segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Capítulo 7 - Mantendo a Classe Atenta



(PEARLMAN, Myer. Ensinando com êxito na Escola Bíblica Dominical. Traduzido por Rejane Caldas. São Paulo: Editora Vida, 1995. 92 p.)


Neste capítulo, vamos considerar a importância e o significado de despertar e reter o interesse e a atenção da classe. O problema do professor e sua solução podemos resumir de maneira breve e simples:
1. Qual é sua tarefa? Gravar a lição na mente e no coração dos alunos.
2. Como se consegue isso? Primeiramente, despertando sua atenção.
3. Como o professor pode despertar a atenção? Apelando para o interesse.
4. Como conseguirá o interesse do aluno? Comparando a lição com coisas relacionadas ao aluno e que ele compreenda; em outras palavras, usando as ideias deles próprios.
Invertamos a ordem: Se o professor usar as ideias dos alunos, ganhará o interesse deles; se ele ganhar o interesse deles, reterá a atenção deles; e se ele conseguir reter a atenção deles, poderá compartilhar eficazmente a lição.
A ATENÇÃO
Que é atenção? Foi definida como "o direcionamento da atividade mental para um fato, uma emoção, ou um objetivo determinado". Um aluno atento é aquele que concentra e focaliza sua atenção de corpo e alma sobre o que diz ou faz o professor com referência à lição. Dizemos "lição" porque é possível que o aluno fixe o olhar no professor, numa atitude de aparente interesse, enquanto sua mente pode estar a mil quilômetros de distância. Diz-se que "um aluno pode olhar sem ver, escutar sem ouvir, e falar sem ter compreendido. Ele senta e sonha. A mente tem entradas interiores e exteriores. As entradas exteriores vão até 'o pátio' da mente. Um grande número de alunos mantém fechadas as portas interiores da mente a muitos dos ensinos ministrados pelo professor."
Durante um culto evangélico em uma tribo africana, uma mulher quase não tirava os olhos do rosto da missionária. Parecia que ela ouvia com atenção, extasiada. "Essa mulher está comovida com a mensagem", pensava a missionária. Depois do culto ela aproximou-se da mulher para analisar mais a fundo essa demonstração de interesse. Enganara-se, todavia, a missionária, porque a mulher pagã lhe disse: "Estava olhando esse seu dente de ouro. Diga-me, por favor, onde o conseguiu?" Havia manifestado um grande interesse, não, porém, pelo tema.
Há dois tipos de atenção: a voluntária e a espontânea. A atenção voluntária produz-se quando o ouvinte se obriga, mediante um ato de vontade, a prestar atenção à matéria. Não é uma atitude permanente; porque ocorrerá uma de duas coisas: o aluno passará a ter interesse espontâneo ou perderá totalmente o interesse. É mais provável que perca o interesse forçado.
A atenção é espontânea quando não necessita de esforço. Todo e qualquer assunto, que não seja o do presente momento, está como que morto, nesse instante, e o interesse do aluno se mantém sem esforço consciente de sua parte. A atenção espontânea é a melhor, e é inspirada pelo interesse verdadeiro.
Se o professor não consegue que sua lição seja interessante, o aluno provavelmente deixará que sua mente vagueie para longe do tema. A razão disto é que a mente não pode se concentrar por muito tempo na monotonia, em um objeto inalterável. A variedade e a mudança são essenciais ao interesse. Portanto, o professor tem que percorrer a lição com graça, mostrando seus diferentes aspectos. Falando figuradamente, ele usa o telescópio, para que os alunos vejam a lição com a visão panorâmica de um pássaro; e passa a usar o microscópio para mostrar a beleza escondida em uma pequenina parte do texto; chegando a uma esquina escura da historieta, acende a lanterna da ilustração ou talvez use o pincel e tintas para pintar numa tela um quadro rápido de uma cena bíblica. Todos estes recursos, e outros de natureza similar, unem-se na mente do professor para que a lição seja interessante.
