Na verdade, a pergunta é o instrumento mais útil e eficaz. As perguntas que você faz são valiosas porque obrigam os seus alunos a expressar-se, e assim completam o processo de aprendizagem. Talvez seu aluno tenha estudado a lição e ouvido sua explicação em classe. Isto causou uma impressão neles. Sua mente está cheia de pensamentos, sentimentos e problemas que se relacionam com essa impressão. Mas estas ideias não estão formadas de vez, na mente deles; são vagas e estão em desordem.
Mas, se você lhe fizer uma pergunta bem formulada, você estará pondo em movimento os rolamentos da mente do aluno. Leve-o a expressar-se e, em assim fazendo, o que ele estudou se aclara. Desaparecem a névoa e a confusão, e ele diz a si mesmo: "Ora, está tão claro; porque não pensei nisto antes?" Ele se alegra e surpreende-se com o que sai de sua própria mente.
Para produzir este efeito, as perguntas têm que ser hábeis e cuidadosamente preparadas. Para isto consideraremos os requisitos principais para formular as perguntas, e daremos algumas regras:
As perguntas são usadas para conseguir-se os seguintes resultados:
1. Desenvolver a lição.
2. Esclarecer a lição.
3. Fazer o estudante pensar.
4. Colocar ênfase nas verdades importantes.
5. Manter a classe ocupada.
1. Desenvolva a lição
Como a lição deve ser ensinada de forma ordenada, as perguntas devem ser preparadas numa ordem lógica. As perguntas da revista são mais para uso do professor, que dos alunos. Comece com perguntas simples para animar a classe.
2. Esclareça a lição
Para que as perguntas esclareçam a lição, não devem ser feitas de maneira que confunda os alunos. As seguintes perguntas confundem:
Perguntas compostas. Por exemplo: "Quem disse o que, e por que o disse, quando quase se afogou no mar da Galiléia?" (Veja Mateus 14:28). Aqui há em realidade quatro ou cinco perguntas: (1) Que aconteceu? (2) Quem gritou? (3) Que palavra gritou? (4) Porque gritou? (5) Como escapou?
Perguntas que contenham palavras técnicas, difíceis. Um dos princípios fundamentais do ensino é que a verdade deve ser adaptada à inteligência e ao conhecimento do aluno. Portanto a um grupo de adolescentes você não deve dirigir uma pergunta como a seguinte: "Foi premeditada a apostasia de Judas?" A Bíblia foi escrita na linguagem do povo; o Senhor disse: "Apascenta minhas ovelhas"; não disse: Apascenta minhas lanígeras. Nem meu gado ovino.
Perguntas que tenham mais de um sentido. Um professor perguntou a uma criança: "O que é preciso fazer antes que nossos pecados sejam perdoados?" A criança respondeu: "Primeiro temos que pecar." A resposta foi correta segundo o sentido em que a pergunta foi compreendida. A pergunta teria sido formulada melhor assim: "Se pecarmos, o que temos que fazer para ser perdoados?" Outra pergunta que poderia receber várias respostas: "Quem foi Pilatos?" Um romano; um governador; o que condenou Jesus a ser crucificado; um juiz.
Esta pergunta poderia ser desdobrada e mais bem formulada assim: "Qual era a nacionalidade de Pilatos? Qual era sua posição oficial? Qual era sua atitude para com os líderes judeus? Qual foi sua atitude para com Jesus?"
Perguntas vagas, como a seguinte: "Que acontece quando pecamos?" Esta poderia ser feita de modo mais definido: "Qual é o efeito do pecado na consciência, quando a pessoa peca?"
Perguntas que provocam discussões áridas, como a seguinte: "Por que Paulo estava fora da vontade de Deus quando foi a Jerusalém, depois de sua terceira viagem missionária?" Isto provocaria uma discussão inútil: "Mas estava mesmo fora da vontade de Deus?"
Perguntas longas. Por exemplo, a seguinte pergunta: "Vocês acham que nos dias do rei tirano e ciumento, que sempre suspeitava que alguém aspirava ao trono (o fato é que assassinou sua própria esposa e filho), seria prudente que alguém anunciasse o nascimento de outro rei (especialmente pelo fato de os magos o procurarem em segredo, sem divulgar notícias por toda a cidade) e se expusesse a si mesmo, e ao menino-Deus, à crueldade deste homem tão cruel, que sabendo que os judeus se alegrariam com a notícia de sua morte, mandou encarcerar alguns homens preeminentes em Jerico, para que fossem assassinados logo depois de sua morte, a fim de que a nação fosse obrigada a chorar pela sua morte?" Isto não é pergunta, é uma dissertação confusa.
Para resumir: as perguntas não devem confundir, mas devem ser claras e precisas. Não devem obscurecer o tema, mas jorrar luz sobre o terreno que será atravessado. As perguntas não devem revelar as respostas, porque isso impede o aluno de pensar. Que os alunos saibam muito bem o sentido das perguntas.
3. Faça o aluno pensar
"Nunca diga ao aluno o que ele pode dizer a você", eis um axioma antigo do ensino. Em outras palavras: "Dê ao aluno a menor quantidade de informações possível e exija dele o máximo de informações possível." O propósito do estudo e dos trabalhos práticos não é que o professor receba ajuda, nem que os alunos repitam as mesmas palavras que ouviram do professor, mas que aprendam e cresçam em Cristo.
Quando o camponês leva o grão para ser moído, não espera recebê-lo de volta da mesma forma que o levou; espera recebê-lo moído: a farinha, Você entrega o grão da verdade em sua aula, para que passe pelo moinho do estudo do aluno, de modo que se transforme no resultado almejado.
Se você quiser ter certeza de que seu aluno está verdadeiramente raciocinando, evite os seguintes tipos de perguntas:
Perguntas que sugerem a resposta. Por exemplo: "O que as pessoas devem confessar?" esta pergunta já responde a si mesma.
Perguntas que podem ser respondidas com um "sim" ou um "não". Tais respostas são meras conjeturas. Não dão sinal algum de que o aluno estudou, aprendeu e está raciocinando. Marion Lawrence nos diz: "Os alunos são bastante rápidos para dar a resposta que o professor quer, e chegam ao ridículo. Por exemplo, em nossa Escola Dominical, certa ocasião, o pastor fez uma experiência. Perguntou à classe toda com rapidez o seguinte:
— Alunos, vocês acham que devemos frequentar as aulas regularmente?
— Sim, pastor.
— Acham que devemos ser pontuais nos domingos pela manhã?
— Sim, pastor.
— Acham que devemos estudar nossa lição em casa?
— Sim, pastor.
— Acham que devemos trazer nossas ofertas todos os domingos?
— Sim, pastor.
— Acham que devo calar a boca agora?
— Sim, pastor.
Perguntas feitas e respondidas com as mesmas palavras da lição. Deve-se exigir dos alunos que respondam com suas próprias palavras, porque talvez elas conheçam as palavras das respostas sem ter a menor ideia de seu significado.
Joshua Fitch, famoso educador, insiste em que o aluno não use a linguagem das Escrituras em suas respostas, mas que responda à pergunta com suas próprias palavras. Ele dá a seguinte ilustração tomada de Lucas 10:30.
Acerca de quem é esta parábola? Um homem.
De onde ele descia? De Jerusalém.
Para onde ia? Para Jerico.
Nas mãos de quem caiu? Dos assaltantes.
Que fizeram com sua roupa? O despojaram.
Que fizeram com o homem? Espancaram-no.
Em que condições o deixaram? Meio morto.
Observe como o professor abarcou todo o tema da narração e fez uma pergunta sobre cada fato; até aí tudo bem.
Note porém que cada pergunta foi formulada com palavras muito semelhantes às da Bíblia, e requereu como resposta uma palavra apenas, fornecida também pela Bíblia. É muito fácil para um jovem, enquanto os ecos da narração bíblica estão em seus ouvidos, responder cada pergunta mecanicamente, sem nenhum esforço do raciocínio e nenhuma meditação.
Vamos recapitular o mesmo tema, apresentando-o de início com uma ou duas perguntas de introdução. Por exemplo:
Quem pronunciou estas palavras? A quem foram ditas? Por que foram ditas? Repita a pergunta feita pelo doutor da lei.
Do que trata a parábola? De um homem que saiu em viagem.
Que título se dá a quem viaja? Viajante.
Em que região viajava o homem? Pela Judéia.
Sigamos sua rota no mapa. Em que direção viajava? Para leste.
Através de que tipo de região ele viajava? (O professor ensina os fatos mais importantes relacionados aos aspectos geográficos.)
Quais seriam, na sua opinião, as condições daquela região naquele tempo? Ligeiramente povoado; o caminho solitário.
Como podem ter certeza disso? Naquela época os bandidos agiam no ermo. Hoje, assaltam em plena luz do dia, no centro da cidade, no meio do povo.
Dê outra palavra para "assaltantes". Ladrões.
Como os ladrões trataram este viajante? Tiraram suas roupas.
Que mais lhe fizeram? Feriram-no. Maltrataram-no muito.
Como se sabe pelo texto que o maltrataram muito? Porque o deixaram meio morto. Quase o mataram.
Observe que o propósito foi duplo. Primeiro, não sugerir a resposta pela redação da pergunta. Por isso as crianças têm de interpretar a linguagem bíblica em termos da vida atual. Segundo, não se conformar com palavras não relacionadas às perguntas, especialmente com as palavras específicas do próprio texto bíblico. Os alunos deverão usar suas próprias palavras, as mais conhecidas e mais simples.
O princípio de obrigar os alunos a usar suas próprias palavras quando falam ou respondem, você vê bem ilustrado no caso seguinte, relatado por W.P. Spilman. Um menino conta a história da lição com suas próprias palavras.
Foi nas montanhas de Wyoming, alguns quilômetros ao norte de Laramie. Pediram a um visitante que desse uma aula às crianças cujas idades variavam de sete a dez anos. A lição do domingo anterior havia sido sobre o bom samaritano.
Disse o professor: "Qual de vocês, crianças, pode contar-me a lição de domingo passado?" Várias mãos se levantaram. "Conte-nos tudo de que você se recorda", pediu o professor a um menino.
"Bem professor — disse o menino — a lição de domingo passado foi acerca de um assalto num desfiladeiro. Havia um homem viajando e uma quadrilha de bandidos o pegou, e quase o matou. Roubaram seu dinheiro, suas roupas e fugiram. Então passou um médico. Ele disse:
— Desse aí eu não vou curar; ele nem vai poder me pagar!
E seguiu adiante. Depois passou por ali um pregador. Ele olhou o homem e disse:
— Este não é da minha igreja!
E continuou seu caminho. Então chegou um caipira em seu cavalo. Apeou e disse:
— Esse coitado está muito ferido.
Então o colocou em seu cavalo, e o levou a uma pensão, e instruiu o dono:
— Olhe, bateram neste viajante no desfiladeiro e o feriram. Faça o favor de cuidar bem dele. É meu amigo. Aqui está o dinheiro. Se faltar algum, quando eu voltar da fazenda, lhe pagarei."
Vemos que a linguagem em que foi relatada esta parábola talvez não seja literária, mas quem pode duvidar de que aquele menino havia entendido a lição?
Atenção: o professor deve ter muito cuidado em não desanimar um aluno, ao recusar-lhe a resposta, que pode ser imperfeita ou incompleta. Deve o professor, com tato, dar-lhe crédito e corrigir sua resposta. Se o aluno comete alguns erros quando responde, é melhor deixá-lo que continue, sem interrupção, porque o propósito principal quando você lhe faz uma pergunta não ê apenas receber uma resposta exata, mas ensinar o aluno a expressar-se por si mesmo e a compreender a verdade. E ainda que a resposta esteja errada, ela exerce uma função importante: ela orienta o professor a corrigir algum conceito equivocado na mente do aluno.
4. Enfatize as verdades importantes
Não se deve perguntar ao aluno detalhes insignificantes, não essenciais. "Fazer uma pergunta é dar ênfase à coisa perguntada — escreve Weigle — porque se torna o centro do pensamento naquele instante. A questão fica impressa na mente do aluno e adquire certa dignidade e importância em sua visão. Por exemplo, se você lhe pergunta: Quando o Senhor Jesus disse que devemos entrar no aposento, referia-se ao dormitório ou a uma sala qualquer? e perdesse cinco minutos ou mais discutindo o assunto, estaria desperdiçando tempo em detalhes menores; porque o ponto importante da lição não é o lugar da oração, mas a maneira de orar."