Alguém com muita sabedoria disse que dar uma aula é transformar o ouvido do aluno em olho. Creio que é mais ainda: o professor competente faz que o aluno ouça, e veja, e sinta odores, e deguste e apalpe os elementos dramáticos de sua aula. É absolutamente necessário que o professor desperte e retenha a atenção da classe, porque a atenção é o único caminho por meio do qual o professor pode transmitir suas ideias. Dizer que a classe não está prestando atenção, é o mesmo que dizer que a classe não está aprendendo nada, e que o professor está falando em vão.
Além disso, é muito prejudicial ensinar quando os alunos não prestam atenção. "Cada vez que você permite desordem, ou frivolidades, estará ajudando a rebaixar o nível mental e corromper o caráter de seus alunos — escreve o professor Fitch. — Você os estimula a adquirir um mau hábito. Na verdade você está fazendo algo que os impede de chegarem a ser leitores pensantes, observadores diligentes e ouvintes interessados."
O INTERESSE
Obter o interesse do aluno é de suma importância na educação; um pedagogo afirma que o interesse não é um meio, mas o objetivo da educação. O aluno talvez se esqueça de inúmeros fatos que lhe foram ensinados, mas se o professor lhe ensinou de um modo tal que fez o aluno entender que a Bíblia é o livro mais maravilhoso do mundo, e que a vida cristã é a vida mais elevada para o ser humano, atingiu seu propósito.
Suponhamos que alguém dê um curso de seis meses sobre o Antigo Testamento, um curso de preparação de professores. Podemos estar certos de duas coisas: primeira, que nem todos os fatos do Antigo Testamento serão expostos neste curto período; segunda, que os alunos esquecerão muitos dos detalhes. Mas se no término do curso os alunos estiverem entusiasmados com o plano divino, com o poder e a beleza da Palavra; se estiverem conscientes de sua própria falta de conhecimento e desejosos de saber mais, esse curso terá atingido sua finalidade mais nobre.
O aluno está cheio de ideias, desejos e impulsos, que se podem classificar como interesses. Estes podem estar voltados para Deus e para as coisas espirituais, ou ao contrário, seus interesses podem estar voltados para o maligno, para o mundo e para as coisas da carne. A tarefa do professor da Escola Dominical é provocar no aluno forte interesse pelas coisas de Deus.
Considere o seguinte: Durante cinco dias da semana o aluno assiste a aulas de matemática, história, geografia, ciências e outras matérias.
As aulas são ministradas por professores que lhes dão vida e interesse. No domingo o aluno vai à igreja e escuta uma falação seca, inanimada e formal do evangelho. Qual é o resultado? É provável que chegue à conclusão de que a matemática, a história geral, a geografia e outras matérias são de maior importância e interesse, e que o cristianismo é algo insípido e desprezível.
Por isso, percebe-se que o professor tem de fazer mais do que interessar os alunos; tem que interessá-los no que é verdadeiro. Mais do que fazer com que a aula seja interessante, o professor terá de interessar a classe na lição. Se o professor conta uma história engraçada que não tem relação com a lição, o aluno se recordará da história e se esquecerá da lição. Há casos especiais, porém, em que poderá ser necessário que o professor conte uma história engraçada.
Escreve Weigle: "O professor que começa a dar aulas a um grupo de rapazes zombeteiros, e a professora que vai lecionar a um bando de garotas egoístas, que riem sem motivo, primeiro terão que conquistar seus alunos. Conquistá-los da melhor maneira possível. Terão que estabelecer boa comunicação pessoal com os alunos, fazer-se simpáticos, antes de poder comunicar a lição. No processo de cativar os alunos, o professor poderá precisar usar de energia, dosada com muito amor. Que ele não precise utilizar o martelo, a serra e o machado, que usualmente o motorista de caminhão carrega em viagem. São ferramentas de emergência, a que recorre somente para ajudar alguém em caso de colisão, ou algum incidente desastroso."