A pergunta e a resposta devem formar as duas partes importantes da verdade de que valerá a pena lembrar-se. Por exemplo, você lhe pergunta: "Enquanto Pedro observava o jovem rico retirar-se, que pergunta fez?" (Mateus 19:27-29). O aluno raciocinará como segue: "O que tem a ver o jovem rico com a pergunta de Pedro? Já sei! Pedro estava comparando-se com este jovem rico que havia recusado abandonar tudo por Cristo, e por isto perguntou: 'Nós deixamos todas as coisas, e temos te seguido; o que receberemos?'"
Tomemos outro exemplo: "Que fez Jesus quando percebeu que os apóstolos não praticariam o dever hospitaleiro de lavar os pés uns aos outros?" O aluno dirá a si mesmo: "Bem, vejo uma nova luz neste tema. Cada um pensou que se rebaixaria muito lavando os pés de seus irmãos, então o próprio líder se humilhou e fez com que se envergonhassem."
Temos aqui uns exemplos de perguntas que ensinam, pois uma pergunta boa resulta em uma resposta boa.
5. Mantenha a classe ocupada
Ao fazer perguntas você deve envolver a classe inteira, e não apenas alguns alunos.
Seu propósito como professor é manter todos interessados e ocupados. No que se refere a este item as seguintes sugestões serão úteis.
Evite a predileção. Um professor experiente nos diz: "Sempre há um 'sabe-tudo' com muita vontade de fazer alarde e sobressair, respondendo a todas as perguntas que o professor faz. Isto você não deve permitir. Existem aqueles alunos que só podem responder as perguntas mais simples. Faça a eles as perguntas simples, especialmente no princípio, e faça as perguntas mais difíceis aos alunos mais adiantados. É péssimo demonstrar favoritismo na avaliação das respostas; péssimo para os que respondem e para os que não se sentem à vontade ao responder."
Evite repetir a pergunta em benefício de um aluno desatento. Não convém que o tempo de aula seja perdido por causa de um aluno negligente. Se o professor dirigir-se de imediato a outro aluno, terá ministrado um ligeiro castigo ao desatento, a quem desse modo chamou à atenção.
Pergunte ao mesmo aluno mais de uma vez. Isto evita que o aluno pense que depois de responder a uma pergunta sua tarefa na classe esteja concluída.
Volte a perguntar ao aluno que não responde. Se o motivo de não responder foi causado pela negligência no estudo, ele se lembrará de sua responsabilidade; se a causa é a falta de capacidade, então sua paciência como professor será um estímulo para ele.
Dirija a pergunta a toda a classe. Se você diz: "João Silva, quero que responda a esta pergunta", os demais alunos dirão a si mesmos: "Bem, essa pergunta é do João", e deixarão para ele todo o trabalho. Para obter a atenção de toda a classe, antes de fazer-se uma pergunta, você poderá dizer: "Ouçam atentamente, porque tenho uma pergunta importante para vocês." Havendo despertado o interesse e feito a pergunta, o professor pode escolher um aluno e dizer: "Bem, José, pode responder à pergunta."
Por que escolher José? Porque ele é o rapaz que menos presta atenção à lição. Se ele entender que sua falta de atenção o impede de responder à pergunta, é muito provável que passe a prestar atenção para evitar o "desprestígio" diante de toda a classe.

Que Deus abençoe o seu trabalho, professor, na formação do caráter de crianças e adolescentes, e na renovação dos adultos que se converteram, e devem crescer em Cristo.

Capítulo 12 - Impressões e Expressões


PEARLMAN, Myer. Ensinando com êxito na Escola Bíblica Dominical. Traduzido por Rejane Caldas. São Paulo: Editora Vida, 1995. 92 p.)

No capítulo dois você aprendeu que um dos princípios fundamentais do ensino é a atividade do próprio aluno, isto é, o aluno deve expressar-se de alguma maneira, deve ser levado a pensar e atuar. Na verdade, dez minutos de trabalho realizado pelo aluno valem muito mais do que uma hora de trabalho feito pelo professor — no que concerne ao ensino eficaz.
Amos R. Wells ilustra esta verdade da seguinte forma: "Há certo tipo de professor que se coloca diante da classe de fuzil na mão e dispara-o para todos os lados. Outro tipo de professor é o que usa o aluno como fuzil; o professor apenas aperta o gatilho. Com toda certeza, os alunos já estão sobrecarregados de tentações, tribulações, necessidades e curiosidades, mais as informações porventura tiradas do estudo da lição. Despertando o interesse dos alunos, o professor supre a pólvora; mediante perguntas hábeis, ele aperta o gatilho."
Este é um modo simples de dizer que o melhor professor é o que ensina o aluno a ensinar a si mesmo. É evidente, portanto, que não há aprendizagem sem atividade mental da parte dos alunos. E para assegurar a atividade mental, o aluno deve ser guiado de alguma maneira para que expresse seu pensamento.
Há dois passos principais no processo de aprendizagem: primeiro, a impressão feita na mente do aluno pela leitura, estudo da lição e as observações do professor; segundo, a expressão do aluno, ao emitir os resultados de seus estudos ou trabalho intelectual. É a expressão que completa o processo de aprendizagem e dá ao aluno a posse da verdade, porque somente o que expressamos é verdadeiramente nosso. Ao ensinar, a impressão deve ser seguida da expressão. Consideremos três ilustrações que explicam esta verdade.
Esse princípio abarca a verdade no reino espiritual. Os líderes espirituais sábios devem pedir aos novos convertidos que expressem sua recente experiência espiritual em alguma forma de serviço: testemunho, trabalho pessoal, etc. Por quê? Porque a vida que não se manifesta , morre. Perdemos o que não praticamos. "Se sabeis estas coisas (declarou Jesus), bem-aventurados sereis se as praticardes."
Os professores mesmos têm experimentado esta grande verdade: é certo que aprendemos fazendo. Você, professor da Escola Dominical, esforça-se por preparar bem seu material, e chegar à classe com o coração e mente cheios da verdade? Ótimo. Mas você não aprende a lição de fato enquanto não a tiver ensinado ou expressado. Porque pelo ato de ensinar as verdades, que talvez estivessem incertas e sem forma, em sua mente, você as aprendeu com maior exatidão. Tomaram forma ao passar de sua mente para a de seu aluno; os fatos que pareciam um tanto áridos acenderam-se ao contato do fogo divino, ao passar de coração para coração. E muitas vezes você sai emocionado da classe, por causa do poder da verdade que aprendeu enquanto a ensinava.
Digamos que dois garotos começassem a escutar os planos e a descrição detalhada do Tabernáculo, como estão em Êxodo 25 a 40. Um garoto lê os capítulos e os entende inteiramente. O outro estuda os mesmos capítulos e a seguir constrói um modelo do Tabernáculo. Qual dos dois conhece mais o Tabernáculo? O que construiu o modelo, por certo, porque somente aquilo que podemos recriar por nossa própria atividade é que verdadeiramente possuímos. Todas as vezes que um aluno expressar-se por si mesmo, quanto a algo relacionado à lição, ele estará ocupado em uma atividade criativa.
De que maneira os alunos podem expressar-se a si mesmos? Cada departamento da Escola Dominical tem sua forma de expressão. Para os pequeninos, assume a forma de brincadeiras ou atividades físicas; para as crianças do curso primário, a auto-expressão assume a forma de desenhos com lápis de cera ou tinta, recorte de figuras de revistas, representando as personagens da história; os alunos intermediários acharão sua forma de expressão no trabalho manual, na página escrita, no artesanato, e nas tarefas de memorização; nos departamentos de jovens e adultos, as respostas escritas e os trabalhos de pesquisa proverão a maneira de auto-expressão.
Em nosso próximo capítulo falaremos de um dos meios mais eficazes para você obter a expressão de seus alunos: fazendo perguntas.

Capítulo 11 - Narração de Histórias




PEARLMAN, Myer. Ensinando com êxito na Escola Bíblica Dominical. Traduzido por Rejane Caldas. São Paulo: Editora Vida, 1995. 92 p.)

Diz-se muito bem que "de todas as coisas que o professor deve saber, a mais importante, sem sombra dúvida, é saber contar histórias". A razão disso é que a história é uma das formas mais vitais, interessantes e efetivas de apresentar as verdades espirituais. E a "verdade convincentemente apresentada mediante uma boa história é a maior força que o mundo conhece", declara um professor de grande experiência em narração de histórias. Trata-se de uma verdade concernente às crianças. As influências recebidas pela criança durante os cinco ou seis primeiros anos, mais do que no resto de sua vida, são as mais poderosas na formação do caráter. Por meio de histórias bem narradas, os interesses, inclinações e emoções da criança podem ser encaminhados para o bem, com repúdio do mal.
Comovidas e emocionadas pela história, a que dedicam todo interesse, as crianças tornam-se ouvintes reverentes e, à medida que sua compaixão ou aversão é despertada, pela representação das cenas e personagens, as crianças podem ser guiadas a amar a retidão e a odiar o pecado, com a mesma segurança e tranquilidade com que aprendem a tabuada. Em todos os lugares do mundo, e em todos os séculos, enorme tem sido o poder das histórias para formar o caráter das crianças, imprimir ideais, criar atitudes e ensinar princípios. Portanto, a habilidade do professor em narrar as histórias da Bíblia, e as dos grandes heróis e heroínas da fé, e outras histórias do mundo em que vivemos, relacionando-as ao testemunho cristão, é uma força miraculosa que atrai as crianças a Cristo.
Também se desperta a atenção dos adultos mediante uma boa história. As editoras editam romances aos milhares, a televisão exerce um fascínio escravizador, em resposta à constante demanda do público. Poucas dessas histórias têm algum valor. A grande maioria não vale nada, do ponto de vista literário, artístico e moral, e muitas são prejudiciais. A grande vendagem de romances e as elevadas audiências de novelas de televisão são uma prova de que os adultos também gostam de histórias. Por isso, o professor sábio utiliza histórias com os mais elevados propósitos: transmitir a verdade espiritual. As histórias têm valor inestimável para captar a atenção. Uma congregação se distrai e, sonolenta, em plena discussão doutrinária, perde todo o interesse pelo que o pregador diz. Mas se o pregador se puser a contar uma história, as pessoas semi-adormecidas despertam de imediato.
O QUE É HISTÓRIA?
História é definida como "o registro de fatos Importantes, relacionados entre si; a descrição de fatos relevantes do passado". Mas o tipo de história que temos em mente para a Escola Dominical abrange mais coisas do que diz esta definição. Por exemplo, enunciamos o fato de que na noite anterior um ladrão roubou uma bicicleta do pátio do templo; é uma história que não desperta o interesse das crianças que nos ouvem.
A história que tem valor no ensino deve despertar emoções, incitar o interesse e gravar uma verdade no coração. É uma "fotografia" que chama a atenção, desperta o interesse e mexe nos sentimentos. A melhor forma de indicar que certa história tem valor no ensino da Escola Dominical é a comprovação de seu êxito. Uma boa história:
1. Desperta o interesse.
2. Inspira amor.
3. Retrata a realidade.
4. Influi na conduta.

l. Uma boa história desperta o interesse porque o ser humano tem atração inata pelo que acontece a seus semelhantes
O valor maravilhoso de uma boa história está em seu poder de criar interesse e proporcionar prazer. O ouvinte comove-se diante de personagens e cenários, e o que acontece e o que se diz tocam em seus sentimentos. Tais personagens e cenários passam lições práticas a quem ouve, as quais ficam gravadas em sua mente. O valor da história é indireto. Enquanto o aluno está fascinado, cheio de interesse, e vai acompanhando o desenvolvimento da trama, aprovando ou desaprovando a atitude desta ou daquela personagem, mas sempre fascinado, a lição moral vai entrando pela porta que se lhe abriu na mente. O aluno nem percebe que está sendo influenciado.
Natã usou esse método para levar Davi a sentir na consciência a culpa de seu duplo crime (2Samuel 12:1-7). O profeta não começou "abrindo o jogo de vez", porque com toda probabilidade o rei se defenderia, criando uma barragem de argumentos e desculpas. Mas Natã empregou o método indireto para captar a atenção do rei e despertar seu interesse, contando-lhe uma história. A intenção aparente do profeta foi trazer perante Davi um caso judicial. Natã relatou-lhe a seguinte história:
"Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. O rico tinha ovelhas e gado em grande número, mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e criara, e que em sua casa crescera, junto com seus filhos. Do seu bocado comia, do seu copo bebia, e dormia em seu regaço. Ele a linha como filha. Chegando um viajante ao homem rico, não quis este tomar das suas ovelhas e do gado para dar de comer ao viajante que viera a ele. Em vez disso, tomou a cordeira do pobre, e a preparou para o homem que lhe havia chegado."