VENDO AS COISAS DO PONTO DE VISTA DO ALUNO
De que maneira um assunto ou atividade se torna interessante para alguém? Quando se dá a essa pessoa a oportunidade de expressar suas ideias a respeito desse assunto. Por isso o ensino que interessa é o que apela às próprias ideias do aluno. (Referência ao capítulo dois.) O propósito é:
1. Fazê-lo compreender a verdade.
2. Fazê-lo aceitar a verdade.
1. Faça com que os alunos comecem a entender a verdade apresentando a introdução da lição em termos e ideias que reflitam as experiências deles mesmos.
Para interessar o aluno temos que compreender seu ponto de vista e ver a verdade através de seus olhos. O que disse John Adams com respeito ao pregador é aplicável também ao professor: "Mostre-me um pregador de êxito, e eu lhe mostrarei um homem que é capaz, metaforicamente, de estar de pé no púlpito e ao mesmo tempo estar sentado entre suas ovelhas. Ele se põe no lugar de seus ouvintes e prega levando em consideração o modo de as pessoas verem e sentirem as coisas." Da mesma maneira o professor tem que ver as coisas através dos olhos de seus alunos, e ficar no lugar deles.
Imagine uma classe de rapazes. O professor é um homem de olhar um tanto austero. Está sentado de olhos fixos na revista do professor. Um dos jovens consulta o relógio; dois outros estão engajados numa conversa animada. Um terceiro, de semblante aborrecido, está murmurando: "Esse velho está fora da realidade, não sabe o que interessa aos jovens." Pode ser que esse professor tenha algum interesse na lição, mas fica muito evidente que os alunos não têm.
Isso não acontece ao professor que prepara sua lição tendo em mente a pergunta: "Que conhecimento tem o aluno acerca do que explicarei hoje que o ajude a compreender seu significado?" Estudemos alguns exemplos relacionados a este princípio.
O Mestre Divino explicava a verdade do ponto de vista de seus ouvintes. Ele veio com uma mensagem que encerrava as verdades mais profundas a respeito de Deus, do homem e da vida humana. Como esclareceu estas verdades aos indoutos galileus? Dizendo-lhes que o reino de Deus era semelhante a algumas coisas que eles já conheciam:
* O reino dos céus é semelhante a uma semente de mostarda.
* O reino dos céus é semelhante ao casamento de um rei.
* O reino dos céus é semelhante ao homem que semeou a boa semente.
* O reino dos céus é semelhante a uma rede.
Estude a maneira como ele chamou André, Pedro, Tiago e João para o serviço ativo (Mateus 4:18-20). Poderia ter dito: "Deixem seu emprego, e tornem-se meus discípulos. Vou ensinar-lhes o trabalho de persuadir os homens a abandonar o egoísmo e o pecado e viver a vida reta para o serviço de Deus." Isto teria expressado o que ele queria dizer, mas nosso Senhor Jesus tinha um modo de apelar mais direto, com mais motivação. Sabendo que estes homens eram pescadores dedicados a seu trabalho, ele disse: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens."
Que melhor maneira poderíamos imaginar para chamar pescadores à obra missionária! O Senhor conhecia "o ponto de contato" com estes homens, e relacionou seu trabalho, que para eles era novo, com uma ocupação na qual eles haviam estado quase a vida toda.
"Pescadores de homens!" Pedro deve ter raciocinado logo: "Eu sei o que ele quer dizer. Temos trazido os peixes da vida para a morte; agora vamos tirar os homens do mar da maldade, tantas vezes descrito por nossos profetas (Isaías 57:20), e trazê-los da morte para a vida."
O fato de que "imediatamente eles deixaram as redes, e o seguiram", indica que o chamado do Senhor tocou suas mentes e corações.
A seguinte lista de perguntas (citada por Schmauk) demonstra como um tema difícil pode tornar-se compreensível a uma classe de crianças. O professor está comentando a oração de arrependimento de Davi, registrada no Salmo 51.
— Davi era mau porque cometeu muitos pecados. Tinha o coração manchado. No entanto ele era bom porque estava orando a Deus. Um homem pode ser bom e mau?