Note o que aconteceu. O interesse de Davi se despertou imediatamente e seu coração comoveu-se. Sentiu grande pena, que talvez tenha trazido lágrimas a seus olhos, daquele homem pobre de quem haviam roubado a única ovelha. Davi sentiu uma indignação violenta contra o cruel homem rico, e declarou-o digno de morte, e que devia pagar pela cordeirinha quatro vezes mais.
Até esse ponto o rei não percebera que a história descrevia seu próprio pecado. Ainda não havia entendido que sentia pena do homem a quem ele mesmo havia feito mal, quando na verdade estava pronunciando sua própria condenação. A história produzira o efeito que Natã desejava. Bastaram apenas quatro palavras para aplicar a lição à consciência de Davi e fazê-lo prostrar-se até o pó em arrependimento: "Tu és esse homem."
2. O inspirar amor
As histórias influem na conduta humana porque sensibilizam o coração e fazem as pessoas sentirem as emoções que empolgam as personagens da história. O ouvinte é motivado a admirar a retidão, a ter empatia pelo misericordioso e a detestar o pecado. Por um momento o aluno se esquece de si mesmo, e começa a pensar, a sentir e a agir como as personagens da história. O coração é a sede das emoções. Mediante as histórias bíblicas as emoções podem levar a pessoa na direção de Deus, e da retidão, e incitá-las contra o diabo e todo o mal.
Um dia Jesus confrontou os líderes judeus, descendentes dos que apedrejaram os profetas, e cujos corações estavam cheios de ódio contra o Senhor. Para fazê-los sentir a situação em que estavam, e obrigá-los a pronunciar sua própria condenação, relatou-lhes a seguinte história registrada em Mateus 21: 33-40.
Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha. Circundou-a com um muro, construiu nela um lagar, edificou uma torre, arrendou-a a uns lavradores e ausentou-se do país.
Chegado o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos.
Os lavradores, agarrando os servos, feriram a um, mataram a outro, e apedrejaram a outro.
Então enviou outros servos, em maior número do que os primeiros, e eles fizeram-lhes o mesmo.
Por último enviou-lhes seu filho, dizendo: Respeitarão a meu filho.
Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: "Este é o herdeiro. Vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança."
Assim, agarraram-no, arrastaram-no para fora da vinha, e o mataram.
Portanto, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles lavradores?
O interesse deles na história chegou a ser tão grande que por um momento esqueceram sua animosidade e ouviram com atenção; e fizeram mais ainda: eles se identificaram com as personagens da história. Podemos imaginar um desses fariseus, que fosse também proprietário, dizendo de si para si: "Lavradores perversos! Não só se recusam a pagar o arrendamento, como também maltratam e assassinam os cobradores. Eu nunca suportaria esse tipo de arrendatário, eu nunca teria a paciência desse proprietário. No primeiro ato de violência deles eu teria levado um destacamento de soldados romanos à fazenda. Umas boas chibatadas e um longo tempo na prisão teriam ensinado àqueles ladrões assassinos como deveriam comportar-se."
Podemos imaginar os pensamentos de um dos sacerdotes: "Não posso pensar num exemplo mais chocante de violação ímpia de obrigações solenes! Por certo a justiça divina pediria a pena de morte para esses vilões assassinos!"
A resposta deles à pergunta que Cristo lhes fez no versículo 41 indica que ficaram comovidos: "Responderam-lhe: Destruirá de maneira horrível a esses infames, e arrendará a vinha a outros lavradores, que no devido tempo lhe enviem os frutos." Na verdade, pronunciaram sua própria condenação. Bastariam umas poucas palavras de Cristo para que a conhecessem. "Portanto, eu vos digo que o reino de Deus (simbolizado pela vinha) vos será tirado (líderes religiosos), e será entregue a um povo (uma nova nação escolhida, a Igreja) que produza os seus frutos." Sem perceber, aqueles líderes falsos reconheceram que, como descendentes dos perseguidores dos profetas, seriam os assassinos conscientes do Messias, o Filho de Deus.
Se ao narrar uma história, Cristo pôde comover até mesmo seus inimigos, quanto mais o Espírito Santo despertará e influenciará as pessoas, especialmente as crianças, cujos corações são sensíveis ao desenrolar de uma história!
3. A história deve reproduzir a realidade
As histórias tornam real o ensino espiritual porque apresentam princípios morais e espirituais em ação. Certo dia, um doutor da lei perguntou a Jesus: "Quem é meu próximo?" Lendo nas entrelinhas, nos inclinamos a crer que este professor da Lei talvez fosse culpado de alguma conduta repreensível em relação a alguém, talvez um estrangeiro, talvez um pobre. Por trás de sua pergunta via-se o desejo de "justificar-se a si mesmo".
Por certo, Jesus poderia ter respondido em poucas palavras, dizendo ao homem que a pergunta dele, em si mesma, dava a entender que lhe faltava o espírito de amor ao próximo. Mas sendo Jesus o Mestre por excelência, usou a história do bom samaritano para demonstrar o espírito de amor em ação. No homem que foi brutalmente machucado pelos ladrões, o doutor da lei viu o símbolo e a imagem viva da humanidade necessitada. Na indiferença endurecida do sacerdote e do levita ele deve ter visto sua própria falta de compaixão. E no samaritano bondoso viu a representação do próximo.
Aquele samaritano, que representava o amor ao próximo em ação, foi a resposta à pergunta do doutor da lei. Ele a entendeu, porque quando Cristo perguntou: "Quem, pois destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?", ele respondeu: "O que usou de misericórdia." Ele havia recebido mais que um conhecimento intelectual do tema; ele havia visto e sentido o tipo de pessoa que deveria ser.
4. Inspirada na realidade, a história influi na conduta
Quando as verdades se encarnam e se tornam testemunhos reais, ao serem acentuadas nas personagens de uma história, o resultado é a sua influência positiva na conduta do aluno. Quando as emoções são despertadas, e o aluno é levado a sentir respeito pelo bem, e desprezo pelo mal, segundo as ações das personagens da história, aqueles exemplos influem poderosamente nele. Vendo que o doutor da lei ficara comovido pela história do bom samaritano, o Senhor Jesus lhe disse: "Vai e faze tu o mesmo."
COMO NARRAR UMA HISTÓRIA
Para narrar uma história eficazmente, você precisa:
Conhecê-la bem Vê-la em detalhes Vivenciá-la
l. O professor deve conhecer bem a história
Você não pode fazer uma descrição viva das cenas da história, do ponto de vista do aluno, sem dominar completamente todos os seus elementos. Para dominá-la, as seguintes sugestões são muito úteis:
Memorize e ensaie a história. Isto envolve muito trabalho. A inspiração virá quando o professor confrontar a classe. Não é necessário que a história seja repetida de cor, palavra por palavra; essencial é que o narrador tenha uma clara visão mental de cada cena, de cada personagem, dos costumes, dos diálogos e da sequencia certa.
Simplifique a história. Elimine detalhes inúteis, incidentes e personagens insignificantes que talvez impeçam o suave e bem ordenado fluxo dos acontecimentos. Katherine Dunlop Cather, que narrou muitas histórias às crianças, nos deu o seguinte exemplo de uma história bíblica bem narrada.
Como Davi usou sua harpa?
Entre as colinas ensolaradas de Belém, Davi, o pastorzinho, cuidava de suas ovelhas. Era um bom pastor. Ele guiava o rebanho por pastos verdes e águas tranquilas, vigiando sempre, para que nenhum mal acontecesse às ovelhinhas. Algumas vezes cantava hinos seguindo as ovelhas pelo declive, e outras vezes cantava enquanto tocava harpa, que se ouvia até do outro lado da colina.
No mesmo país vivia um rei cujo nome era Saul. O rei Saul era muito infeliz. Estivera enfermo durante muito tempo, e nada do que os médicos e os homens sábios do país fizeram por ele, melhorou sua saúde. Ele tinha até esquecido como era sorrir, e devido aos pensamentos tristes e sombrios que sempre tinha, fundas rugas marcavam seu rosto. Um dia alguns homens sábios perguntaram uns aos outros se a música não ajudaria o rei a sarar. Disseram ao rei o que estavam pensando, e ele lhes respondeu:
— Procurem alguém que toque harpa e tragam-no aqui.
— Há um pastor de Belém que toca habilmente — disse um deles. — É forte, amável e de boa aparência. É filho de Jessé e se chama Davi.
Mandaram um mensageiro buscá-lo. Enquanto Davi ia para lá e para cá com seu rebanho, acariciando as ovelhas mansas, e vigiando para que não se desviassem por lugares perigosos, chegou-lhe o recado do rei. Seu pai lhe deu pão e outras coisas boas como um presente para o rei Saul. Então Davi empreendeu sua viagem.
Quando chegou à presença do rei começou a tocar sua harpa. Tocou uma música que ele havia composto para as ovelhas ao anoitecer, quando as sombras escureciam as colinas e ele levava as ovelhas para o curral. Depois tocou uma música que até os grilos, as codornas e as lebres paravam para ouvir. E também tocou os cânticos que os camponeses entoavam em suas reuniões e festas. O rei gostou tanto da música que começou a sorrir. Esqueceu-se de seus pensamentos tristes e sentiu-se muito melhor. Logo ele se restabeleceu. Era agora um rei muito feliz. E Davi era feliz também. Estava contente pensando que ele havia ajudado a curar o rei com sua harpa e seus cânticos.
Depois disto, cada vez que Saul adoecia ou estava em dificuldade, Davi tocava e cantava para ele, e o alegrava. Dali a pouco, o próprio Davi chegou a ser rei de Israel, e escreveu para nós muito salmos lindos.
Ao relatar uma história, deve-se observar uma ordem lógica nos acontecimentos. Nada põe a perder uma boa história mais depressa do que a falta de memória do narrador, quando este para e exclama: "Oh! Esqueci-me de um detalhe, eu me esqueci de dizer-lhes que..."
Um resumo ajuda a lembrar a ordem dos acontecimentos. Por exemplo, notemos cuidadosamente a seguinte sinopse da história do dilúvio, contada segundo Cather:
* Uma raça de homens poderosos; todos se tornavam maus enquanto cresciam em força; só Noé permaneceu bom.
* A maldade deles aborreceu a Deus, que resolveu destruí-los; e mandou Noé edificar uma arca.
* Noé edificou a arca; ele, sua família e os animais entraram nela.
* Veio o dilúvio.
* A tempestade passa; Noé deixou sair o corvo e a pomba; a pomba volta.
* Solta-a pela segunda vez; volta com uma folha de oliveira.
* Noé sai da arca com sua família e todos os animais.
* Edifica um altar ao Senhor.
Retenha na mente quanto possível as conversas e as palavras exatas das diferentes personagens. É mais eficaz usar a primeira pessoa do singular do que a terceira. Leia a história de Jesus transformando a água em vinho, e note como lhe pareceria insípida se toda a conversa direta fosse eliminada, passando à indireta. Por exemplo, compare a seguinte declaração: "Sua mãe disse aos servos que fizessem qualquer coisa que ele lhes mandasse", com esta: "Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo o que ele vos disser."
2. O professor precisa "ver" a história toda
Não somente a história deve estar na sua memória, mas também em sua imaginação. Só assim você conseguirá despertar a imaginação dos alunos. Digamos que o tema da lição é a história de Zaqueu. Enquanto o professor fala, os alunos se esquecem de que estão no Brasil. Acham que estão em uma estrada quente e poeirenta da Palestina. Caminham com a multidão sob um sol abrasador. De súbito a multidão é atraída. Os alunos veem vários tipos de pessoas: os arrogantes saduceus, vestidos de branco, olhando os outros com desprezo; os santarrões fariseus, com seu livros de orações, procurando erros que possam criticar; o coxo andrajoso que arrasta os pés pedindo esmolas; o publicano de olhar astuto e suspeito; um soldado romano revestido de armadura resplandecente. No centro da multidão, Cristo fala aos discípulos. Está rodeado por um grupo de discípulos entusiastas que creem que ele vai a Jerusalém para estabelecer o Reino.
Então, prossegue a história e a atenção dos alunos é atraída para um homenzinho chamado Zaqueu, equilibrando-se nas pontas dos pés, depois correndo de um lado para outro em vão, tentando ver o grande Rabi. Empurrado e abominado pela multidão, que não gosta da audácia daquele "apóstata publicano", Zaqueu de repente corre adiante e agilmente trepa em uma árvore. Daquele posto privilegiado ele observa, com olhos inquietos, a multidão ali embaixo. Por fim vê Jesus! Mas será que Jesus o vê?
E continua a história.