— Não.
— Vamos ver. Quando o ferreiro chega em casa, vindo do trabalho, está limpo ou sujo?
— Sujo.
— Mas depois que toma banho e se senta para comer, e depois ler seu jornal, ainda está sujo?
— Não.
— Agora está limpo?
— Sim.
— Então, o homem pode ser limpo e sujo. Mas, pode estar limpo e sujo ao mesmo tempo?
— Não.
— Pode estar sujo em uma ocasião e limpo em outra?
— Sim.
— Então, o que é que transforma um homem sujo em limpo?
— O lavar-se.
— O que foi que Davi quis que Deus fizesse com seu coração?
— Lavá-lo, limpá-lo.
— O salmo não nos diz se Deus o lavou?
— Sim e não.
— Bem, Deus pode fazer qualquer coisa que deseja?
— Sim.
— Vocês acham que Deus quer que os homens tenham corações sujos?
— Não.
— Então, será que Deus tinha vontade de limpar o coração de Davi?
— Sim.
— E ele podia fazer qualquer coisa que quisesse?
— Sim.
— Davi quis que Deus lavasse seu coração imediatamente; Deus fez isto de imediato?
— Sim.
— Quanto tempo Deus precisou para lavar o coração de Davi?
— Num instante, logo, imediatamente.
— Quanto tempo necessita o ferreiro para lavar-se?
— Talvez cinco minutos ou talvez dez.
— Será que Deus precisará de tanto tempo assim?
— Não.
— Deus não precisa de nenhum tempo para fazê-lo, não é?
— É.
— Davi ficou limpo tão rapidamente como orou, convertendo-se em homem bom, não é verdade?
— Sim.
— O que é que impulsiona um homem a pedir que Deus o lave?
(Não recebe resposta.)
— Bem, o que impulsionou o ferreiro para lavar-se?
— Porque se sentiu sujo.
— Se o ferreiro gostasse de ficar sujo, ele tomaria banho e se lavaria?
— Não.
— A água viria até ele para lavá-lo?
— Não.
— Então, ele se lava porque gosta de ficar limpo?
— Sim.
— E se quiser ficar limpo, pode lavar-se logo?
— Sim.
— Então, se o homem tem o coração manchado é porque gosta de tê-lo sujo, não é?
— Sim.
— E se quiser ter o coração limpo, pode tê-lo de imediato?
— Sim.
Note como a pessoa que formula as perguntas vai esclarecendo às crianças o tema difícil da purificação espiritual, comparando-a ao lavar-se físico, com que todos estão familiarizados (esperamos que sim).
Vamos imaginar uma classe de jovens a quem o professor vai ensinar a lição baseada no primeiro capítulo de Daniel. Primeiro, o professor deve interessá-los na lição. Como vai começar? É claro que não fará um discurso teológico acerca da santificação do corpo; a teologia está além da compreensão dos alunos. Mas, sabendo que os jovens têm interesse em atletismo, começa mais ou menos assim:
"A lição que estudaremos hoje vale mais que ouro, pela sua aplicação prática. Nesta lição Deus nos mostra como podemos conservar nossos corpos fortes e sadios, para que possamos vencer na batalha da vida. Daniel descobriu isso por experiência própria quando decidiu que obedeceria a Deus, e faria o que ele lhe havia ordenado quanto ao seu corpo físico. Quem é Daniel? Eu me refiro a este Daniel de quem nossa lição fala. Vamos ver a história desse moço."
O ensino da lição bíblica há de fazer-se do ponto de vista do aluno, o que explica a necessidade imperativa de chegar a conhecer os alunos, se o professor deseja alcançar êxito completo. Assim escreve Cather: "A mente e o coração do aluno são o campo em que o semeador rega a semente plantada. O agricultor que não conhece a qualidade da terra de sua propriedade, terá uma colheita escassa."
2. Faça com que os alunos recebam a verdade, aplicando-a as necessidades deles.


Nenhum comentário:

Postar um comentário