É assim que você deve proceder para fazer com que seus alunos ouçam e "vejam" as diferentes cenas e personagens da história. Todavia, em primeiro lugar, você mesmo tem de vê-las.
3. O professor precisa vivenciar — "sentir" a história

É inútil você contar uma história de que você mesmo não goste. É necessário que você próprio esteja comovido e profundamente empolgado pelo que vê. Isto, para que "o transbordamento do coração regue os lugares secos de outros corações". Sua própria imaginação e emoções têm que estar despertas se você quiser despertar emoções nos alunos, de modo que vejam e sintam as cenas e as emoções por si mesmos. Quando você se comove diante das cenas e personagens da história que está contando, você não terá que preocupar-se com os atos apropriados, as expressões mais corretas, nem com a eloquência, porque "a boca fala do que está cheio o coração".

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Capítulo 10 - Usando os Olhos

(PEARLMAN, Myer. Ensinando com êxito na Escola Bíblica Dominical. Traduzido por Rejane Caldas. São Paulo: Editora Vida, 1995. 92 p.)


Diz-se que 85% de nossos conhecimentos são adquiridos mediante a visão. "Ver uma coisa vale cem vezes mais do que ouvir sobre ela", diz um provérbio japonês. Não há dúvida de que uma das formas mais impressionantes e eficazes de ensino é levar a verdade à mente e ao coração através dos olhos. Objetos, desenhos e fotografias proveem uma linguagem simples para adultos e crianças. Captam a atenção, retêm o interesse e esclarecem os problemas. Por isso, o ensino mediante os olhos é um meio importante de compartilhar verdades espirituais, especialmente às crianças. Há muitas maneiras de ensinar as verdades bíblicas mediante a visão. Vamos considerar as seguintes:
1. O quadro-negro
2. Os objetos
O USO DO QUADRO-NEGRO
A experiência seguinte talvez seja partilhada por muitos professores: "Eu tinha que suportar domingo após domingo um grupo de crianças sem nenhum interesse pelo que eu tentava ensinar-lhes. As crianças se aborreciam. Parecia que a única maneira de estarem despertas era incomodando sem cessar, rindo sem motivo ou passando bilhetes entre si. Um ano inteiro passei por este tormento. Os domingos chegaram a ser dias de terror imenso. Não importava o que eu tentasse usar, os jogos, recursos: eu não conseguia despertar nas crianças nenhum interesse pelas histórias da Bíblia. Foi quase sem querer que passei a fazer desenhos simples num quadro-negro. Desenhos péssimos, especialmente a princípio. Eu desenhava com pressa, enquanto falava à classe. Enchia o quadro-negro de riscos que eu chamava de montanhas, árvores ou pessoas, e apontava flechas, enquanto ministrava a lição. E as crianças passaram a interessar-se tremendamente pelas lições!"
Outro professor se queixava: "Eu não conseguia captar a atenção daqueles garotos. O superintendente da Escola Dominical me aconselhou a tentar o uso de um quadro-negro e giz na aula. "Após ter posto em prática o conselho, o professor manifestou seu entusiasmo: "Não tive mais a mínima dificuldade em obter a atenção deles e sei agora que devo usar esta técnica sempre".
Poderíamos citar mais algumas experiências, mas já dissemos o suficiente para provar que o quadro-negro é de grande valia para o professor.
Como usar o quadro-negro? Escreveremos uma série de esboços ou desenharemos algo bem bonito, antes que os alunos cheguem à classe? Não. Isto produz resultados exatamente opostos aos esperados, por duas razões:
Primeira, os alunos ficariam tão ocupados esquadrinhando a obra artística, ou lendo, que prestariam pouca atenção às palavras do professor.
Segunda, tal preparação elimina os elementos da novidade e surpresa, tão necessários para estimular a curiosidade.
O uso do quadro-negro deve ser livre e espontâneo, para ajudar o professor a ilustrar as verdades de que fala. Por exemplo, a lição é a história do encontro de Jesus com a samaritana. O professor lê: "Elhe era necessário passar por Samaria." Dirige-se ao quadro-negro e, falando devagar, diz: "Os judeus tinham tanto preconceito contra os samaritanos (ao mesmo tempo faz um desenho da Palestina, marcando a Judéia, Samaria e Galiléia) por causa de antigas contendas, que nenhum judeu passava por Samaria (mostra-a); mas passavam por fora (mostra). Porém, Jesus não tinha preconceito nenhum; tratava todas as pessoas da mesma forma. Portanto, saiu de Jerusalém (mostra-a), e passou pela terra (mostra-a) que os judeus consideravam imunda."
Note o valor disto para a compreensão da lição. O aluno esteve ouvindo e vendo e vivendo a verdade. O fato de o professor ilustrar para os olhos enquanto fala estimula a curiosidade do aluno. As novidades ficam pululando diante do nariz dele o tempo todo.
Suponhamos que o professor esteja pronto para fazer uma sinopse breve e atrativa. Ele diz à classe: "Rapazes, aquele fazendeiro rico de que Jesus falou (Lucas 12:13-22) cometeu três grandes erros que eu gostaria que vocês evitassem. Olhem! Vou escrevê-los no quadro-negro." E os alunos observam o professor que escreve no quadro-negro:
1. Confundiu-se a si mesmo com Deus.
2. Confundiu seu corpo com sua alma.
3. Confundiu o tempo com a eternidade.
É provável que a classe se lembre mais da lição, e a ela dedique maior interesse, por causa do quadro sinótico. Os frutos seriam escassos, se o professor somente houvesse narrado a história. Também é mais fácil para você reter a atenção dos alunos, enquanto vai ampliando os três ou quatro pontos de sua lição. Vá escrevendo as palavras-chaves no quadro-negro. Na verdade, desenhar num quadro-negro é tão eficaz para criar interesse, que um escritor de fama disse que uma pessoa conseguiria manter a atenção de um auditório se apenas se acercasse de um quadro-negro, e ficasse parado ali, com o giz na mão, enquanto fosse falando.
Ensinemos outra forma de usar o quadro-negro. O professor lê: "Achou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e os cambistas assentados. Tendo feito um chicote de cordas, lançou a todos fora do templo, bem como os bois e as ovelhas; espalhou o dinheiro dos cambistas, derrubou as mesas."
"Jovens — diz o professor —, tomemos um avião, o Aerobus da Terra Santa e visitemos o templo de Jerusalém. Imaginem um edifício imenso, de cerca de 30 metros de altura, tendo uns 800 metros quadrados de área. É feito de pedras brancas, e dotado de portas de bronze polido com cerca de vinte metros de altura. Imagine algumas portas recobertas de ouro e pedras preciosas, e o sol brilhando sobre aquele edifício situado no pico de um monte. Que vista maravilhosa! Façamos uma planta do templo para que possamos conhecer o lugar onde Jesus encontrou os comerciantes que profanavam o templo santo.
"Aqui estão os limites do templo (Desenhe um quadrado grande). Vamos dividir os diferentes átrios. Esta linha que estou traçando indica o átrio dos gentios. Eles não podiam passar além destes limites. Neste espaço aqui (trace outra linha) fica o átrio das mulheres. Era-lhes proibido ir além. Aqui está o átrio de Israel para os homens; e aqui (desenhando ainda) fica o átrio dos sacerdotes. E aqui está o grande altar do sacrifício. Meninos, foi neste lugar (fazendo uma cruz), no átrio dos gentios, que cambistas e comerciantes negociavam. A profanação das coisas santas é pecado."
O quadro-negro pode ser útil para ensinar palavras novas ou difíceis à classe. Por exemplo: "Creio que todos nós sabemos o que quer dizer 'renascido'. Há uma palavra um tanto extensa, que se usa para descrever este milagre (o professor acerca-se do quadro-negro). Vocês vão ouvi-la da boca de algum pregador, ou a lerão em algum livro. Quero que se lembrem bem dessa palavra. Aqui está: Regeneração."
Demos apenas uns poucos exemplos do que se pode fazer; na realidade, não há limite para o que se pode conseguir com um quadro-negro.
Quantas vezes deve ser usado o quadro-negro? Com a maior frequência que for possível, porque quanto mais se permite aos alunos "ver" a lição, tanto maior será seu interesse e mais bem gravada ficará a lição em suas mentes.
Um testemunho interessante — "opinião de aluno" — a respeito do valor do quadro-negro chegou até nós, da parte de alguém bem familiarizado com o trabalho da Escola Dominical. Disse o jovem: "Esqueci-me do que o superintendente disse a respeito da lição. Mas nunca me esquecerei da oração que li no quadro-negro."
O USO DE OBJETOS
Os objetos têm um valor imenso no ensino:
Primeiro, apelam aos sentidos, estimulando o interesse.
Segundo, têm um grande valor educativo, pois tornam mais real o tema que a classe está estudando.
Há dois tipos de objetos: os que são usados por terem valor prático, e os que apenas simbolizam ou sugerem uma realidade espiritual.
Os seguintes são exemplos de objetos simbólicos:
1. O professor quer ensinar à classe a importância da união. Leva um pacote de ripas amarradas em feixe. Guarda o feixe cuidadosamente até o momento de usá-lo (uma precaução prudente, para não provocar atenção indevida). Declarando que a união faz a força, ele mostra o feixe de ripas e pede a um aluno que tente quebrá-lo ao meio. Um voluntário se apresenta. Tenta partir o feixe firmando-o nos joelhos, mas não consegue. Esforça-se duramente e nada. Então o professor lhe tira das mãos o feixe de ripas, corta a corda que as liga e pede ao aluno que as quebre uma a uma. O aluno cumpre a tarefa facilmente. Tal ilustração fala por si só.
2. Um lírio pode ser usado apropriadamente para ilustrar a pureza. A lagarta que se transforma em borboleta pode ilustrar a regeneração, ou a ressurreição.
3. Para prevenir os alunos contra más influências, o professor pode levar à classe um pedaço de carvão. Segura-o, esfrega-o nas mãos, e mostra aos alunos suas mãos enegrecidas. E pergunta: "Podemos segurar um pedaço de carvão sem sujar as mãos? Podemos andar com maus companheiros sem nos tornar maus?"
4. Ilustre a cicatriz deixada pelo pecado martelando pregos em uma tábua onde você desenhou um coração. Cada prego representa um pecado. Arranque agora os pregos: a remoção representa o arrependimento e o perdão. Chame a atenção para o fato de os pregos terem sido tirados, mas os buracos ficaram. Os pecados foram perdoados mas as "cicatrizes" ficaram.
O professor explica que as ofensas, embora perdoadas, podem deixar cicatrizes.
5. Para ilustrar a tremenda força do vício, o professor pode atar os pulsos de um aluno com um fio de linha. É claro que o aluno consegue rompê-lo com facilidade. Então o professor lhe passa pelo pulso o mesmo fio, várias vezes, e ainda assim o aluno pode rompê-lo — mas com algum esforço. E à medida que aumenta o número de fios, conforme o professor o demonstra, o aluno não consegue livrar-se. "Desta maneira — explica o professor — um hábito pecaminoso, ainda que aparentemente insignificante, transforma-se num vício escravizador."
Os seguintes objetos são meras representações simbólicas de realidades materiais do passado:
* um modelo do Tabernáculo no deserto ou do Templo de Salomão;
* um modelo de casa dos tempos de Cristo;
* um modelo dos pergaminhos da lei usados na sinagoga;
* moedas romanas e gregas, etc.
Nesta mesma classe estariam as fotografias, que também têm grande valor para interessar os alunos. Uma palavra de advertência e precaução a respeito dos recursos audiovisuais, e objetos. Pode-se acostumar mal uma classe de crianças mediante o uso de "novidades": elas poderão pedir sempre um novo tipo de espetáculo. Um exemplo extremo: um professor ilustrou com fogos de artifício, a queda das estrelas que ocorrerá na época do retorno de Jesus. Aconteceu que as crianças, depois disto, ficaram pedindo "mais fogos de artifícios", mais novidades, mais espetáculos. Os recursos simples acabam sendo ofuscados pelos mais impressionantes. Os alunos passam a exigir emoções cada vez mais fortes...
Esta advertência e precaução não se aplica ao uso do quadro-negro, por duas razões:
Primeira, o quadro-negro é um modo natural de apresentar a lição para os alunos. Os objetos impróprios, ou mostrados de modo impróprio, podem dar à criança uma ideia errônea da verdade.
Segunda, se o professor domina a lição, não fica sem ideias quanto às ilustrações que porá no quadro-negro. E fácil e seguro usar o quadro-negro; todavia, fica difícil manter a classe interessada na lição, semana após semana, à custa de mostrar sempre novos objetos.